26 julho 2015

Alergia a penicilina



A alergia a penicilina de fato existe, mas não é tão frequente quanto se imaginava. Isso porque antigamente exigia-se um teste antes de o paciente receber esta medicação. Esse “teste” era feito em farmácias e de forma inadequada. Conclusão: a irritação que tal procedimento ocasionava dava um falso positivo e aí achava-se que a pessoa fosse alérgica...

Outro problema é que muitas vezes o antibiótico é usado para certas infecções que na verdade são viroses. No segundo ou terceiro dia aparece um exantema (“grosseiro”) característico desse tipo de infecção e acaba-se achando, erroneamente, que foi o antibiótico que deu a “alergia”... 

Desta forma, é uma situação relativamente comum na prática do alergista, o(a) paciente querer saber: - Eu tenho alergia a penicilina? 

A penicilina é o mais antigo dos antibióticos, tendo sido descoberta em 1928 pelo médico Alexander Fleming e seus derivados continuam até hoje sendo amplamente utilizados na prática médica. 

As penicilinas são, na verdade, um grupo. Compreendem diversas drogas, quais sejam: a amoxicilina, ampicilina, azlocilina, carbenicilina, cloxacilina, dicloxacilina, mezlocilina, nafcilina, oxacilina, penicilina G, penicilina V, penicilina benzatina (Benzetacil), piperacilina e ticarcilina. Além desses medicamentos, do ponto de vista químico, as penicilinas compartilham uma estrutura comum com outros antibióticos: o anel betalactâmico.  Todos os outros antibióticos que também possuem essa estrutura podem ocasionar o que se chama de “reação cruzada” às penicilinas. São eles: as cefalosporinas, os carbapenens e os monobactans. 

A anafilaxia é uma das reações alérgicas às penicilinas e aos beta-lactâmicos em geral, mas esses antibióticos podem levar a outros tipos de reações, como: 
- urticária e angioedema, 
- dermatites com ou sem fotosensibilização, 
- reações graves de hipersensibilidade, tipo StevensJhonsons e outras. Estas felizmente são raras, uma vez que tais reações de hipersensibilidade podem até mesmo ser fatais. 

E o teste? 
Ele é utilíssimo quando realizado corretamente e por médico especializado. Mas como em qualquer outra alergia, o teste só funciona para diagnóstico e não como preditivo se a pessoa terá ou não alergia. Infelizmente, até que o problema apareça não há como se prever exatamente quem terá ou não terá alergia. 

Mas vão aqui algumas dicas: 

• Não use antibiótico desnecessariamente. Muitas infecções são causadas por vírus e não por bactérias e apenas estas são sensíveis aos antibióticos. 

 • As pessoas atópicas, ou seja, aquelas que são portadoras de outras doenças alérgicas como asma, rinite e dermatite atópica, têm chance aumentada de desenvolver anafilaxia. Mais cuidado ainda ao se usar medicamentos. 

• Se você já teve um episódio de anafilaxia após usar medicações, não deixe de procurar um alergista para realizar diagnóstico mais preciso. 

• Lembre-se: em caso de anafilaxia a um tipo de penicilina, outras drogas relacionadas devem ser afastadas ou investigadas, pelo risco de reação cruzada.

Fonte: ASBAI - Anafilaxia Brasil - clique aqui para conhecer este site 

19 julho 2015

Rouquidão é alergia?



Rouquidão (ou disfonia) é a mudança aguda (de curta duração) ou crônica (de longa duração) no tom da voz, em geral para um tom mais áspero, o que por vezes resulta em falta de clareza do som emitido. 

A rouquidão é funcional quando se deve a um uso excessivo ou inadequado da voz e orgânica quando se deve a alterações do aparelho fonador. 
Na verdade, o termo disfonia, embora usado neste sentido, não é totalmente adequado, uma vez que disfonia faz referência a toda e qualquer dificuldade na emissão vocal e não somente à rouquidão.

Qual é a fisiopatologia da rouquidão? 
A voz é produzida quando o ar expelido pelos pulmões passa pelas cordas vocais, provocando a vibração delas. O tom da voz varia de acordo com fatores como sexo, idade, inervação, tônus muscular, etc. O som que produz a voz é amplificado na faringe, boca e nariz e articulado na cavidade oral. As cordas vocais ficam localizadas na laringe, tubo que comunica a traqueia com a cavidade oral. Quando o ar que sai dos pulmões passa por elas, faz vibrar essas pregas, produzindo o som que se tornará a voz normal. 

A rouquidão é, então, consequência de um mau funcionamento da laringe e, na grande maioria das vezes, acontece por alterações das cordas vocais, mas sua causa pode também se localizar nas estruturas próximas.

Quais são as causas da rouquidão? 
A rouquidão pode ter diversas causas, algumas simples e outras graves. Entre elas contam-se o refluxo gastresofágico, alergias, viroses, inalação de substâncias irritantes, câncer da garganta, tosse persistente, infecções das vias aéreas superiores, fumo e álcool em excesso, abuso da voz, aneurismas da aorta, broncoscopia, danos aos nervos ligados à voz, objeto estranho na traqueia, hipotireoidismo, nódulos nas cordas vocais e fraqueza dos músculos em torno da laringe. 
Entre as causas comuns de rouquidão aguda, a mais frequente é a laringite aguda, acompanhada ou não de tosse. Fisiologicamente, pode haver uma rouquidão quando das mudanças de voz na puberdade.

Ou seja, nem toda rouquidão é causada por alergia.

