23 maio 2015

Globo repórter - Alergia - perguntas e respostas (primeira parte)




Dra. Fátima Emerson, coordenadora da Comissão de Assuntos comunitários da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e imunologia) e Dr. José Luiz de Magalhães Rios, coordenador da Clínica de Alergia – Policlínica Geral do Rio de Janeiro, respondem perguntas de internautas sobre Alergia.

1) Marcia Ferreira: Faço uso de antialérgicos diariamente. Quais os riscos que esse uso constante pode trazer para minha saúde
Márcia, os antialérgicos ou anti-histamínicos são medicamentos usados no tratamento de doenças alérgicas e pertencem a duas classes: 1) Antialérgicos clássicos, chamados de primeira geração, são os mais antigos, podendo causar efeitos indesejáveis como a sonolência, sedação e aumento de apetite. 2) Antialérgicos não clássicos, chamados de “segunda geração” ou de “nova geração”, são mais modernos. O surgimento destes medicamentos foi um avanço, pois proporcionam alívio dos sintomas causando pouca sedação, com mínimos efeitos na atividade psicomotora. Por isso, sempre que houver necessidade de uso de um antialérgico (ou anti-histamínico) por tempo prolongado, é recomendado o uso dos medicamentos de nova geração, obedecendo a prescrição médica. 

2) Alanna Dantas: Uma crise de rinite pode se agravar para uma sinusite? 
Sim, é possível, Allanna. A rinite é uma doença que parece simples e sem importância, podendo se confundir com gripes e resfriados. Contudo, trata-se de uma doença que se acompanha de inflamação da mucosa nasal de maneira persistente. A repetição das crises pode causar complicações, sendo a mais comum a sinusite, ou seja, a inflamação dos seios da face. Os sintomas mais comuns neste caso são: coriza catarral, gotejamento pós-nasal, dificuldade para respirar pelo nariz, cefaléia, dor de garganta, tosse, sensação de entupimento dos ouvidos. Vale lembrar que a rinite pode se associar a outras complicações, como por exemplo: amigdalites, otites, conjuntivites, laringites, traqueítes, tosse crônica, distúrbios do sono, etc. 

3) Maisa Rodrigues: Qual a melhor solução para a rinite? Existe um tratamento que seja eficaz ou que melhore os sintomas? 
Maisa, o tratamento da rinite permite o controle da doença e a prevenção das crises, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Tratar a rinite engloba vários cuidados: 
1) Medicamentos de ação aliviadora, para resgate dos sintomas já instalados. Anti-histamínicos estão indicados, com preferência para os não sedantes. 
2) Medicamentos controladores, que atuam na inflamação nasal, proporcionando condições para evitar crises. Corticóides inalados em forma de spray nasal são indicados para este fim. Estes medicamentos são formulados de maneira especial em doses mínimas (microgramas), permitindo o uso seguro à longo prazo. 
3) Imunoterapia específica com aeroalérgenos (vacina para alergia): indicada nos casos onde a alergia for comprovada. 
4) Controle ambiental e higienização contra ácaros, poeiras, fungos e outros fatores agravantes que possam piorar a doença. 

4) Jéssica Fogaça: Gostaria de saber se dermatites de contato são necessariamente alérgicas, pois já fiz testes de alergias cutâneas e os resultados sempre são negativos. Uma pessoa pode ter dermatites de contato sem ser alérgica? Ou o teste pode dar um resultado falso negativo? 
Jessica, existem dois tipos principais de dermatite de contato: 
1) Dermatite de contato irritativa (DCI) e 
2) Dermatite de contato alérgica (DCA) 
A Dermatite de contato irritativa (DCI) é assim chamada porque não é alérgica. É causada pela irritação na pele e em geral resulta de produtos ácidos que têm ação irritativa e fazem surgir as lesões. Algumas substâncias são mais fortes - "irritantes primários absolutos" e causam dano na pele no primeiro ou em poucos contatos. Exemplo: produtos ácidos. Existem também as substâncias consideradas como "irritantes primários relativos" que são mais fracos e necessitam diversos contatos com a pele para que as lesões surjam. Exemplos: detergentes que provocam dermatite nas mãos. A Dermatite alérgica de contato (DCA), contudo, depende de uma sensibilização, ou seja, a pessoa entra em contato com o produto, desenvolve uma reação imunológica (alérgica) específica, que vai gerar as lesões. Depois que se instala, a reação surgirá sempre que a pessoa voltar a ter contato com a substância. Sendo assim, uma pessoa pode ter uma dermatite de contato irritativa sem ser alérgica. Neste caso, o teste de contato poderá ser negativo. Outros fatores poderão ocasionar um resultado “falso negativo” no teste de contato, como por exemplo: a substância que causou a alergia não constava da bateria padrão (pode-se testar com o material próprio de cada caso). Ou ainda, se o paciente estiver em uso de medicamentos à base de cortisona, entre outros. 

