15 janeiro 2017

Tem certeza de que é alergia?


Muitas pessoas pensam que têm uma alergia mas não procuram atendimento médico para confirmar o diagnóstico. Esta situação pode ser facilmente constatada lendo os comentários enviados para este blog.  Mas, certamente não é o ideal. Fazer o diagnóstico, confirmar se é uma alergia e qual o seu tipo é importante para a escolha do tratamento correto. As queixas podem ser parecidas, mas nem sempre terão a mesma causa. 

Tomemos como exemplo uma coceira: é um sintoma comum que pode acompanhar diversas situações, desde uma pele ressecada e irritada até doenças graves. Nem toda coceira é causada por alergia. 

Este mesmo raciocínio pode ser feito para a tosse, que pode ter causas variadas e nem sempre alérgicas. 

A falta do diagnóstico poderá atrasar o início de um tratamento correto e impedir a melhora de uma doença. O ideal é procurar um médico especialista em Alergia e, na falta deste, um clínico geral, para receber uma orientação adequada. 




A base para o reconhecimento de uma doença ainda é a anamnese, ou seja, a coleta de informações feita pelo médico durante a consulta. O exame físico complementa estas informações. Testes e exames poderão ser necessários para finalizar o diagnóstico, como base para um tratamento adequado.  

08 janeiro 2017

A asma e o verão


É uma crença generalizada entre a população que a asma "não ataca" no verão. Isso faz com que muitos pacientes interrompam o uso da medicação durante os meses mais quentes. Mas, uma recaída pode prejudicar os benefícios alcançados no tratamento de controle da inflamação brônquica e colocar o paciente em risco. 

É verdadeiro que a asma, assim como muitas outras doenças respiratórias, pode ter mais crises e complicações durante o inverno ou frio. Contudo, é uma doença crônica e, portanto, não pode ser tratada apenas em alguns períodos do ano.

O objetivo do tratamento da asma é alcançar o controle dos sintomas e das crises, com a menor dose de medicamentos e o mínimo de efeitos colaterais.

É importante frisar que a inflamação e hiper-responsividade brônquica estão presentes de forma subclínica, mesmo quando a pessoa não sente nada. Por isso, a interrupção do tratamento para o controle preventivo, aumenta os riscos crises de asma, se as condições ambientais mudam de repente ou se o paciente é exposto a um gatilho. 

Não devemos esquecer que há muitos gatilhos que podem provocar crises de asma e que são independentes das condições meteorológicas, como por exemplo, as substâncias que atuam como irritantes respiratórios, tais como gases, fumaça, poluição ambiental, ocupacional, produtos de limpeza, tintas, desodorantes, odores fortes, mudanças bruscas de temperatura, ar condicionado, e assim por diante. 

Outro conceito errado que também conduz à suspensão do tratamento é pensar que o uso contínuo dos medicamentos inalados leva ao vício e perda do efeito. Vale ressaltar que o uso diário de inaladores não só não prejudica como não perde o efeito, mas permite o controle adequado da asma. 

Por tudo isso, é essencial que os asmáticos não tomem decisões sozinhos mas sempre em comum acordo com o(a) médico (a) especialista. E, a resposta ao tratamento varia em cada paciente: há aqueles que podem reduzir a medicação, mas outros devem continuar com o mesmo esquema de tratamento durante todo o ano. 

O clima de verão é mais propício para os asmáticos, mas de modo algum significa que a asma não ataca no verão, nem justifica a suspensão do controle e tratamento. 


DICAS IMPORTANTES PARA CONTROLAR A ASMA NO VERÃO


- Evitar os gatilhos que podem ser mais comuns no verão, por exemplo, mudanças bruscas de temperatura em ambientes refrigerados, cloro de piscinas, etc. 

- Aproveitar o clima de verão para fazer atividades físicas. Como as condições ambientais são mais favoráveis nesta época do ano, o paciente pode realizar e praticar esportes ao ar livre. Se a asma é bem controlada, é pouco provável que o exercício desencadeie broncoespasmo. Caso aconteça, é indicado uso de um broncodilatador prévio. Recomenda-se consultar o (a) médico(a) que acompanha o tratamento.  

- Em viagens de férias, é fundamental levar os medicamentos e seguir a orientação  médicas relacionadas.

