14 dezembro 2014

Fibrose cística orientações para professores e equipe escolar



O que é a Fibrose Cística? 
A Fibrose Cística (FC), também conhecida como Doença do Beijo Salgado ou Mucoviscidose, é uma doença genética, ainda sem cura, mas que se diagnosticada precocemente e tratada de maneira adequada, o paciente poderá ter uma vida praticamente normal, dentro de seus limites. 
Na maioria das vezes a FC é diagnosticada já na infância, embora também possa ser diagnosticada na adolescência ou na fase adulta. É importante ressaltar que a FC não é contagiosa e não afeta questões cognitivas. Devido aos diferentes sintomas, algumas pessoas não aparentam ter nenhuma doença, porém, o tratamento deve ser mantido para que não ocorram intercorrências e complicações futuras. 

Quais os sintomas?
Pneumonia de repetição, tosse crônica, desnutrição, dificuldade de ganhar peso e estatura, movimentos intestinais anormais (diarreia) pólipos nasais, sabor mais salgado na pele / suor mais salgado que o normal e uma espécie de alongamento das pontas dos dedos das mãos e dos pés, também conhecida como “baquetamento”. De forma geral, a pessoa com Fibrose Cística tem a secreção do seu organismo mais “grossa” que o normal, o que dificulta sua eliminação. No sistema respiratório o muco espesso bloqueia os canais dos brônquios ocasionando dificuldades para respirar, causando tosse crônica, infecções de repetição, pneumonias, entre outros. No sistema digestório, o muco espesso evita que as enzimas digestivas, necessárias à digestão, cheguem ao intestino, fazendo com que, por vezes, a pessoa com FC fique desnutrida. Por isto, algumas pessoas com FC realizam reposição enzimática através da ingestão de cápsulas a cada alimentação, fundamental para que consigam ganhar peso e absorver nutrientes. 

Como pode ser identificada e diagnosticada? 
A FC pode ser identificada no Teste do Pezinho e diagnosticada através de Exames Genéticos, ou do Teste do Suor. Para saber mais sobre o diagnóstico, acesse: http://unidospelavida.org.br/a-fibrose-cistica/diagnostico/ 

Como é realizado o tratamento? 
Como professor de uma pessoa com FC, é fundamental que você conheça um pouco mais sobre sua rotina do tratamento para que possa auxilia-lo quando preciso, inclusive lembrando-o dos medicamentos. Via de regra, o tratamento é diário e composto por: 
- Ingestão de Enzimas Digestivas para as alimentações; 
- Antibióticos 
- Suporte Nutricional 
- Broncodilatadores 
- Fisioterapia Respiratória 
- Antinflamatórios 
- Atividade Física 
- Acompanhamento Multidisciplinar frequente 
O tratamento de cada pessoa com FC varia de acordo com a gravidade da doença e com a forma que ela se manifesta. Porém, a maioria dos tratamentos são projetados para tratar problemas digestivos e para limpeza dos pulmões. 

Cuidado com as infecções: 
Uma das coisas mais importantes que uma pessoa com FC pode fazer para manter-se saudável é minimizar a exposição à germes e bactérias nocivas. Realizar a higiene das mãos frequentemente (lavagem das mãos com água e sabão e a utilização de álcool em gel é fundamental). Quando houver outro aluno resfriado em sala de aula, tentar manter ao máximo a ventilação do local, fazer a higienização das mãos com frequência e usar tecidos quando espirrar, tossir ou assoar o seu nariz, evitando contato com as pessoas com FC. Naturalmente, estes cuidados devem ser tomados para todas as pessoas, porém, especialmente para quem tem FC. 
Temos um texto sobre as viroses, a escola e as crianças com FC que pode ser acessado aqui

Atividade Física:
A atividade física é fundamental para todos as pessoas, e em especial para as pessoas com FC, pois ajuda a soltar o “muco” que obstrui os pulmões, fortalecendo também os músculos utilizados para a respiração. Pessoas com FC devem ser incentivadas à se exercitar o máximo possível. Porém, podem apresentar dificuldades respiratórias, cansando-se facilmente. É importante que seus colegas saibam do que acontece para que o ajudem nestas atividades. Seja sensível ao avaliar as capacidades físicas do aluno. Converse com ele e com os pais para determinar um nível adequado de atividade física, e, se preciso, discuta com a equipe multidisciplinar que o acompanha. Tente inclui-la em todos os jogos e atividades em que ele ou ela está em condições físicas de participar. 