5) Cristina Holanda: Gostaria de saber a diferença entre alergia e intolerância. É a mesma coisa? 
Não, Cristina. Alergia e intolerância não são a mesma coisa. Alergia é uma reação imunológica contra uma substância à qual o indivíduo é sensível e pode causar reações variadas e graves. Já a intolerância é decorrente de uma dificuldade do organismo de assimilar determinado alimento ou medicamento, acarretando reações. Por exemplo, nos casos de intolerância ao leite, o organismo tem uma incapacidade de digerir a lactose, que é o açúcar do leite. Já na alergia ao leite, há um processo imunológico contra as proteínas do leite. Os sintomas da intolerância são restritos ao trato digestivo (diarreia, prisão de ventre, dor, etc.), enquanto na alergia os sintomas podem acometer diversos órgãos e sistemas, como: pele, trato digestivo, respiratório, etc. É importante ter a certeza do diagnóstico para poder orientar o tratamento que é bastante diferente em cada caso 

6) Danielle Rocha: Estou na 13ª semana de gestação. Estou com rinite e sinusite. Qual é o tratamento recomendado? 
Danielle, a rinite alérgica é uma doença muito vista em gestantes. Os sintomas principais são: espirros repetidos, coriza líquida, coceira em narinas, olhos, ouvidos, céu da boca, ouvidos e congestão nasal. Surge também gotejamento de secreção que escorre pela parte posterior do nariz, provocando pigarro ou tosse. Em alguns casos, pode acometer os seios da face e se acompanhar também de sinusite. Os remédios de maneira geral podem ser usados com segurança para tratar a rinite na gravidez, mas sempre prescritos pelo médico. Além disso, é importante pesquisar os fatores de piora, que variam em cada pessoa. Ácaros da poeira domiciliar são importantes fatores agravadores da rinite alérgica e por isso recomendam-se os cuidados com o ambiente da casa e em especial do quarto da gestante. O tratamento é escolhido de acordo com a gravidade pesando riscos e benefícios. Hoje existem medicamentos específicos autorizados para uso na gestação, controlando os sintomas nasais de forma segura tanto para a mãe como para o feto. 

7) Rosilene Aquino: Minha filha tem alergia à proteína do leite. Isso passa? 
Rosilene, a alergia à proteína do leite de vaca pode diminuir e até desaparecer com a idade. Mas, uma pequena parcela de pacientes permanece com sintomas até a idade adulta. Por isso, é importante que o tratamento seja orientado pelo médico especialista em alergia 

8) Caroline Cozer: Quando rinite crônica pode virar asma, bronquite ou sinusite? Rinite crônica pode desencadear dermatites no corpo? Existe essa relação? 
Caroline, a rinite alérgica e a asma são doenças que possuem características semelhantes em muitos aspectos. Além disso, a via respiratória se prolonga em harmonia desde o nariz até os pulmões em total continuidade. Por isso, uma das complicações da rinite é a piora ou provocação da asma. É muito importante que se dê atenção aos sintomas nasais, para que se possa melhorar a asma. Em alguns casos a rinite provoca sinusite, que por sua vez, complica a asma. Existe um tipo de alergia cutânea, chamada de dermatite atópica. A asma, a rinite e a dermatite atópica compõe a tríade atópica, com uma predisposição genética (hereditária) para maior produção do anticorpo da alergia (IgE). Na asma e na rinite, há um aumento da reatividade das vias respiratórias e na dermatite atópica, uma hiper-reatividade da pele.

