01 outubro 2017

Alergia X Intolerância Alimentar - entenda a diferença


As alergias alimentares são frequentemente confundidas com quadros de intolerância, porém as causas destas condições são diferentes, assim como seus tratamentos.

A alergia alimentar é uma reação do sistema imunológico (de defesa do organismo) contra algo (alérgeno) que ele julga estranho, em geral proteínas, que podem ser derivadas de alimentos, ácaros, pólens e pêlos de animais. Na alergia, o sistema imunológico responde de forma exagerada e anormal a algum componente do alimento e este é interpretado pelo organismo como um agente agressor.

No caso da alergia ao leite de vaca (APLV), principal causa de alergia alimentar na infância, os principais alérgenos são as proteínas caseína, alfalactoalbumuna e beta-lactoglobulina. O mecanismo imunológico mais frequente na APLV é a produção de anticorpos específicos do tipo IgE contra essas proteínas, que podem ser detectados através de testes alérgicos na pele ou através de exames no sangue. Porém, nem todas as formas de alergia alimentar apresentam IgE aumentada no sangue, especialmente quando predominam apenas sintomas digestivos.
Em geral, os sintomas ocorrem logo após a ingestão do alimento, mesmo em quantidades mínimas, e podem envolver diversos órgãos e sistemas como: tubo digestivo (cólicas, vômitos, diarreia, sangramento nas fezes); pele (urticária); sistema respiratório (chiado no peito); e até mais graves como edema de glote e choque anafilático (queda da pressão com perda da consciência), além de sintomas gerais como dificuldade no ganho de peso e de crescimento.
O tratamento ideal se baseia na exclusão do alimento envolvido e seus derivados da dieta alimentar, o que leva à resolução dos sintomas.

Intolerância alimentar é definida como uma dificuldade do organismo no processo de digestão de determinado alimento, geralmente por falta de alguma substância relevante, como por exemplo, as enzimas digestivas. No caso do leite de vaca, o principal responsável pelos casos de intolerância é a lactose, um açúcar presente em sua composição. A intolerância ocorre devido à ausência total ou parcial da lactase, enzima responsável pela sua digestão. Os sintomas são exclusivamente gastrointestinais (gases, diarreia, cólica, dor abdominal) podendo ocorrer em minutos ou horas após a ingestão do alimento. Diferentemente da alergia, o aparecimento dos sintomas normalmente é dependente da quantidade do alimento ingerida, e geralmente não é necessária a exclusão total do alimento em questão. Muitos indivíduos toleram inclusive a ingestão de derivados (laticínios, iogurtes etc.) que contêm menos lactose que o leite em si.

Diferenciar a alergia alimentar da intolerância é fundamental para que pacientes e seus familiares não sejam expostos a dietas restritivas sem necessidade, que muitas vezes implicam também em restrições socioeconômicas e de qualidade de vida.

Na presença de sintomas relacionados à ingestão de alimentos, uma consulta médica é muito importante para o diagnóstico correto e tratamento adequado.

Fonte - site da ASBAI RJ
Autoria: Comissão de Alergia Alimentar da ASBAI RJ
Dr. José Luiz Magalhães Rios
Dra. Eliane Miranda
Dr. Fábio Chigres Kuschnir
Dra. Maria Fernanda Motta Melo
Dra. Sandra Maria Bastos Pinto

17 setembro 2017

ASMA


O que é Asma? 
    A asma, popularmente conhecida como bronquite alérgica, é uma doença crônica dos pulmões que tem como principal característica a presença de uma inflamação nas vias respiratórias que provoca um aumento da sensibilidade à vários estímulos (hiper-reatividade ou instabilidade dos brônquios). Estes brônquios instáveis, ao serem provocados fazem surgir os sintomas da asma.

Quais os principais sintomas da doença?
Os sintomas principais da asma são: 
Sensação de “peito preso” 
Falta de ar, cansaço fácil. 
Chiados no peito 
Tosse (com ou sem catarro)
Mas, vale ressaltar que os sintomas variam de pessoa para pessoa.

Quem pode ter asma? 
Embora seja mais comum na infância, a asma pode acometer qualquer idade, do bebê até o idoso. Existem casos em que a asma se inicia no adulto e até mesmo na terceira idade. 

Como identificar uma crise de asma? 
 Uma crise que está iniciando (leve) provoca o aparecimento de sinais que podem variar muito e incluem:
-  Sensação de “peito preso” ou de “respiração incompleta”.
-  Tosse ou chiado durante atividades diárias, quando ri, pratica exercícios ou esportes
-  Cansaço leve, Pigarro insistente 
Em algumas pessoas, a tosse pode ser o único sintoma e melhora com uso de broncodilatadores.

Quais são as causas da crise? 
 As crises de asma podem ser causadas por vários fatores, como:
- Alergia: o principal fator é o ácaro da poeira domiciliar. Além disso, citam-se: mofo, animais domésticos(em especial, gatos e cães),
- Infecções: viroses - como as gripes e resfriados, ou ainda as sinusites.
-Irritantes: mudanças de tempo, fumaças, odores ativos
- Esforço físico exagerado
- Aspectos emocionais
Outras causas: alguns tipos de medicamentos, alguns alimentos, refluxo gastro esofágico, causas hormonais, fatores relacionados ao trabalho ou à escola, asma provocada por outras doenças, entre outras.


Como posso reconhecer se uma crise de asma é grave? 
A crise grave de asma se manifesta com intensa sensação de falta de ar, respiração difícil, entrecortada e ofegante. O cansaço se acompanha de dificuldade em falar caminhar ou se alimentar. Os lábios e unhas podem se tornar arroxeadas. A tosse se torna intensa e observa-se batimento das asas do nariz, uso da musculatura do pescoço e esterno para respirar Há pouca melhora com a medicação e a medida do sopro (Peak Flow) está abaixo de 50% do valor previsto .

