29 Janeiro 2012

Amigdalites e faringites de repetição




Amigdalites e faringites de repetição se manifestam como surtos de dor de garganta em geral acompanhados de febre alta. Em alguns casos, tosse e sintomas nasais podem estar presentes. Não é incomum que rinites e sinusites alérgicas sejam as causas determinantes das faringites


É recomendado realizar testes de inalantes, pois a participação desses é relativamente comum. A avaliação das defesas do organismo deve ser questionada, pois as faringites de repetição podem ocorrer devido a uma possível imunodeficiência. 


Em resumo, recomenda-se investigar:
- Rinite alérgica,
- Respiração bucal,
- Gotejamento pós nasal e sinusites,
- Pesquisar imunodeficiências.


Adenóides são amígdalas encontradas nas crianças, localizadas na parte superior da garganta, por trás das narinas, por onde passa o ar respirado proveniente do nariz.
Portanto, não são visíveis pela boca sem instrumentos especiais. De forma errada são popularmente conhecidas como "carnes no nariz".


As adenóides quando estão aumentadas de tamanho causam problemas, como por exemplo obstrução nasal persistente. Com o nariz repetidamente obstruído, a criança passa a dormir com a boca aberta roncando a noite,  agrava seu quadro, podendo acarretar problemas no ouvido (otite serosa e infecções no ouvido) e infecções repetidas, incluindo amigdalites e faringites.


O tratamento das amigdalites e faringites de repetição inclui: 
1) Tratamento das crises, com antinflamatórios ou antibióticos, a critério médico.
2) Avaliação e controle da alergia nasal, quando presente.
2)  Equacionamento de outros fatores influenciadores e do estado imunológico.
3) Medidas de controle ambiental no domicílio do paciente.
4) Imunoterapia específica com aeroalérgenos (vacina para alergia) está indicada nos casos comprovados de alergia associada.  À critério do alergista, é eficiente uma imunoterapia para estímulo da imunidade com objetivo de aumentar as defesas do organismo.

21 Janeiro 2012

Idosos – quem rotula, anula

O rótulo de “idoso” alberga uma significativa população com mais de 60 anos, sem levar em conta que cada indivíduo é único, em sua história de vida. Em realidade, o indivíduo com mais de 60 anos tem o reconhecimento da sociedade e dos poderes públicos, desfrutando uma série de benefícios, tais como passe livre em ônibus e metrô urbano, meia entrada em cinemas e teatros, preferência em filas, entre outras, sem dúvida, muito justas. Mas, do ponto de vista médico, a rotulagem do idoso pode ser prejudicial e estigmatizar o atendimento com um atendimento estereotipado, relegando a segundo plano a individualidade do paciente, com resultados aquém das expectativas do paciente e do médico.

Grande parte de artigos científicos publicados nas mais renomadas revistas científicas em várias partes do mundo “descobriram” os idosos, o que foi uma formidável fonte de referência teórica para aprimoramento no atendimento aos pacientes mais velhos. Contudo, ao mesmo tempo, pode ser uma fonte de massificação na condução terapêutica destas pessoas.

Na especialidade de Alergia, um exemplo dessa realidade clínica é o surgimento de vários consensos organizados para tratamento de idosos com asma. Se manipulados por especialistas, podem ser de grande utilidade, mas se adotados por profissionais lotados em ambulatórios, sem conhecimento da realidade patológica dos asmáticos idosos, que além da asma, sofrem de outros problemas – cardiológicos, metabólicos, endócrinos, etc. que interagem com a medicação das crises asmáticas.

Quando se consideram outras faixas etárias do ser humano, cada período tem seu esquema de tratamento da asma específico e peculiar como a asma do bebê e lactente, a asma na criança, no adolescente, no adulto, na gestante. Mas, quando se consideram os pacientes com mais de 60 anos, são denominados idosos, sem considerar as diferenças fisiológicas dos vários segmentos etários. De fato, não se pode comparar um idoso aos 60 anos com um de 70 e muito menos aos 80 ou 90. Esta simplificação termina por gerar falhas terapêuticas no tratamento sintomático ou para controle da asma ou de outras doenças alérgicas.

