10 dezembro 2017

Viver bem com Asma


A asma é uma enfermidade muito comum, que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo e mais de 10 milhões de brasileiros. A doença se manifesta de formas variadas, comporta-se e evolui ao longo do tempo, por caminhos diferentes, levam aos mesmos sinais e sintomas que definem a doença: episódios recorrentes de falta de ar; chiado; aperto no peito e tosse, geralmente seca ou com pouca produção de catarro. 

Nas últimas décadas, a asma foi reconhecida como doença inflamatória crônica e novas terapias surgiram para auxiliar no controle da doença, proporcionando uma qualidade de vida melhor ao paciente e seus familiares. Entretanto, mesmo com esses avanços, a asma continua gerando sofrimento e custos para os pacientes, as famílias, o sistema de saúde; e mortes pela doença continuam acontecendo.


É muito importante no tratamento da asma, que o asmático ou os seus pais, no caso das crianças, saibam:

a) identificar precocemente os sintomas de crises;
b) saber quais são os medicamentos indicados para a crise e para a manutenção;
c) saber usá-los corretamente, já que a maioria é para uso inalatório, ou seja, são medicamentos administrados diretamente nas vias aéreas para que atuem nos brônquios de maneira rápida, sem efeitos colaterais para o resto do organismo.

O automanejo da asma é fundamental e depende de médicos e pacientes motivados, que busquem constantemente informação, atualização e uma relação clara e produtiva

A asma é um problema de saúde pública mundial, impacta significativamente a vida das pessoas, colocando-as em risco nos casos graves, gera sofrimento e gastos significativos para as famílias e para os sistemas de saúde. O conhecimento e a participação ativa do próprio asmático em seu tratamento são fundamentais para o sucesso no controle da asma. 


O objetivo do livro "Viver bem com asma" é contribuir para que os asmáticos brasileiros possam obter um controle melhor da asma, ganho na autoestima e qualidade de vida dos pacientes e dos familiares de asmáticos. O texto foi desenvolvido por meio de perguntas consideradas relevantes por médicos, pacientes e familiares de asmáticos.


Autores:

Eduardo Costa F. Silva
Faradiba Sarquis Serpa
Maria de Fátima Epaminondas Emerson

Faça o download do livro "Viver Bem com Asma" no site da ASBAI: Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Ou, se preferir, escreva para nosso e-mail (blogdalergia@gmail.com) e enviaremos para você a cópia do livro em PDF.

30 novembro 2017

Refluxo laringo-faríngeo

Chama-se de refluxo gastroesofágico (RGE) ao retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago em geral acompanhado de desconforto no peito e sensação de gosto amargo na garganta. Vale lembrar que refluxo até certo ponto é normal. Por isso, os bebês golfam e qualquer pessoa pode arrotar ou ter azia quando come em excesso.
Porém, o conteúdo ácido presente no estômago pode retornar pelo esôfago e chegar até a garganta, causando sintomas. Quando isso ocorre é denominado Refluxo Laringofaríngeo (RLF).




O refluxo laringofaríngeo pode causar inflamações ao atingir as cordas vocais provocando manifestações clínicas como:
• Incômodo na garganta;
• Necessidade de limpar a garganta com muita frequência (pigarro);
• Tosse;
• Sensação de algo preso na garganta (globus).


Refluxo Laringofaríngeo (RLF) X Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Apesar de possuir a mesma base fisiopatológica, o RLF é considerado diferente da DRGE clássica que possui como principais características:

• Azia e/ou regurgitação;
• Boa resposta ao tratamento medicamentoso;

O paciente com RLF geralmente não apresenta azia e/ou regurgitação, já que a quantidade de líquidos e gases que retorna é muito pequena.
O tratamento necessita de doses maiores, tempo mais prolongado e possui uma resposta clínica irregular. Essa doença pode se agravar em pessoas que usam a voz com maior frequência, como professores e cantores.

Como é feito diagnóstico de refluxo laringofaríngeo?
Além de analisar cautelosamente os sinais e sintomas do RLF, o médico deve solicitar uma laringoscopia. Por meio desse exame, o especialista pode verificar o estado das cordas vocais, descartar outras doenças e analisar as evidências de RLF. Quanto mais intensa a inflamação, maior a possibilidade de refluxo gastroesofágico

Qual é o tratamento mais adequado?
O refluxo precisa ser bem controlado com medicamentos que serão indicados pelo medico. Além disso, recomenda-se:

• Atenção à higiene bucal.
•Ingerir muito líquido para evitar a sensação desagradável de boca seca.
•Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, com cafeína, antialérgicos e balas mentoladas, pois são produtos que contém substâncias que ressecam a garganta e as cordas vocais.
• O tabagismo deve ser eliminado.
• Tomar cuidados com a voz, evitando gritar, sussurrar, falar por longos períodos sem interrupção e pigarrear.