9) Sandra Paulino: Tenho uma bebê de cinco meses e os médicos suspeitam que ela é APLV. No entanto, esse diagnóstico se baseia em observação. Existe algum exame que seja seguro e possa ser feito em bebês? APLV tem cura? Que tipo de tratamento pode ser feito? 
Sandra, o diagnóstico da alergia a proteína do leite de vaca é clínico, podendo ser confirmado através de testes cutâneos ou no sangue, através da dosagem da IgE específica para o leite de vaca e para as proteínas. Existem duas formas principais de APLV. A mais grave, e mais rara, é aquela em que a criança ao ingerir leite ou derivados apresenta crise de urticária (manchas na pele), edema (inchação) e sintomas respiratórios (falta de ar, coriza, etc.). Nessa forma, as reações imunológicas são mediadas pela IgE, que é uma classe de anticorpos típica das reações alérgicas e, por isso, essa reação é chamada IgE- mediada. Essa forma de APLV apresenta testes positivos para o leite e exame de sangue positivo para as proteínas do leite (dosagem da IgE específica para as proteínas do leite). A outra forma de APLV é a mais comum e se manifesta apenas por problemas digestivos, como cólicas, vômitos e diarréia, às vezes até com sangue nas fezes. Essa forma de reação não é mediada por IgE e por isso nem os testes alérgicos e nem os exames de sangue são positivos. Por isso o diagnóstico de APLV é clínico. A maior parte das crianças com APLV evolui espontaneamente para a cura entre os 3 e os 5 anos de idade. O tratamento, portanto, é fazer dieta de leite e derivados, para evitar as reações e permitir que o organismo vá desenvolvendo tolerância. Em crianças pequenas, o leite precisa ser substituído por outro, para manter a alimentação do bebê. É um trabalho complexo que deve ser feito pelo médico especialista, com apoio de nutricionista. 

10) Lilia Medeiros: A pessoa pode desenvolver alergia a crustáceo de um dia para outro? 
Lilia, a alergia ao camarão não surge no primeiro contato e por isso, a pessoa pode ingerir o alimento por diversas vezes antes de apresentar a alergia. Em geral, quem manifesta alergia a camarão, tende a fazer também para outros crustáceos e por isso deve evitar não só o camarão como também siri, lagosta, mariscos, entre outros. Algumas pessoas são muito sensíveis e reagem mesmo com pequenas quantidades do alimento ou até à simples inalação do vapor durante o cozimento do camarão. 
Fonte: globo repórter

16 maio 2015

Angioedema Hereditário - evento no Rio de Janeiro em 21 maio 2015


 Associação Brasileira de Portadores de Angioedema Hereditário - ABRANGHE convida a todos para o evento que será realizado no Hospital do Fundão no dia 21 de Maio, com importantes orientações aos portadores da doença, familiares, bem como para médicos e profissionais de saúde. 

O que é Angioedema Hereditário(AEH)

Angioedema hereditário (AEH) é uma doença genética (leia mais em: Sobre a Doença / História Clínica), descrita pela primeira vez em 1882 não se tratando, portanto, de uma doença nova. Mas, ainda  é abordada como doença rara. Atinge homens e mulheres, em qualquer etnia, grau de instrução, profissão ou nível social. Trata-se de uma disfunção, atribuída ao inibidor de uma das proteínas do sangue que atuam no sistema imunológico, combatendo inflamações e infecções. O Inibidor C1 esterase.


Nos portadores de AEH a substância chamada inibidor C1 esterese, trabalha de maneira insuficiente ou inadequada, o que desencadeia as crises em forma de edemas e inchações em diversas partes do corpo.
Sinais e Sintomas
As crises de AEH são imprevisíveis e variam de paciente para paciente e não provocam febre, exceto uma mudança de temperatura local, no caso de serem subcutâneas.Podem ser súbitas e sem sinais de alerta ou desenvolver-se gradualmente durante algumas horas. Geralmente, o edema ligado a uma crise progride lentamente nas primeiras 12 a 36 horas e diminui após dois a cinco dias. Manifestam-se em qualquer idade, sendo mais comum durante a infância ou adolescência e no período gestacional. Há porém, casos de crianças (ainda bebês) que tanto apresentam crises de edemas subctutâneos - com inchaços espontâneos, quanto abdominais - com inesperadas crises de vômitos recorrentes, choro e dor. Em casos mais raros, as crises podem ter início súbito e grave, com presença de dor ou dificuldade para respirar, sem sinais visíveis do edema.
O edema subcutâneo pode iniciar apresentando vermelhidão ou vergões, com aspecto circular ou geográfico, febre local e ardência (como a sensação de uma queimadura de sol) ou, sensação de formigamento e "enrijecimento" do local. Aspecto e sensação muito semelhantes a de se ter sido picado por um inseto.  Os inchaços intensos no corpo poderão afetar por inteiro ou parcialmente: mãos, pés, dedos, lábios, pálpebras, face, pescoço, tórax, genitais, além de mucosas. Por terem a mesma aparência do inchaço alérgico, podem facilmente induzir a  diagnósticos equivocados. Normalmente "não dói", entretanto a inflamação que provoca poderá resultar em ardência, vermelhidão com aspecto geográfico (chamada de "pré crises" ou pródromos), calor no local e sensação de formigamento. Poderá também, limitar os movimentos quando afetar extremidades, como mãos e/ou pés. 

