20 julho 2014

Testes alérgicos X Exames no sangue para detectar alergia


O exame de sangue para detectar alergia é tão eficaz quanto o exame feito na pele? 
 A indicação para realizar a investigação diagnóstica de alergia através do teste cutâneo ou do exame de sangue depende de vários fatores, entre os quais: a idade do paciente, o tipo de manifestação alérgica, a gravidade da doença, o agente causador, gravidade da doença, interferência de medicação concomitante, presença de doenças acometendo áreas extensas da pele e disponibilidade regional. Ambos têm boa acurácia diagnóstica quando bem diagnosticadas. 

Meu filho fez um teste alérgico na pele e o resultado foi o seguinte: positivo para Dermatophagoides farinae e pteronyssinus, Blomia tropicalis ,enfim é muito alérgico. Ao que ele tem alergia exatamente? 
Seu filho tem sensibilização a ácaros da poeira domiciliar que são os principais vilões das alergias respiratórias como a rinite e a asma. Estes seres microscópicos se alimentam de descamações de nossa pele (Dermato= pele; Phagoydes=”comedor”) e por esta razão habitam principalmente o colchão e travesseiro de seres humanos. Estes resultados são de extrema importância no auxílio de medidas de controle ambiental (contra ácaros neste caso) e para a indicação de tratamento com imunoterapia específica (vacinas para Alergia). 

Meu sobrinho tem alergia respiratória e o médico dele pediu uns exames de sangue e um deles se trata da dosagem de Imunoglobina E . O resultado deste exame foi 151UI /ml mas para a idade dele, 4 anos, o normal seria de 60 UI/ ml. Agora eu pergunto, o que poderá acontecer com esta criança? 
Níveis elevados de IgE são caracteristicamente observados em pacientes com doenças alérgicas como a asma, rinite alérgica, eczema atópico ou em pessoas com uma predisposição genética (familiar) para alergia mesmo sem doença evidente. Os resultados devem ser interpretados em conjunto com a presença de história pessoal e/ou familiar de alergia em conjunto alterações detectadas no exame físico do paciente. Assim, de posse destes dados é possível avaliar adequadamente o significado clínico deste valor de IgE. Contudo, de um modo geral valores deste nível são frequentes em crianças alérgicas. 

É verdade que existe um teste feito no sangue para verificar a qual medicamento sou alérgica? 
A investigação diagnóstica de alergia a medicamentos através de exames de sangue é limitada. Os métodos laboratoriais disponíveis só permitem a investigação de alergia a um pequeno número de medicamentos, destacando-se os seguintes: penicilina e alguns de seus derivados, insulina e suxametônio (relaxante muscular utilizado em anestesia geral). 

Tenho uma filha de 1 ano e 8 meses e gostaria de saber de ela já pode fazer o teste de alergia? 
Não existe idade limite para a realização de testes alérgicos na pele. O fundamental é saber qual é a indicação para realização dos testes e interpretá-los de modo adequado. O médico especialista em alergia e imunologia clínica é o profissional mais capacitado para realizar este procedimento. 

O que é ImmunoCAP?
É um método para dosar a IgE específica contra alérgenos no sangue. que utiliza um método quantitativo enzimático não radioativo. Este exame, além de diagnosticar a presença de uma determinada sensibilização permite determinar o grau de sensibilização ao alérgeno testado. É mais sensível e específico quando comparado aos métodos mais antigos.

Leia aqui o texto que publicamos anteriormente sobre os Testes Alérgicos
Fonte: Alergia doença do século XXI - livro editado pela ASBAI RJ

16 julho 2014

Cuidado! Ipad pode causar alergia

A revista científica Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria publicou um texto intitulado “iPad—Increasing Nickel Exposure in Children” relatando um caso de alergia a níquel em uma criança de 11 anos sendo constatado pelos médicos que um Ipad agravou a dermatite. 

Segundo o relato, a criança apresentou erupções cutâneas relacionadas ao contato com o níquel presente na parte metálica do iPad que usava com frequência. Os testes comprovaram que a criança era alérgica ao níquel, um metal que não é bem tolerado por muitas pessoas. Os médicos buscaram identificar os itens em torno da criança e constataram a presença de níquel no iPad. A opção foi colocar uma capa bloqueando o contato direto do níquel com a pele, o que resultou em uma melhora considerável das erupções cutâneas. 

