24 maio 2015

Globo repórter - Alergia pergunta e respostas - segunda parte

Dra. Fátima Emerson, coordenadora da Comissão de Assuntos comunitários da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e imunologia) e  Dr. José Luiz de Magalhães Rios, coordenador da Clínica de Alergia – Policlínica Geral do Rio de Janeiro, respondem às perguntas feitas pelos internautas do Globo Repórter (segunda parte).


11) Beti Saran: Alergia é hereditária? 
Beti, existe um fator hereditário relacionado à alergia. Ou seja, filhos de pais alérgicos têm mais probabilidade de serem alérgicos do que aqueles que não tenham pais com alergia. Na realidade, isto significa apenas que a probabilidade é maior, mas não que pessoas alérgicas sempre terão filhos obrigatoriamente alérgicos. No caso das alergias respiratórias, estudos científicos demonstram que, quando ambos os pais são alérgicos, cerca de 50% dos filhos sofrem de alergia e quando apenas um é alérgico, esta porcentagem cai para cerca de 30%. No entanto, mesmo quando nenhum dos pais tem alergia, ainda há possibilidade de 10 a 20% de que a criança nasça alérgica. Mas, para que a doença apareça, a genética interage com o ambiente, resultando na doença 

12) Sabrina Rocha Tevardoski: Como podemos evitar uma crise alérgica (rinite e sinusite)? 
Sabrina, a imunoterapia específica, popularmente conhecida como vacina para alergia, é muito eficaz no tratamento da rinite alérgica, pois induz a diminuição da sensibilidade aos agentes inalantes provocadores das crises. A imunoterapia induz uma série de alterações na resposta imune, reduzindo o grau de sensibilização (nível de anticorpos IgE e da reação nos tecidos), interferindo na inflamação característica da rinite alérgica, controlando a doença e evitando crises. 

13) Fernanda Hack: Qual é o papel do leite materno para prevenção e tratamento das alergias alimentares? 
Fernanda, o aleitamento materno tem inúmeras vantagens para a saúde do bebê. Em relação à alergia alimentar, ele retarda o contato da criança com proteínas estranhas, evitando assim que a criança se torne alérgica a esses alimentos. O intestino do bebê é imaturo e ainda não tem as proteções naturais desenvolvidas. Isso possibilita que proteínas de alimentos “estranhos” penetrem através da parede do intestino e entrem em contato com o sistema imunológico de uma maneira “errada”, que pode sensibilizar a criança contra aquele alimento. Por isso, os alimentos devem ser introduzidos na dieta da criança gradativamente e na idade adequada e o aleitamento materno exclusivo deve ser estimulado até os 6 meses de vida 

14) Roberta Braga: Tenho um filho de 4 anos diagnosticado com alergia alimentar a leite e soja. Já fizemos inúmeros exames e testes alérgicos e em nenhum deles deu positivo. Por que isso acontece? 
Roberta, existem duas formas principais de alergia alimentar. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir o alimento ou seus derivados apresenta cirse de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de alergia alimentar apresenta testes positivos para o alimento (no caso, leite ou soja) e exame de sangue também positivo (dosagem da IgE específica para o alimento suspeito). A outra forma de alergia alimentar é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Essa forma de alergia deve ser a do seu filho. É menos grave e tem mais chance de desaparecer com a idade. A forma de comprovar é por dieta de exclusão do alimento, para ver se melhora dos sintomas, e depois de algumas semanas, a re-exposição ao alimento, para ver se os sintomas voltam. Este procedimento é importante para confirmação, mas só deve ser feito com acompanhamento médico. 

15) Charlene Cardoso: Meu filho de 7 anos tem alergia alimentar. Temos que seguir uma dieta de exclusão de diversos alimentos. Esse tipo de alergia tem cura ao longo do tempo ou ele vai ter que controlar para sempre? 
Charlene: o tratamento da alergia alimentar implica no afastamento do alimento da dieta da criança. Mas, na maioria dos casos a criança passa a tolerar o alimento a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Mas alguns raros indivíduos continuam alérgicos até a idade adulta. Alergia a vários alimentos ao mesmo tempo é muito rara e é possível que seu filho, hoje com sete anos, já tolere alguns dos alimentos aos quais ele era alérgico. Você deve procurar um especialista para que ele possa testar alguns desses alimentos e verificar se já deixou de ser alérgico. Esses testes, chamados “teste de provocação” devem ser feitos por médico alergista treinado para isso, em ambiente seguro, para dar suporte em caso de reação. 

