28 junho 2015

Fumar saiu de moda


Há 50 anos, fumar era considerado uma espécie de rito de passagem para a vida adulta. A indústria do fumo criou esse mito por meio de investimentos milionários numa publicidade criminosa, onipresente no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas e nos outdoors espalhados por todas as cidades. 

Dirigidos às crianças e aos adolescentes, os comerciais apresentavam homens bonitos cercados de mulheres maravilhosas, machões que cavalgavam pelas montanhas, surfistas em ondas gigantescas e pilotos de corrida, que no final acendiam um cigarro da marca do fabricante. 

Nos anos 1960, a indústria percebeu que poderia duplicar as dimensões do mercado consumidor caso as mulheres também se tornassem dependentes de nicotina. Lançaram, então, os cigarros de "baixos teores", mais perniciosos até, porém mais palatáveis ao gosto feminino. Vieram apoiados por um bombardeio publicitário que associava o fumo ao charme e à liberdade que as meninas começavam a adquirir, graças ao acesso à universidade, à pílula anticoncepcional e à possibilidade de viver numa sociedade menos machista. 

Nos anos 1990, comecei a tratar casos de câncer em amigos da adolescência. Quase todos eram homens, e fumavam havia 20 ou 30 anos. Na virada do século, chegou a vez das mulheres. Perdi a conta de quantas amigas e amigos morreram de câncer, ataques cardíacos, derrames cerebrais, doenças pulmonares –e dos que ainda estão vivos, mas limitados por enfermidades respiratórias que lhes tiram o fôlego e a liberdade para andar até a esquina. 

Caso pertença ao sexo masculino, o fumante vive doze anos menos. Dez anos menos, se for mulher. Se jogar fora dez dias de vida é desperdício inaceitável, o que dizer de partir desta para o nada uma década mais cedo do que deveria? 

Mais brasileiros morrem por causa do fumo do que pela somatória das doenças infecciosas. São 200 mil óbitos por ano. O último levantamento do Ministério da Saúde, no entanto, traz esperança de que essa realidade mudará: nos últimos dez anos, um em cada três brasileiros deixou de fumar. Cerca de 25% dos homens e 17% das mulheres se declaram ex-fumantes, indicação de que elas têm mais dificuldade de parar, como vários estudos epidemiológicos demonstram. 

A consciência de que adultos e crianças expostos à fumaça do cigarro alheio também são fumantes está mais clara. De 2008 a 2013, o número de não fumantes expostos ao fumo passivo em suas residências caiu 61%. De acordo com o ministério, o aumento dos impostos cobrados sobre cada maço colaborou para a queda do número de fumantes, fenômeno comprovado em todos os países. 

Segundo pesquisa do Inca (Instituto Nacional do Câncer), 62% dos fumantes pensaram em largar o cigarro por causa dos preços no Brasil. Em contrapartida, o consumo de cigarros contrabandeados cresceu. Cerca de um quarto dos fumantes compra seus maços abaixo do preço mínimo legal. O nível de escolaridade da população tem impacto discutível na disseminação da epidemia: nas capitais do Norte e do Nordeste, a prevalência é mais baixa do que nas do Sul e do Sudeste. Em São Luís, há 5,5% de fumantes, contra 14,1% em São Paulo e 16,4% em Porto Alegre. 

O dado mais importante da pesquisa é o da queda expressiva e continuada do número de fumantes. Nos anos 1960, pelo menos 60% dos maiores de 15 anos fumavam; hoje, são 10,8%. Apesar dos bilhões de dólares investidos pelos Estados Unidos em campanhas contra o cigarro, cerca de 18% dos americanos ainda fumam. 

No Brasil de hoje, fumamos menos do que em todos os países da Europa. Alemanha, Inglaterra, Áustria, Noruega, Dinamarca, Itália e outros países com níveis de escolaridade, renda per capita e organização social bem superiores aos nossos, fumam mais do que nós. Como explicar? Aumento da taxação, proibição da publicidade, as figuras horríveis impressas nos maços, o combate ao fumo passivo em ambientes públicos, combinados aos programas educativos nas escolas e às advertências médicas, foram medidas implantadas nos países desenvolvidos muito antes e de forma muito mais abrangente do que no Brasil. Talvez o que nos diferencie seja o impacto das campanhas contra o cigarro levadas, pela televisão, aos quatro cantos do país.

Autor: Drauzio Varela
Fonte: Folha de São Paulo

23 junho 2015

Livro de receitas para crianças alérgicas a alimentos - Instituto Girassol



O que pode causar a alergia?
Vários são os fatores, sendo os mais comuns os relacionados a mudanças de hábitos alimentares e a predisposição genética. Ainda não existe tratamento que garanta a cura.

