13 agosto 2017

Dermografismo


´Dermografismo´ é um tipo de urticária que afeta cerca de 5% da população e possui particularidades especiais. É uma doença benigna, porém incômoda e de longa duração, podendo levar o paciente a pensar que seja uma doença grave.

A palavra dermografismo significa dermo (pele) e grafismo (escrita), ou seja, é possível, com um objeto de ponta romba, grafar letras ou sinais na pele do paciente.

Trata-se de uma urticária física, ou seja, a lesão não surge espontaneamente, mas sim após um estímulo físico sobre a pele, como, por exemplo, ao carregar uma bolsa pesada ou na área de um elástico de uma roupa pressionando a pele. Em geral se inicia por uma coceira intensa. Após o ato de coçar surgem placas ou "lanhos" (cortes, golpes, ranhuras, talhos) vermelhos na pele. Também é conhecida como "urticária factícia".

É comum que as lesões piorem após o banho, levando a pensar que seja uma alergia ao sabonete, mas na realidade a piora ocorre em virtude do atrito causado na pele durante o banho.

O diagnóstico do dermografismo é clínico, ou seja, se baseia no exame feito pelo médico. A confirmação pode ser obtida por meio do teste de provocação, que consiste na utilização de um aparelho para induzir pressão (Dermografômetro) ou através de um objeto de ponta romba provocando uma pressão (arranhão) na pele.


Não se conhece a causa exata do dermografismo, podendo estar relacionado com fatores variados (medicamentos, doenças, infestações, etc.). Contudo, o fator emocional, a ansiedade e o estresse são preponderantes em grande parte dos casos.

Por outro lado, a cronicidade da doença pode ser causa de sofrimento ao paciente e à sua família, afetando a qualidade de vida e interferindo no convívio social, trabalho e estudo.

O tratamento do dermografismo é feito com anti-histamínicos (antialérgicos) não sedantes, em doses habituais, e se não houver melhora, com doses aumentadas, a critério médico. Em alguns casos, a medicação deve ser mantida em longo prazo. Outros medicamentos podem ser usados em casos específicos.


Além disso, cuidados adicionais são essenciais:
  • Diminua o atrito em sua pele: evite roupas justas ao corpo. Prefira tecidos de algodão e evite os tecidos sintéticos como a lycra.
  • Evite banhos demorados e quentes. O calor tende a piorar a coceira e a ressecar a sua pele. Não use buchas ou esponjas e prefira sabonetes suaves, para pele seca. Enxugue-se com toalha felpuda e macia, sem esfregá-la com força em seu corpo.
  • Aplique hidratante em todo o corpo, logo após o banho, ainda com a pele umedecida.
  • Alimente-se saudavelmente, procurando ingerir bastante água e outros líquidos no decorrer do dia.
  • Combata o estresse: organize seus compromissos a fim de que sobre tempo para o lazer. Caminhe, relaxe e procure manter a calma nos momentos de tensão. Algumas vezes é necessário procurar o apoio de um especialista, psicólogo.
Visite o site da ASBAI 
O artigo é de autoria da Dra. Solange Valle, do Departamento de Alergia Dermatológica da ASBAI, e da Dra. Fátima Emerson, da Comissão de Assuntos Comunitários - ASBAI.

06 agosto 2017

Alergia alimentar: 7 Mitos e verdades





1. Você pode ser alérgico a qualquer alimento
VERDADE. Mas, alguns alimentos causam alergia de forma mais comum, como: leite, ovos, peixes, crustáceos, amendoim, soja, trigo e frutas secas. 



2. É frescura dizer que é alérgico a uma comida
FALSO.  A alergia alimentar pode causar reações graves e até morte.



3. A intolerância alimentar é diferente da alergia. É menos grave.
VERDADE. A intolerância alimentar é menos grave, mas pode causar desconforto.