Mas lembre-se: nenhuma crise de asma já começa grave. 
Por isso é importante reconhecer sintomas leves.


É importante tratar o mais cedo possível, evitando a piora, prevenindo as crises graves e consequentemente evitando o pronto socorro e as internações.
Uma pessoa hipertensa não espera a pressão subir para ir ao médico. E você asmático, deve fazer o mesmo: tratar todos os dias e evitar as crises fortes.
“Prevenir é melhor do que remediar”

Como é o tratamento da asma?
O tratamento da asma requer um acompanhamento regular com um médico especialista, monitoramento do uso correto do medicamento e avaliação a cada consulta do nível de controle da doença. É importante ressaltar que o tratamento deve ser mantido mesmo quando a pessoa está bem, sem sintomas. 
Hoje a medicina dispõe de modernos medicamentos inalados para o tratamento de controle da asma. Em casos de asma grave, o tratamento com anticorpos monoclonais é capaz de controlar a doença e permitir uma melhor qualidade de vida para muitas pessoas.

Asma: 
O tratamento engloba vários passos:
- Uso de medicamentos aliviadores nos momentos de crises
- Uso contínuo de medicamentos controladores que atuam no processo inflamatório dos brônquios, controlando a doença e evitando crises.
- Controle de ácaros no domicílio
- Controle de fatores agravantes da doença
- Tratamento da alergia nasal
- Educação do paciente e de seus familiares


Sinais de que a asma não está controlada
- Visita à emergência ou internação recente.
- Necessidade do uso repetido de corticoide (em comprimidos ou xaropes).
- Sono alterado pela doença: acordar para nebulizar ou para usar remédios.
- Acordar e já se sentir mal.
- Atividades diárias afetadas pela asma, faltar ao trabalho ou às aulas na escola.
- Medida do sopro em queda (se tiver um aparelho medidor do PFE).
- Necessidade de usar remédios de alívio com frequência.
O ambiente para o asmático precisa de cuidados especiais?
 Sim. Porque é principalmente no ambiente onde habita que ele estará mais exposto aos agentes causadores dos sintomas asmáticos. O quarto é o principal foco de atenção, já que é o local onde o asmático passa a maior parte de seu dia.
Ácaros são organismos microscópicos que se alimentam de descamação da pele humana, de pelos de animais e também do mofo. Habitam locais onde há acúmulo de poeira como: colchões e travesseiros, carpetes, bichos de pelúcia, estantes, papéis e até animais de pelo. Os ácaros e seus excrementos são os maiores agentes causadores de alergias respiratórias. 

13 setembro 2017

Urticária Crônica Espontânea: O que fazer quando os antialérgicos falham?


O tratamento da urticária crônica consiste em um conjunto de medidas, que vão desde a retirada ou neutralização da (s) causas (s) até o uso de medicamentos. Entretanto, nem sempre é possível afastar ou neutralizar as causas, principalmente na urticária crônica espontânea.
Os antialérgicos (anti-histamínicos) não sedantes são os medicamentos de escolha para o controle dos sintomas. Inicialmente, são utilizados nas doses licenciadas (recomendadas em bula). Nos casos com pouca resposta, o médico poderá aumentar a dose em até 4 (quatro) vezes. Porém, algumas vezes, mesmo com o uso dos antialérgicos em doses aumentadas, a doença não fica controlada, configurando uma urticária de difícil controle.
Ocasionalmente o corticóide (cortisona), que é um potente anti-inflamatório, pode ser receitado. Este uso deve ser recomendado somente nos casos de crises graves e por períodos curtos de tempo (máximo de 10 dias). O uso prolongado pode ocasionar efeitos colaterais significativos, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade entre outros.
Omalizumabe é uma nova opção, que pode ser associada aos antialérgicos no tratamento da urticária de difícil controle. Trata-se de uma medicação imunobiológica, também conhecida como "anti-IgE", que atua na resposta imune. A imunoglobulina E ou IgE é um anticorpo produzido pelo corpo humano que participa da reação inflamatória. A ação do medicamento se dá porque se liga à IgE livre no sangue, evitando a sua ligação e, consequentemente, inibindo a resposta inflamatória e abolindo o aparecimento de sintomas.
O tratamento com omalizumabe visa o controle mais adequado da urticária crônica espontânea refratária com baixo risco de reações adversas. Os efeitos colaterais mais comuns são no local da aplicação da injeção (dor, vermelhidão e coceira) e cefaléia.
É apresentado sob a forma injetável, devendo ser aplicado a cada quatro semanas por via subcutânea. Esta aplicação é feita em ambiente hospitalar, com supervisão médica.
Os requisitos para o tratamento são:
- Diagnóstico de urticária crônica espontânea
- Crianças (maiores de 12 anos), adultos ou idosos
- Sintomas persistentes, que não respondem ao tratamento com antialérgicos (anti-histamínicos), e necessidade de uso frequente de corticoides nas exacerbações.
O omalizumabe é uma medicação segura e bem tolerada, conhecida há mais de 10 anos. No Brasil, foi aprovado para o tratamento da urticária crônica espontânea há cerca de 2 anos.
O alto custo dificulta o acesso ao medicamento.
Procure o médico especialista para receber uma orientação efetiva e adequada para o seu caso.
O artigo é de autoria da Dra. Solange Valle, do Departamento de Alergia Dermatológica da ASBAI, e da Dra. Fátima Emerson, da Comissão de Assuntos Comunitários - ASBAI.
FONTE: ASBAI