Estas considerações apontam para a necessidade de um olhar personalizado para os idosos e para as características específicas em cada faixa etária, com ganho no controle das doenças alérgicas bem como numa vida mais saudável e proveitosa na velhice.

Dr João Bosco de Magalhães Rios
Diretor da Clínica de Alergia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro

15 Janeiro 2012

Coceira ou prurido

Coceira é o nome popular para definir o que os médicos chamam de prurido
Mas, atenção: nem toda coceira é causada por alergia. Pelo contrário, inúmeras dermatoses são precedidas ou acompanhadas de coceira no corpo. 


O prurido pode ser simples, ou seja, a sensação de coceira não se acompanha de lesões visíveis na pele. Mas também pode se complicar com manifestações secundárias consequentes da repetição do ato de coçar, ocasionando vermelhidão na pele e escoriações. Podem surgir também manchas escuras residuais e a pele se torna espessada, irritada e grossa. Em alguns casos, pode ocorrer infecção secundária destas escoriações, surgindo dor, edema (inchação), secreção e pus. 


O prurido simples alérgico pode se manifestar de forma  generalizada, sem lesão cutânea, podendo ser originado por medicamentos e, esporadicamente, por alimentos, contactantes ou por agentes físicos como frio, calor, suor etc. 


Antes de qualquer coisa, o médico investigará as causas não alérgicas de prurido generalizado. Entre estas destacam-se: 
- Diabetes 
- Doença renal 
- Infecções por bactérias 
- Doenças do fígado
- Intoxicações (álcool, cocaína) 
- Pele envelhecida (prurido senil) 
- Gravidez e outros fatores hormonais 
- Doenças da tireóide
- Arteriosclerose senil 
- Fatores Psicológicos, stress  
- Tumores


Em alguns casos, a coceira pode ser localizada em regiões específicas do corpo. Nestes casos a pesquisa de uma causa deve ser realizada. Por exemplo, um prurido na região anal pode ser desencadeado por alergia de contato ao papel higiênico ou até por uma causa não alérgica como um parasita intestinal (oxiúros). 


A escabiose ou sarna é uma causa frequente de coceira e pode se iniciar sem lesões aparentes, se confundindo com uma alergia. E, sarna não é sinônimo de sujeira! Qualquer pessoa pode pegar sarna pois basta ter contato com uma pessoa com o problema, pois é muito contagiosa. 


Dicas para diminuir a coceira:


O ato de coçar irrita e danifica a pele, causando um circulo vicioso que deve ser evitado. - Mantenha as unhas bem aparadas e curtas, sem pontas. 
- Tome o anti-histamínico (antialérgico) recomendado pelo seu médico.
- Banhos coloidais (água com maisena ou aveia cozida) podem acalmar a pele.
- Se a pele está ressecada ou irritada, tome cuidados como: diminuir o número de banhos, usar  sabonetes suaves e aplicar hidratante diariamente logo após o banho.
- Evite uso de buchas ou esfoliantes. Não esfregue sua pele durante o banho  ou ao se enxugar.
- Use roupas de tecido de algodão. Evite tecidos sintéticos, lycra, jeans, etc. 
Não é fácil, mas recomenda-se buscar o autocontrole. Se não consegue evitar coçar, procure fazê-lo de forma suave, tente se distrair, ocupar-se e pensar em algo agradável.
O tratamento pode ser demorado, exigindo persistência e disciplina. O mais importante é detectar a causa do prurido.

Lembre-se: a pele é um órgão integrado ao corpo. O sintoma cutâneo, como por exemplo, uma coceira crônica (de duração arrastada) pode ser um indicador da condição de saúde do nosso organismo.

Fonte: Alergia para leigos, Rios JB, Carvalho LP
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