4. Se eu comer só um pouco, não vai acontecer nada.
FALSO. Qualquer quantidade importa. E tirar o alergênico de uma refeição já preparada, não adianta. É preciso muito cuidado com contaminações e ingestão inesperada. 
Uma pessoa alérgica pode ter sintomas mesmo com pequenas quantidades do alimento ao qual é sensível, como por exemplo, com talher ou vasilhames contaminados.



5. É possível impedir a alergia após cozimento do alimento.
FALSO: Não importa o tempo de cozimento ou usar fogo alto para impedir que uma alergia ocorra.



6. Alergia a alimentos são raras
FALSO: No Brasil, a alergia alimentar atinge cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos. Calcula-se que a alergia alimentar afete entre 220 a 520 milhões de pessoas no mundo. 



7. É possível ficar livre da alergia alimentar?
VERDADEIRO... e FALSO.
A maioria das crianças deixa de ter alergia a leite e ovos em torno de 5 anos de idade.
Porém, outras alergias alimentares, como a amendoim, frutos do mar, peixes e nozes tendem a ser permanentes.



Fontes:  BBC Brasil - Organização Mundial de Alergia e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia




30 julho 2017

Alergia ao frio


A urticária ao frio é conhecida popularmente como "alergia ao frio". Trata-se de um subtipo de urticária induzida, ou seja, aparece após um estímulo conhecido que, neste caso, é o contato da pele com o frio, como, por exemplo, água e objetos gelados. Em algumas pessoas, apenas a exposição ao ar frio já é suficiente para provocar sintomas.
A urticária ao frio é mais comum do que imaginamos e representa mais de um terço de todos os casos de urticária induzida. Pode ocorrer em qualquer idade, porém, é mais frequente em adultos jovens.
Geralmente os sintomas surgem minutos após a exposição ao frio e as lesões ficam restritas às áreas em que houve a exposição.
No entanto, em alguns casos pode ser grave, quando uma grande superfície da pele entra em contato com o frio (se o paciente entrar em uma piscina de água gelada). Neste caso, pode ocorrer uma reação generalizada, levar à queda súbita de pressão e até mesmo à perda de consciência, o que chamamos de anafilaxia.
Há relatos de casos de morte por anafilaxia nos pacientes com urticária ao frio após entrar na piscina, cachoeira ou mar de água gelada.
Esse tipo de urticária pode interferir nas atividades de trabalho, como, por exemplo, funcionários de frigoríficos ou que manipulem produtos congelados em supermercados.
A urticária ao frio pode ser genética, ocorrendo na infância e associada à febre, sendo os episódios muitas vezes relacionados com a exposição ao frio úmido e durando poucas horas. Mas pode também ser adquirida, isto é, surgir no decorrer da vida. Neste caso, secundária ao uso de medicamentos, infecções, ou mais comumente idiopática, ou seja, a causa não é detectável pelo médico.
O diagnóstico é feito por meio da história clínica. Havendo indicação, é realizado o teste do cubo de gelo, que é feito aplicando-se um cubo de gelo (protegido por um saco plástico) na parte interna do antebraço por aproximadamente cinco minutos. Quando o teste é positivo, observa- se após dez minutos, vermelhidão e inchaço no local de contato com o gelo, além de sensação de coceira ou de queimação no local. Mas, vale ressaltar que em alguns tipos de urticária ao frio, o teste do gelo pode ser negativo.
O tratamento consiste em evitar o fator desencadeante que é o contato com o frio e no uso de medicamentos que são os anti-histamínicos (antialérgicos).
DICAS
- Se sua pele fica "empolada" ou coçando quando em contato com o frio, procure atendimento médico.
- Tome banho morno.
- Quando viajar para locais muito frios, procure manter-se agasalhado.
Evite:
- Ambientes muito frios
- Esportes aquáticos em água fria.
- Banhos de mar, rio, cachoeira ou piscina em água fria.

O artigo é de autoria da Dra. Solange Valle, do Departamento de Alergia Dermatológica da ASBAI, e da Dra. Fátima Emerson, da Comissão de Assuntos Comunitários - ASBAI.