Adaptado de: Federação Brasileira de Gastroenterologia

19 novembro 2017

Alergia nos olhos


Os olhos estão em contato direto com o meio ambiente, sendo alvos frequentes de reações alérgicas, que podem comprometer as pálpebras, cílios, conjuntiva, córnea e úvea.

ALERGIA NAS PÁLPEBRAS

- Dermatite de contato aos cosméticos, com destaque pelo esmalte de unha. O aspecto clínico é de descamação e eczema na região das pálpebras.

- Dermatites de contato irritativas ou alérgicas provocadas por colírios, seja pelos medicamentos (pelas substâncias ativas) como pelos preservativos empregados na conservação dos colírios. 

-  Inchação (edema) das pálpebras que podem acompanhar os processos de angioedema.

- Blefarites, que são processos inflamatórios (nem sempre alérgicos) que acometem as bordas palpebrais, na região dos cílios. 


ALERGIA NA CONJUNTIVA - CONJUNTIVITE ALÉRGICA

A conjuntivite alérgica em geral acompanha a rinite alérgica. Manifesta-se por coceira nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento e incomodo com a luz solar ou artificial intensa (fotofobia). A coceira ocular pode ser muito intensa, acompanhada de agressão dos olhos pelo ato de coçar.

A conjuntivite alérgica quase sempre é decorrente da sensibilidade aos ácaros da poeira de casa e outras substâncias como fungos do ar, mofo, pelos de cães e gatos, polens de plantas. Pode piorar pela atuação de agentes irritantes como fumaça, ar refrigerado, poluição e vapores químicos.  A associação com a rinite alérgica indica a origem do processo e a confirmação diagnostica é feita pelos testes cutâneos.

A conjuntivite alérgica deve ser diferenciada das outras conjuntivites infecciosas por vírus ou bactérias. Nestas é comum o acometimento de apenas um dos olhos, o olho está intensamente injetado, com dor e sensação de areia. Na conjuntivite alérgica a vermelhidão é mais leve, menos demorada e a coceira é o sintoma mais destacado.


ALERGIA NA CÓRNEA E ÚVEA

A córnea pode apresentar quadros inflamatórios chamados de ceratite, quase sempre acompanhados de conjuntivite, constituindo a ceratoconjuntivite. 

Os quadros de uveíte caracterizam-se por comprometimento inflamatório na camada vascular dos olhos e podem ocorrer por hipersensibilidade ao bacilo da tuberculose.


AVALIAÇÃO DA ALERGIA OCULAR 

É importante observar o histórico de cada paciente, as características clínicas, os sintomas apresentados, além dos achados no exame físico. Estes são a base para o diagnóstico e para diferenciar de outras doenças que podem confundir com as alergias oculares.

CONTROLE DAS ALERGIAS NOS OLHOS

A conjuntivite alérgica quase sempre acompanha a rinite alérgica e por isto seu tratamento deve englobar também o controle de ambiente, ou seja, combate aos ácaros da poeira, em especial no dormitório do alérgico. Medicamentos são uteis para reduzir sintomas, com destaque para os anti-histamínicos por via oral.

A maioria dos colírios é comprada sem receita médica. Mas, todo cuidado é pouco: colírios contendo vasoconstritores ajudam a reduzir a hiperemia (olho vermelho), mas devem ser usados por pouco tempo, pois os vasos da conjuntiva funcionam como os das narinas: após uma ação benéfica vasoconstritora, com redução da vermelhidão, aparece uma ação rebote, vasodilatadora, tão mais notável quanto maior o prazo de uso.

Os colírios de cortisona dão sensação de alivio, mas tem risco potencial de efeitos colaterais como facilitação de infecções, cataratas e glaucoma (aumento da pressão intra-ocular). Portanto, só devem ser usados com orientação médica e pelo tempo determinado.

A imunoterapia com alérgenos, conhecida popularmente como vacina para alergia, utiliza extratos padronizados e têm indicação similar à da rinite. É um importante recurso adicional já que nem sempre é possível colocar em pratica a profilaxia para inalantes, além de ter bons resultados clínicos no controle das conjuntivites alérgicas.


ALERGIAS OCULARES - DICAS FINAIS

• Limpeza da casa cuidadosa e diária, com especial atenção aos quartos de dormir.
• Encapar com material impermeável o travesseiro e colchão.
• Trocar o travesseiro periodicamente.
• Lavar sempre as mãos.
• Evitar coçar ou esfregar os olhos.
• Compressas com água filtrada e gelada ou com soro fisiológico gelado, úteis para alívio na fase aguda da conjuntivite.