Desidratação: 
Pessoas com FC estão em maior risco de desidratação, especialmente quando o exercício é realizado em dias quentes. Água ou bebidas esportivas precisam ser facilmente acessíveis durante as atividades físicas. Importante: Pessoas com FC são pessoas normais!

Por vezes, precisarão ausentar-se para realizar determinado tratamento, mas com um bom acompanhamento e apoio da instituição de ensino e de seus colegas, não haverá tempo longe da escola que impacte em seu desempenho escolar. Apoio, compreensão e carinho são fundamentais! 

Contem com o Instituto Unidos pela Vida para sanar outras dúvidas e para divulgar a Fibrose Cística em suas instituições! Entre em contato conosco pelo contato@unidospelavida.org.br e saiba como ajudar! :) Entenda mais sobre a Fibrose Cística: 
Acesse: Unidos pela vida

09 dezembro 2014

Imunoterapia - vacina para alergia

O que é imunoterapia e quais os objetivos dessa abordagem? 
É um tratamento que visa modular o sistema imunológico, quer seja para estimulá-lo a combater um câncer ou uma infecção, ou para dessensibilizá-lo para que ele deixe de reagir contra substâncias que não são nocivas ao organismo (ex: alergias). 

Em relação à alergia, a imunoterapia é o tratamento por meio do qual, doses progressivamente maiores de uma substância alergênica (alérgeno), são administradas a um paciente alérgico a essa substância, com o intuito de estimular o desenvolvimento de uma tolerância e, assim, diminuir a sua alergia a tal substância. Isso é chamado de tolerância imunológica e acarreta a redução dos sintomas alérgicos. 

Por que a imunoterapia é considerada pela OMS como o único procedimento capaz de mudar o curso de uma doença alérgica? 
Uma vez que o indivíduo se tornou alérgico a determinada substância, sempre que seu organismo entrar em contato com ela, irá reagir. Todos os remédios para tratar alergia, atuam reduzindo os sintomas ou inibindo as reações do organismo que resultam nos sintomas de alergia. Mas, nenhum remédio diminui a alergia, a sensibilidade que o indivíduo tem em relação à substância que ele é alérgico. Quando para de fazer uso desses medicamentos, ele volta a reagir e a apresentar os sintomas com a mesma intensidade. 

A imunoterapia (vacinas com alérgenos), porém, atua diminuindo essa sensibilidade alérgica. Ela interfere nos mecanismos imunológicos que produzem as reações, levando o indivíduo a não reagir quando em contato com a substância à qual ele é alérgico. Passa a tolerar o contato com a substância sem reagir. O prolongamento da imunoterapia pelo tempo adequado (3 a 5 anos) consolida essa tolerância, deixa de ter sensibilidade e de reagir ao alérgeno. De tal forma que quando se completa o tratamento, a pessoa continua sem os sintomas de alergia por muitos anos ou pela vida toda. 

Qual o perfil de paciente que pode se submeter à imunoterapia? Em quais situações é indicada?
É indicada para os casos de alergia em que o paciente não pode ou não consegue evitar o contato com a substância alergênica. Além disso, depende do tipo de mecanismo envolvido na reação alérgica. Existem quatro mecanismos de reações alérgicas (de hipersensibilidade). 

As reações do tipo 1 ou do tipo imediato, que são "mediadas por IgE", são as que
respondem bem à imunoterapia. (IgE é o principal tipo de anticorpo que intermedia as reações alérgicas). São as reações em que os sintomas surgem minutos após a exposição ao alérgeno: alergia respiratória (rinite e asma), a veneno e insetos e algumas formas de alergia alimentar.

Como a imunoterapia é eficiente? 
O alérgeno tem que ser identificado, por meio dos testes alérgicos, que são mais sensíveis; ou por exame de sangue, que dosa os níveis de IgE específica para os alérgenos suspeitos. A imunoterapia deve ser feita com o alérgeno identificado para aquele indivíduo. Em princípio, qualquer paciente pode ser submetido à imunoterapia para alergia. Existem poucas restrições relacionadas à idade e a doenças associadas que podem limitar o uso da imunoterapia. 