Os inchaços ocasionados por crises evoluirão, muitas vezes, por horas, porém ao final o membro inchado deverá voltar ao seu estado normal, sem deixar sequelas.
Dicas importantes
- Durante o período das crises, haverá incômodo devido ao edema localizado, às vezes dor e mal estar (no caso das crises abdominais). Prescrições médicas para medicamentos que ajudam a aliviar os sintomas são importantes e o risco a que  doença submete os pacientes, consiste nas inflamações que por ventura, atinjam as vias respiratórias.
- Observe e, dentro do possível, evite situações que possam ser desencadeantes das suas crises.
- Conviver com a doença poderá exigir algumas vezes, planejamento extra em determinadas circunstâncias, como por exemplo: no caso de viagens longas. Portanto, o diagnóstico correto, seguir orientação médica e o conhecimento dos sintomas, são questões fundamentais.
- Além do suporte da família e de amigos, o contato com outros pacientes poderá ser muito valioso. Compartilhar sentimentos e experiências pode ser reconfortante.
O telefone da ABRANGHE está aberto para dúvidas e orientações: 55 (11) 2503 2542  


10 maio 2015

Alergia Respiratória - 10 dicas práticas

1. Não confunda alergia com gripes e resfriados
Sintomas iguais podem ter causas bastante diferentes. Espirros, nariz entupido e tosse são sintomas conhecidos da gripe, mas também podem ser associados a uma rinite alérgica em momentos diferentes. Na dúvida, procure atendimento médico.

2. Não se medique por conta própria
Para tratar, é preciso definir a causa. Tomar um medicamento só porque um amigo aconselhou não é solução. A automedicação pode ser muito grave. 

4. Cuidado: alguns antialérgicos podem causar sedação e sonolência
Caso sinta esses efeitos, evite dirigir ou fazer atividades que necessitem atenção. 

 5. Cuidado com as gotas nasais
As gotas nasais, popularmente usadas para "desentupir" o nariz contém vasoconstritores. Podem ser usadas porpoucos dias. A repetição do uso pode causar vício, causar reações graves na mucosa do nariz e até provocar a chamada rinite medicamentosa.

6. Prevenir é melhor do que remediar
Não trate as alergias apenas quando está doente. A prevenção deve ser feita sempre e por isso é importante a visita periódica ao alergista, para uma orientação adequada e preventiva. Tratar não é só tomar remédios.

7. Não desvalorize quando os seus filhos se queixam 
Na asma, o tratamento precoce evita as crises fortes, diminui atendimentos de emergência e internações hospitalares. Os sintomas iniciais da crise de asma são: sensação de peito preso, tosse fácil, quando ri, fala muito ou brinca. 

8. Cuide do ambiente de sua casa
Limpe a casa diariamente, com pano úmido. Evite produtos de limpeza com cheiro ativo. No inverno, abra as janelas para arejar a casa. Lave as roupas que estão guardadas antes de usá-las. Não fume e não permita que fume junto do alérgico.

9. Melhore sua alimentação 
É comprovado que uma dieta mediterrânea tem um efeito protetor, enquanto o fast food e o sal são fatores negativos para as doenças alérgicas. 

10. Pratique esporte, caminhe.
A atividade física é benéfica para o alérgico.  Ficar em casa nunca é solução para quem tem alergias. O exercício impede a progressão da doença e melhora o sedentarismo e a obesidade. A vida ao ar livre deve ser estimulada.

Adaptado de: Fonte
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