A alergia é uma resposta atípica do organismo a uma proteína considerada “estranha”. O sistema imunológico reconhece determinada proteína do alimento como um “inimigo”, produzindo anticorpos responsáveis pelos sintomas.

A maioria das reações aparece quando as crianças alérgicas ingerem leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Na escola ou em casa, é preciso que essa criança possa contar com alimentos que não criem desconfortos e, ao mesmo tempo, garantam os nutrientes necessários, sendo, também, saborosos e atraentes.

Mas como fazer isso?
Uma dica é recorrer ao livro de receitas organizado pelos especialistas do Instituto Girassol, e que pode ser baixado gratuitamente.

A publicação contém diversas opções para substituir alimentos que causam a alergia. Dentre as deliciosas receitas doces estão: biscoito de limão (sem leite e soja), bolo de banana, de cenoura, de chocolate, de laranja (todos sem leite e soja e alguns também sem ovo) e brigadeiro (sem leite, ovo e trigo).

Na parte dos salgados, há várias opções, como: estrogonofe (sem leite e ovo), maionese de soja (sem leite, ovo e trigo), nhoque tradicional (sem leite, soja e trigo), pãezinhos de polvilho (sem leite, soja e trigo), panqueca de carne (sem ovo e soja), panqueca de frango (sem leite, ovo, soja e trigo) e pão caseiro (sem leite, ovo e soja).

Para fazer o download do livro, clique aqui.
Fonte: EBC

21 junho 2015

Dia Nacional de combate à asma - 21 de Junho


Hoje é comemorado o Dia Nacional de Combate à Asma e a ASBAI chama atenção para o número crescente dos casos da doença, que hoje atinge cerca de 10% dos adultos e 20% das crianças e adolescentes brasileiros.

Asma é uma doença que se caracteriza por crises de falta de ar, chiado e sensação de aperto no peito, geralmente acompanhadas de tosse. Bronquite alérgica e bronquite asmática são nomes diferentes utilizados para denominar a doença.

A asma pode manifestar-se de formas diferentes, variando desde sintomas leves e quase imperceptíveis, até crises graves e ameaçadoras.  O objetivo do manejo da asma é a obtenção do controle da doença, em qualquer grau de gravidade. E, quando se fala em controle, refere-se à extensão com a qual as manifestações da asma estão suprimidas, seja espontaneamente ou pelo tratamento. Engloba o controle das crises e das limitações causadas pela doença, bem como a redução dos riscos no futuro.  

A asma é uma doença multifatorial, ou seja, pode envolver muitos fatores envolvidos. Os fatores desencantes de crises são diversos. As causas mais comuns são:
1) alergia: o alérgeno mais importante é o ácaro da poeira de casa. Citam-se ainda: fungos (mofos), pelos de animais, baratas, pólens, entre outros,
2) fatores irritantes: odores fortes,mudanças de tempo, fumaças, poluição etc,
3) infecções causadas por vírus ou por bactérias,
4) alguns tipos de medicamentos,
5) fatores emocionais,
6) exercícios físicos,
 7) refluxo gastroesofágico,
8) fatores relacionados com o trabalho.
Na verdade, estes são apenas os principais desencadeantes de crises de asma e podem variar em cada pessoa. Conhecê- los e buscar controlá-los é importante para prevenção das crises, ao lado do tratamento com medicamentos e imunoterapia (vacina para alergia), quando indicado.

O tratamento da asma requer um acompanhamento regular com um médico especialista, monitoramento do uso correto do medicamento e avaliação a cada consulta do nível de controle da doença. É importante ressaltar que o tratamento deve ser mantido mesmo quando a pessoa está bem, sem sintomas. 

“Bombinha” é o nome popular para aerossóis utilizados no tratamento da asma. Este tipo de medicamento é seguro, tem atuação rápida e eficaz, podendo ser usada em qualquer idade.

Mas, nem toda "bombinha" é igual.
Existem “bombinhas de alívio”, contendo broncodilatadores que servem especificamente para alívio das crises. As “bombinhas preventivas”,  são para uso diário e prolongado, que atuam na inflamação dos brônquios e, assim, evitam que novas crises ocorram. 

Estes remédios não fazem mal ao coração, não engordam e não viciam.

Alguns fatores podem interferir no tratamento da asma. Em primeiro lugar, é importante verificar se a técnica da inalação do medicamento preventivo está correta. Sugiro que leve no dia da consulta e mostre para seu alergista como está utilizando o medicamento. 

A técnica incorreta pode interferir com a eficácia do tratamento, pois o medicamento precisa atingir os brônquios a fim de controlar a inflamação que acompanha a doença. 

A educação do paciente e seus familiares é essencial para que o tratamento seja mantido de forma adequada, atingindo o objetivo, proporcionando o controle da doença. 


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...