O número de crianças americanas com alergia a níquel está aumentando. Entre aquelas que fazem testes para diagnosticar alergias (que são uma parte pequena da população), o percentual de casos em que esse metal é apontado como causa pulou de 17% para 25% nos últimos 10 anos. O motivo pode ser o diagnóstico mais preciso do problema, bem como um aumento de casos em função do crescimento do uso de dispositivos eletrônicos contendo níquel em sua composição. 

Os autores ressaltam que o níquel é usado comumente em aparelhos eletrônicos como celulares e tablets. Os pais devem ter uma atenção especial com seu uso, em especial nas crianças. Uma opção apontada pelos especialistas é o uso de capas de proteção para evitar o contato direto com a pele. 

O Blog da Alergia publicou em 2008 um texto sobre alergia a celulares. 
Clique no link e leia: Celular pode causar alergia



Fonte: Pediatrics

06 julho 2014

Dois terços das mortes por asma são evitáveis

Duas em cada três mortes por asma poderiam ser evitadas através de uma melhor gestão da doença, incluindo planos individuais de tratamento, revisões oportunas dos cuidados necessários e prescrição de medicamentos mais apropriados, de acordo com o primeiro inquérito sobre asma realizado pelo Royal College of Physicians. 

O inquérito avaliou as circunstâncias em que ocorreram as 195 mortes por asma no Reino Unido em 2012 e identificou falhas no atendimento em 70% dos óbitos. As diretrizes de tratamento da asma não estavam sendo cumpridas e em 47% das mortes foram identificados fatores evitáveis. 
Um aspecto abordado foi o desconhecimento da doença e a falta de reconhecimento da gravidade, ocasionando demora na procura de atendimento médico. A maioria dos pacientes não sabia o que fazer, não reconhecia sinais de gravidade e não sabia como ou quando pedir ajuda. 

O relatório do inquérito mostrou que muitos dos pacientes que morreram foram subtratados. É provável que muitos pacientes tratados como tendo asma leve ou moderada tinham na verdade uma asma mal controlada. 

Dos pacientes que morreram, muitos utilizavam apenas inaladores de alívio de ação curta e não usavam medicamentos para controle da asma. Inaladores de corticosteroides para ajudar a prevenir crises de asma haviam sido prescritos, mas a maioria não fazia revisão do tratamento da asma durante o ano anterior à morte.

As crises de asma haviam levado 21% dos que morreram a procurar um serviço de emergência nos 12 meses anteriores e mais da metade desses pacientes tinham feito isso mais de uma vez.  O relatório sugere que cada hospital deve nomear um médico especialista em cuidados com a asma para ser o responsável pelo treinamento e pela melhoria da comunicação entre os serviços primários e secundários de saúde. 

O texto reiterou a necessidade de atenção às recomendações das diretrizes de tratamento:

- tratamento apenas nas crises, excesso de prescrição para alívio, bem como prescrição insuficiente de medicamentos preventivos, são fatores que devem ser corrigidos.

- o atendimento de asmáticos deve ser feito por médicos com formação adequada e experiência no tratamento da asma e deve contar com a participação dos pacientes ou de seus responsáveis.

- a educação do paciente é fundamental para combater mitos, preconceitos e ganhar na aderância ao tratamento.

- pessoas que vão a departamentos de emergência ou são admitidas em hospital para tratar crises de asma devem ser reexaminadas e encaminhadas ao especialista.

- todos os pacientes devem ter um plano de ação individualizado, detalhando seus próprios sinais e sintomas de alerta e quando e como procurar ajuda médica se a sua asma piorar. Este plano deve ser atualizado após revisões periódicas de asma, e ser conduzido por um médico com formação especializada em asma, ao invés de um generalista. 

- pacientes que precisam usar a sua medicação de alívio com mais frequência do que o habitual e não obtêm alívio dos sintomas mostram que sua asma não está sob controle. Aqueles que precisavam usar medicação de alívio mais do que duas ou três vezes por semana necessitam de uma adequação em sua medicação preventiva. 

Os autores concluem: É hora de acabar com a complacência com a asma, pois ela pode matar e mata. Podemos e devemos fazer melhor.

BMJ, de 6 de maio de 2014 NEWS.MED.BR, 2014. Dois terços das mortes por asma são evitáveis, publicado em artigo do BMJ. (Fonte)  
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