09 julho 2016

Apneia do sono

O que é apneia do sono? 
Apneia é a interrupção da respiração.
É uma pausa transitória e involuntária da respiração que ocorre enquanto o indivíduo está dormindo. Normalmente, o centro respiratório nervoso continua ativo durante o sono, comandando a respiração, e a laringe permanece aberta para dar passagem ao ar respirado. Pode acontecer um mau funcionamento do centro nervoso ou a obstrução da laringe por uma deformação da via aérea, de amígdalas e adenoides grandes, do pescoço ou clavícula largos, língua grande que “cai” durante o sono, etc. Isso faz com que a passagem de ar pela garganta seja dificultada.
Em geral, estes episódios de interrupção da respiração ocorrem repetidamente durante o sono e duram cerca de 10 segundos cada um, após o que a respiração normal é retomada. Em uma noite, podem ocorrer 20 a 30 desses episódios. Em cada apneia há um despertar neurofisiológico (e não necessariamente comportamental) ou, no mínimo, a passagem de um estado mais profundo a outro mais superficial do sono, o que acarreta a sensação de “uma noite mal dormida”, com fadiga, sonolência e mau humor no dia seguinte. 

O que causa a apneia do sono? 
A apneia do sono é causada pelo turbilhonamento alterado do ar, ao ser forçado a passar por vias alteradas. 

Tipos de apneia do sono: 
•Apneia central (0.4% dos casos), em que a respiração é interrompida pela "falta de esforço respiratório". 
•Apneia obstrutiva (84% dos casos), em que a respiração é interrompida por um bloqueio físico ao fluxo aéreo. 
•Apneia mista ou complexa (15% dos casos), em que há uma combinação dos dois outros tipos. 

Fatores que contribuem para que o ronco normal evolua para apneia do sono: •Obesidade. 
•Envelhecimento. 
•Uso de medicações relaxantes ou de álcool. 
•Crescimento de tecido linfoide nas vias respiratórias.
Por se tratar, em alguns casos, de uma obstrução, pode também ser causada por deformidades dentárias ou maxilares. 

Sinais e os sintomas da apneia do sono
Quase sempre o ronco precede ou acompanha a apneia do sono. Fala-se que há apneia do sono se ocorrem cinco ou mais episódios de parada da respiração por hora, apurados por exame neurofisiológico polissonográfico, realizado em clínicas de sono, quando solicitado por um médico. Por vezes, a apneia faz a pessoa acordar, mas quase nunca o indivíduo tem consciência da sua dificuldade de respirar e a apneia do sono geralmente é reconhecida por outras pessoas que assistem o indivíduo dormindo. Os sintomas da apneia do sono podem estar presentes por anos ou décadas, sem identificação. 

Queixas mais comuns
Geralmente, o paciente se queixará de “noite mal dormida”, sonolência diurna, dificuldades de atenção e de concentração, mudanças de humor, cansaço, déficit de memória, irritabilidade, depressão, redução da libido, impotência sexual, cefaleia e de dificuldades para dirigir automóvel ou desempenhar atividades que requeiram maior coordenação motora. A pessoa que assiste o paciente dormir relata roncos de maior ou menor intensidade. 

Como o médico diagnostica a apneia do sono? 
O diagnóstico clínico da apneia do sono depende de uma detalhada história clínica, com observação dos sintomas e de informações do próprio paciente ou de pessoas que assistam o seu sono. O diagnóstico de certeza é feito através da polissonografia, com o indivíduo dormindo uma noite inteira em laboratório especializado, ligado a aparelhos que registram vários de seus parâmetros fisiológicos, como respiração, temperatura, frequência cardíaca, tônus muscular, etc. 

Tratamento 
O tratamento da apneia do sono vai desde medidas gerais, tais como: 
•Emagrecimento. 
•Abstinência de álcool ou do cigarro. 
•Tratamento de eventuais problemas nasais ou dos seios paranasais. 
•Evitar cafeína, realização de exercícios intensos, refeições abundantes e medicamentos sedativos antes de dormir. 
Até intervenções cirúrgicas que visam desobstruir as vias aéreas: 
•Cirurgias nasais. 
•Adenoidectomias. 
•Cirurgias do ronco. 
•Correção de distúrbios anatômicos, etc. 
Alguns tratamentos mecânicos, médicos e odontológicos que facilitem a respiração podem também ser utilizados, mas eles têm apenas efeitos paliativos. 

O mais conhecido deles talvez seja o CPAP (continuous positive airway pressure) um aparelho que auxilia a respiração durante o sono. Há também aparelhos intraorais, usados nos casos leves ou moderados. Mais recentemente, pesquisadores do Instituto do Coração (Incor), publicaram no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine resultados favoráveis de sua pesquisa sobre exercícios que procuram fortalecer os músculos da garganta e, com isso, melhorar a apneia do sono. Isso não significa, no entanto, curá-la. 