Quais são os principais sinais e sintomas da rouquidão? 
O principal sinal e sintoma da rouquidão é um tom mais áspero e mais baixo da voz, por vezes tornando-a quase inaudível. Frequentemente, ela é acompanhada de outros sintomas devidos à situação causal, como dores de garganta, febres etc. 
Em alguns casos, ela é a primeira e única manifestação de uma doença. Assim, a rouquidão pode ser um sintoma inicial de doenças simples, mas pode também indicar doenças graves, como o câncer da laringe, por exemplo. 

Geralmente, a rouquidão é um problema transitório, mas se for de longa duração e continuar por semanas ou meses, deve ser vista como um sinal de alerta e ser cuidadosamente investigada.

Como o médico diagnostica a rouquidão? 
 O diagnóstico da rouquidão é clinicamente evidente, mas a determinação de suas causas exige exames específicos e uma observação direta das cordas vocais por meio do laringoscópio para identificar eventuais lesões que possam estar presentes. Um exame ainda mais minucioso pode ser feito através da nasofibrolaringoscopia. Em casos de moléstias graves, quanto mais precoce for feito o diagnóstico, melhores serão as chances de cura.

Como o médico trata a rouquidão? 
 Nos casos de rouquidão funcional, o principal tratamento é a fonoterapia. O repouso da voz é sempre indicado. Nos casos de rouquidão orgânica, deve-se tratar a causa subjacente. Quase sempre ela será tratada com medicações, mas certos casos demandarão cirurgia.


Como prevenir a rouquidão?

Nas situações que podem causar rouquidão, ela pode ser evitada ou minimizada por algumas providências como evitar o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas, moderação no consumo de café, não praticar a automedicação, beber bastante líquido, evitar ambientes poluídos, evitar excessos no uso da voz, como gritar ou alterar o padrão de voz.

Fonte
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04 julho 2015

Alergia a roupas

Roupas podem ser confeccionadas com diferentes tipos de tecidos, como: algodão, linho, lã, nylon, poliéster, entre outros. Nem toda reação provocada por roupas é alergia. Quando ocorre, a alergia ocorre por determinados componentes de tecidos. Na maioria das vezes o processo não é alérgico, ocorrendo em resposta a processos irritativos ou de intolerância. 

Este tema foi recentemente publicado pela Academia Espanhola de Dermatologia e chamou a atenção para 2 pontos básicos: 

1) A intolerância à roupa ocorre em pessoas com pele suscetível. Por exemplo, portadores de dermatite atópica tendem a ter pele seca, sensível e hiper-reativa. Outro exemplo é das pessoas portadoras de dermografismo ou de outras formas de urticária. Nestes casos o contato com etiquetas e determinados tipos de tecidos, em geral sintéticos, pode produzir desconforto, comichão e coceira. Dependendo de cada caso, poderão surgir irritações na pele ou agravar lesões pré-existentes. É importante enfatizar que não se trata de uma alergia, pois não há envolvimento do sistema imunológico, nem sob a forma de células nem através da participação de anticorpos específicos. 

2) Algumas pessoas poderão desenvolver dermatite de contato a componentes de tecidos. As substâncias usadas na indústria têxtil, que são mais envolvidas na indução de alergia de contato incluem o formaldeído e alguns componentes usados como corantes, em especial os derivados de parafenilenodiamina. Roupas engomadas e novas podem ser tratadas com formaldeído ou produtos similares. Já o parafenilenodiamina é um corante usado em roupas de cor escura ou em couro sintético. 

A dermatite de contato têxtil é uma alergia rara, mas nos últimos anos, médicos especialistas chamam a atenção para o uso de um conservante chamado dimetil fumarato, usado em produtos provenientes da China, como roupas, sapatos e em inúmeros outros materiais. Atualmente o uso do dimetilfumarato está proibido na União Europeia. 

O que diferencia a alergia da intolerância ou irritação? 

A dermatite de contato irritativa ou intolerância resulta de uma ação direta na pele e não envolve mecanismo imunológico, ou seja, resulta de uma ação mecânica do produto sobre a pele causando a irritação e o desconforto. 

A dermatite de contato alérgica depende de uma sensibilização, ou seja, a pessoa entra em contato com o produto, desenvolve uma reação imunológica (alergica) específica, que vai gerar as lesões. Depois que se instala, a reação surgirá sempre que a pessoa voltar a ter contato com a substância. 

Como reconhecer se é alergia ou intolerância? 

O diagnóstico se baseia na análise clínica feita por médico especialista, que analisará os dados clínicos de cada paciente e seu tipo de pele. As reações irritativas originadas da intolerância se relacionam com características da pele, em geral seca. Nos casos de alergia, não se verifica este padrão. 

Para esclarecer o diagnóstico, está indicada a realização do teste de contato. As baterias usadas no teste de contato são compostas por uma série de substâncias em concentração e preparação apropriada para teste, ou seja, de forma que possam apontar a positividade sem causar dano à pele do paciente. O material é colocado em contato com a pele usando fita adesiva hipoalergênica contendo discos aderidos. Após limpeza da pele, o material é aplicado nas costas do paciente, permanecendo por 48 horas. Neste intervalo, não é permitido molhar o local nem realizar exercício físico vigoroso. Após 48 horas o material é removido e realiza-se a primeira leitura, observando se há reação no local de aplicação de cada substância. A leitura é repetida 72 horas ou 96 horas após aplicação do teste. 

Adaptado de: Infosalus
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