- Manter o tratamento, mesmo que esteja bem. A medicação controladora deve ser contínua (corticoides inalados) e o paciente deve consigo os medicamentos para resgate de crises (broncodilatadores). 

 FONTE: adaptado de: SLAAI 

06 janeiro 2017

A restrição desnecessária do leite de vaca causa tantos prejuízos quanto um subdiagnóstico



Fala-se muito na alergia ao leite. Mas, nem sempre é diagnosticada de forma correta e adequada.

É fato o aumento da prevalência das alergias alimentares nas últimas décadas. Contudo, o super diagnóstico está se tornando muito comum, já que os sintomas também podem estar relacionados a outras doenças. 

As alergias podem ser acompanhas por placas vermelhas no corpo, falta de ar, inchaço nos olhos, diarreia, vômitos, sangue nas fezes. Mas é preciso a avaliação de um médico muito experiente para confirmar se esses sintomas estão mesmo ligados a uma reação alérgica. 

Há um grupo de oito alimentos que são os maiores desencadeadores das alergias alimentares: trigo, leite, ovos, soja, amendoim, castanha, peixes e frutos do mar

Na infância, o leite de vaca ainda é considerado o maior vilão, podendo causar reações  cutâneas e chegar até a anafilaxia.  Há também os sintomas tardios nas crianças, que se manifestam por reações gastrointestinais. 

A Dra. Renata Cocco, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), explica que o médico precisa ter a certeza de estar diante de uma alergia ao leite para tratá-la corretamente. 
- “A restrição ao leite é a dieta indicada para esses casos. Mas é preciso cautela, pois muitas crianças começam a ser alimentadas com os leites vegetais, como os de arroz, amêndoas e castanhas. Nutricionalmente, eles são muito pobres e não devem ser utilizados como substitutos únicos do leite. Em alguns casos, podem ser até nocivos pela quantidade de micronutrientes que acabam levando ao depósito no sistema nervoso central, no fígado e nos rins, comprometendo o desenvolvimento da criança”, detalha a especialista em alergia. 

Como diagnosticar a alergia alimentar

O diagnóstico de alergia alimentar deve seguir quatro pilares: 

1-  A história, que deve ser muito bem avaliada por um médico experiente. 

2-    Exames laboratoriais, que também precisam ser muito bem interpretados, pois nem sempre um IgE positivo indica que a criança seja alérgica. 

3- Dieta de restrição – retirar o alimento, avaliar a melhora para depois expor o paciente novamente ao alimento e, assim, ter a certeza que existe a relação de causa e efeito. 

4-    Teste de provocação oral: realmente estabelece o diagnóstico. Consiste na oferta do alimento para a criança, em doses regulares, crescentes, sempre sob a supervisão médica. Deve ser realizada em ambiente apropriado, seja  na clínica, hospital ou, até mesmo, dentro da UTI, dependo da necessidade que o médico julgar. Nunca deve ser realizado em casa, pois coloca a criança em risco de morte.  

Mitos sobre o leite de vaca e as alergias
Os mitos em torno da alergia ao leite de vaca se propagam e é preciso esclarecer que, na verdade não têm relação alguma. 

- Distúrbios de comportamento, incluindo o autismo. Não existem evidências de que o leite de vaca cause autismo, o que está sendo muito divulgado. 

- Aumento de secreção nas vias aéreas superiores também não pode ser relacionado ao leite de vaca

- Asma e rinite não podem ser associadas à alergia ao leite quando não há outros sintomas, como o de pele e os gastrointestinais. 

- Infecções recorrentes, como otites e urticária crônica seguem a mesma orientação. 

“É preciso saber as reais manifestações clínicas para um diagnóstico correto. A restrição desnecessária do leite causa tantos prejuízos quanto um sub-diagnóstico”, alerta a médica. 



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Sobre a ASBAI:
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1946. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cujo objetivo é promover o estudo, a discussão e a divulgação de questões relacionadas à Alergologia e à Imunologia Clínica, além da concessão de Título de Especialista em Alergia Clínica e Imunologia a seus sócios, de acordo com convênio celebrado com a Associação Médica Brasileira. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 21 estados brasileiros.   
Twitter: @asbai_alergia 
Facebook: Asbai Alergia www.asbai.org.br  

Fonte
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