Como prevenir a apneia do sono? 
•Evite a ingestão de álcool e medicações sedativas antes de dormir. 
•Evite refeições fartas antes de dormir. 
•Evite dormir em decúbito ventral (de barriga para cima). 
•Procure perder peso. 
•Faça tratamento para eliminar possíveis fatores obstrutivos. 
•Levante a cabeceira da cama em cerca de 15 a 20 centímetros. 
•Evite eventuais infecções ou inflamações das vias respiratórias. Caso elas apareçam, trate-as logo no início dos primeiros sintomas. 

Fonte

03 julho 2016

Regra para novos rótulos de alimentos entram em vigor hoje



Por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entra em vigor hoje (domingo) uma norma que obriga a indústria alimentícia a declarar, nos rótulos dos produtos, a presença dos principais componentes que podem causar alergias alimentares. Apesar de ter sido publicada há um ano, a regra causou grande reação na indústria, que tentou suspendê-la até o último momento — ontem uma associação de empresas de laticínios entrou com uma ação na Justiça Federal em Brasília para suspender a medida. O recurso, porém, foi negado pelo juiz substituto Renato Coelho Borelli, da 20ª Vara Federal/DF. 

A Resolução 26/2015, como foi batizada, busca aperfeiçoar os atuais rótulos com a inserção dos ingredientes (ou traços) alergênicos. Médicos denunciam a falta de informações sobre frações de alimentos que estariam contidos no produto e o texto, quanto existe, é considerado pouco acessível ao leigo ou escrito em etiquetas ilegíveis.

As indústrias compartilham equipamentos para a produção de vários alimentos. Por isso, é comum que frações de alguns ingredientes apareçam involuntariamente em um produto diferente que passará logo depois pela mesma máquina — descreve José Carlos Perini, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. 

A norma também proporcionará mais destaque aos rótulos, que terão fundo branco ou amarelo, com letras pretas e garrafais. Hoje é comum ver estes avisos com fundo azul e inscrições brilhantes. Não dá para ler nem com lupa. 

LINGUAGEM INCOMPREENSÍVEL 
A linguagem também é alvo de críticas: Antes falava-se, por exemplo, que um produto contém albumina. Pelo menos 99% da população não deve saber que isso é o mesmo que clara de ovo. Também escrevem caseína, quando poderiam simplesmente escrever “leite” — explica Perini. 

Patricia Capella espera que, com o alerta de alergênicos, diminuam as complicações de seu filho Francisco, de 7 anos, alérgico às proteínas do leite.  Agora é para valer: alergênicos serão informados no rótulo de alimentos A atriz Carolina Kasting foi uma das famosas que aderiram à campanha “Põe no Rótulo” 

Segundo o alergista, as multinacionais são mais zelosas na elaboração dos rótulos, para que a entrada de seus produtos seja facilitada em todos os países. 

A alergia alimentar aflige cerca de 10 milhões de brasileiros, o equivalente a 5% da população. Os produtos mais evitados variam de acordo com a região. No litoral, por exemplo, a alergia mais comum é a crustáceos. No interior, a leite. E depois estão castanhas, nozes e soja. Médica da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança da USP, Ana Paula Moschione Castro acredita que a norma da Anvisa trará uma “uniformização da mensagem”. 

O estabelecimento de um padrão beneficiará principalmente as crianças — hoje, estima-se que entre 6% e 8% delas são alérgicas no país, um percentual mais alto do que o visto entre adultos. A criança não tem o sistema imunológico amadurecido. Por isso, a alergia pode acarretar problemas de desenvolvimento, como diarreia e dificuldade de absorção de nutrientes. Seu crescimento pode ser comprometido a partir dos 3 ou 4 anos de idade — alerta.

Mesmo com esses danos, trata-se de uma doença subestimada. Muitas pessoas a veem como se fosse apenas uma coceira. A advogada Fernanda Mainier enfrentou a alergia das duas filhas. A mais velha, Clara, de 13 anos, não podia ingerir leite e, hoje, já tolera o alimento. Mas a caçula, Isabela, 8, tem urticária quando se alimenta de produtos derivados de ovos. 

Não sabia identificar os produtos restritos para seu consumo porque os rótulos têm muitos termos técnicos — conta. É grave comprar um alimento sem saber a sua composição. Deixamos de consumir não por opção ou estilo de vida, mas com medo de que ele seja esconderijo de um ingrediente oculto. 


Em fevereiro de 2014, Fernanda se uniu a outras mães de filhos alérgicos que tinham a mesma dificuldade. Surgiu ali o movimento Põe no Rótulo, um dos protagonistas na aprovação dos novos rótulos, discutida em conjunto com a Anvisa, entidades médicas, associações da indústria e de direitos do consumidor. 