16) Meyre Brito: Meu filho é alérgico à poeira e a pelo de animais e sofre de rinite alérgica. Há alguns meses, ele apresentou uma crise tipo crise asmática. A alergia pode se agravar e provocar asma ou bronquite asmática? 
Meyre: nariz e pulmões pertencem ao mesmo aparelho respiratório, numa mesma pessoa. É errado raciocinar como se fossem estruturas separadas. Na realidade, o aparelho respiratório é único: começa no nariz e termina nos alvéolos pulmonares, em total sincronia: VIAS AÉREAS UNIDAS ou, como dizem os americanos: “UNITED AIRWAYS”. Da mesma maneira, O trabalho respiratório é integrado. Ao inspirar, o nariz recebe o ar e imediatamente começa o processo da respiração. Este ar será aquecido, filtrado, umedecido, condicionado e limpo, proporcionando melhores condições para que a respiração pulmonar se realize adequadamente. Ou seja, o nariz é o primeiro passo da respiração. Protege o organismo contra o ingresso de microrganismos presentes no ar que respiramos, retém as impurezas, regula a temperatura e a umidade do ar que passa em direção aos pulmões. O ar continua seu caminho em direção aos brônquios, por onde entra nos pulmões e daí percorrerá um caminho até os alvéolos onde ocorrerá a troca do oxigênio (O2) pelo gás carbônico (CO2) que será exalado. Nem todo mundo que tem rinite terá obrigatoriamente asma. Mas, as pessoas portadoras de rinite (crianças ou adultos) têm alto risco de evoluir com surgimento de asma. O início da asma pode passar despercebido, surgindo como uma tosse insistente, quando ri, brinca, ao fazer esforços ou durante a noite. É provado que quanto pior estiver a rinite, pior será o comportamento pulmonar. E, o contrário: tratar a rinite leva a uma grande melhora da asma. 

17) Judite Pereira: Toda rinite é alérgica? 
Não, Judite. As rinites não alérgicas podem apresentar os mesmos sintomas da rinite alérgica, ou seja, espirros, coriza, prurido e obstrução nasal, porém sem participação da IgE (anticorpo da alergia). Exemplos: rinite causada por fatores irritantes (produtos químicos, gases, diesel, etc.), medicamentosa (causada por remédios), hormonal (causada por hormônios, como por exemplo na gravidez), entre outras. 

18) Ivone Alvarenga: O que acontece se não tratar a rinite, ela vai se agravando? 
Ivone, o nariz é o órgão alvo da alergia respiratória, sendo o responsável não só pelos sintomas da rinite, como pelos reflexos causados pela doença. A partir da rinite, pode haver comprometimento dos olhos, ouvidos, seios da face, faringe, laringe, traquéia e pulmões. Por isso, a inflamação repetida da mucosa nasal na Rinite Alérgica pode resultar em uma série de problemas, como por exemplo: conjuntivite, otite, sinusite, faringite, laringite, traqueite, pneumonia e asma. Muitas vezes uma criança com alergia respiratória faz muitas infecções, ficando constantemente encatarrada, necessitando uso repetido de antibióticos. Além disso, a rinite pode provocar alterações da voz, olfato, apetite, paladar, sono e audição. 

19) Vanusa Souza: A pessoa q tem rinite e usa spray nasal de corticoide com prescrição médica, pode ocasionar em outros problemas devido ao seu uso? 
Vanusa, os corticoides usados sob a forma de sprays nasais usados no tratamento da rinite alérgica são seguros porque são formulados em doses mínimas (microgramas) de forma que atuam diretamente na mucosa do nariz, com mínimos efeitos no resto do organismo. Devem ser usados diariamente, mesmo que os sintomas estejam controlados. É importante ressaltar que estes medicamentos não têm os efeitos colaterais dos corticoides usados sob a forma de comprimidos, xaropes ou de injeções. Mas, é importante que sejam aplicados com técnica adequada. O jato do spray não deve ser aplicado em direção ao septo nasal, mas sim para as às asas laterais das narinas. Desta forma o medicamento se distribuirá melhor e com menor risco de efeitos colaterais como por exemplo: ardência, irritação e sangramento local. 

Fonte: Globo repórter

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