 O debate, no entanto, teve diversos obstáculos. Empresas reivindicaram o adiamento dos prazos para a inclusão dos ingredientes nos rótulos, alegando falta de tempo para adequar sua cadeia de produção e dificuldade para identificar os componentes com seus fornecedores. A investida mais recente ocorreu na noite de ontem, quando uma associação da indústria de alimentos tentou barrar a norma na Justiça Federal em Brasília, alegando que a resolução não se aplicaria a produtos importados. Há informações ainda não confirmadas de que mais de dez ações idênticas foram propostas em diversos estados do país. — A decisão judicial merece aplausos: houve reconhecimento da amplitude do debate que resultou na aprovação da resolução e valida a urgência em se proteger a saúde do consumidor alérgico — elogia a advogada Cecilia Cury, uma das fundadoras do Põe no Rótulo.

CONVIVÊNCIA COM AVISOS ANTIGOS 

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), uma das principais do setor, diz que não teve envolvimento com a ação judicial em Brasília, e destaca que reconhece como “legítimas as demandas do consumidor por informações claras nos rótulos sobre a presença de alergênicos na composição dos produtos”. 

A associação ressalta que, “considerando o prazo de validade e data de fabricação de um determinado alimento, é importante que o consumidor tenha ciência de que haverá uma convivência no mercado de rótulos antigos com os novos”, já que apenas os produtos fabricados a partir de amanhã têm a obrigação de contar com novos avisos em sua embalagem. 

 Ao rever ações anteriores, a Anvisa avaliou que “os argumentos apresentados pela prorrogação do prazo levam a crer que a própria indústria pode desconhecer os componentes dos ingredientes dos seus produtos, o que torna a discussão ainda mais urgente e importante”. Vencida a batalha dos rótulos, José Carlos Perini já pensa em novos embates. Sua próxima reivindicação é que as informações sobre o conteúdo dos produtos alergênicos 

Fonte: O Globo

01 julho 2016

Asma



Quais são os principais sintomas? 
 Os principais sintomas da asma são a falta de ar, chiado no peito, aperto no peito, tosse seca ou repetida. Muitas vezes, pode ser confundida com gripes mal curadas ou bronquites simples. 

O que causa a asma? 
 A doença não tem uma causa única. Mas pode ter origem alérgica (ácaro, perfume, mofo, poluição pode agravar os sintomas) e familiar (se algum parente for diagnosticado com asma, as chances de alguém da família ter a doença é maior). "Há casos de asmáticos que nasceram com a doença, mas só descobrem na vida adulta", afirma o pneumologista Rafael Stelmach. 

Asma tem cura? 
 Assim como diabetes, a asma não tem cura. O mais comum é o paciente ter a doença e não saber. Por isso, é importante fazer o diagnóstico quanto antes para realizar o tratamento adequado. Três pessoas morrem por asma no Brasil todos os dias. 

 Quais são os tratamentos? 
 A asma é tratada de acordo com sua gravidade (leve, moderada e grave). Os casos mais graves são pessoas que sentem os sintomas da doença de forma persistente, ao menos uma vez por semana. Nesses casos, recomenda-se o uso de antiinflamatórios (classe dos corticóides), que geralmente também são administrados em forma de bombinha. Já os pacientes com crises esporádicas só necessitam controlar os sintomas com os broncodilatadores, que são contra-indicados apenas para pessoas com doença cardíaca. Sempre consulte seu médico, pois o tratamento necessita de acompanhamento. 

 O asmático pode ter vida normal? 
 Se o paciente fizer o tratamento adequado, ele pode ter uma qualidade de vida praticamente normal, chegando inclusive a ser um atleta olímpico, como os nadadores Gustavo Borges e Fernando Scherer. 
  
Grávidas podem tomar remédios? 
 A asma não poupa nenhuma das idades e nem os ciclos da vida. Em 70% dos casos, as grávidas que já eram asmáticas, continuam com os sintomas da doença durante a gestação. "Caso a asma não esteja bem controlada, os bebês podem nascer com baixo peso ou prematuras", afirma o pediatra Paulo Carmargos. As grávidas podem continuar usando os medicamentos, que praticamente não apresentam riscos para o feto. 

Qual a relação da asma e rinite? 
 Geralmente, a rinite (inflamação na mucosa do nariz) e a asma estão associadas. Cerca de 80% dos asmáticos tem rinite (causa, espirros, coceira no nariz, obstrução nasal e secreção). As duas doenças são inflamatórias e tem causas parecidas. "Quem não tratar a rinite pode agravar a asma", afirma o alergista Fábio Morato Castro, do Hospital das Clínicas. 

 Asma piora no inverno? 
Tempo seco, aumento da umidade, poluição podem irritar os brônquios de portadores de asma. No Brasil, mesmo no Norte e Nordeste, o período de outono e inverno, de abril a setembro, mostra um aumento das internações e mortes por asma. "É recomendável fazer uma visita ao médico para ajustar o tratamento para esta época do ano", afirma a pediatra Zuleid Dantas Mattar.


 Fonte: GINA no Brasil
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