Existem outros tipos de alergia, mediadas por outros mecanismos, como a de contato e grande parte das alergias a medicamentos e a alimentos, que não respondem porque o mecanismo que envolve essas reações não é do Tipo 1, mediado por IgE. 

As vacinas com alérgenos podem ser aplicadas como forma isolada de tratamento? 
O tratamento imunoterápico demora a fazer efeito, a mostrar resultados e, por isso, o paciente deve ser orientado a usar concomitantemente medicamentos que controlem os sintomas. Especialmente na alergia respiratória, tanto a rinite quanto a asma provocam uma inflamação crônica da mucosa respiratória que é responsável pela intensidade e manutenção dos sintomas, além de contribuir para uma maior reatividade: facilidade de reagir a mínimos estímulos. 

Por isso, principalmente nessas alergias, os indivíduos devem ser tratados também com medicamentos para controlar a reduzir a inflamação alérgica da mucosa. Os corticóides inalados são os melhores anti-inflamatórios para esses casos, pois contribuem para a redução da frequência e gravidade das crises. Devem ser usados por longos períodos, até que a imunoterapia vá sendo consolidada e controlada a alergia. 

Quais outras medidas preventivas são necessárias? 
As medidas de prevenção e controle do ambiente também são importantíssimas: quanto menos alérgenos em contato com o paciente, menos reações. Os pacientes também devem ser orientados a reconhecer os sinais precoces das crises e do seu agravamento. 

Nas reações graves (asma grave ou reação anafilática a picadas de insetos), o paciente tem que saber usar e portar consigo uma medicação de resgate, que aborte ou reduza a intensidade da crise, até que ele consiga socorro médico. Um broncodilatador spray ("bombinha"), nos casos de asma, e adrenalina, nos casos de anafilaxia; tudo faz parte do "plano de tratamento". 

Existem contraindicações? 
Sim. Em geral não se deve indicar imunoterapia em pacientes com doença em que o risco de morte seria maior caso ocorressem reações graves à vacina, que pudessem evoluir para anafilaxia. São os casos dos pacientes com doença cardíaca grave, hipertensão arterial grave e mal controlada e pacientes com capacidade respiratória muito diminuída. O uso de certos medicamentos também pode ser uma contraindicação. A presença de câncer ou de doença autoimune mal controlada podem contraindicar a imunoterapia: manipular o sistema imune desses pacientes com as vacinas poderia prejudicar o controle dessas doenças: depende da avaliação dos especialistas envolvidos. Pacientes com distúrbio mental grave podem inviabilizar a aplicação das vacinas, impedindo assim a imunoterapia. 

Como a imunoterapia é aplicada? 
É aplicada por meio de injeções periódicas, por via subcutânea. É um método de comprovada eficácia, demonstrada por muitos estudos há muitos anos. 

Nos últimos anos, surgiram vários estudos mostrando que a imunoterapia por via sub-lingual pode ser tão eficaz quanto a via subcutânea para a alergia respiratória. Porém, a quantidade de antígenos por via sublingual tem que ser muito maior e purificado, o que pode inviabilizar o tratamento devido ao custo. No Brasil, ainda não há estudos sobre a qualidade e a eficácia do material para imunoterapia sublingual aqui comercializado. Para a alergia a veneno de insetos a via é sempre subcutânea. Já na alimentar, a imunoterapia começou há poucos anos, ainda de forma experimental, mas, os estudos mostram que a via oral é a mais eficaz. 

Outras formas de imunoterapia estão em estudo para o futuro. Quanto à programação e supervisão, essa deve ser sempre feita por um médico especialista em alergia. Só ele é devidamente treinado para conduzir o tratamento com sucesso e sem riscos.

Entrevista com Dr. José Luiz de Magalhães Rios
Fonte

07 dezembro 2014

WISC 2014 - Congresso Mundial de Alergia


 Hoje começa no Rio de Janeiro Congresso Mundial de Alergia – o WISC 2014 - Conferência Científica Internacional da WAO (World Allergy Organization), que acontece em conjunto com o XLI Congresso Anual da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). 

Com o tema “Avançando as Fronteiras da Alergia: a partir de tratamento para a prevenção, visando o meio ambiente, infecções e o paciente suscetível”, o evento já conta com cerca de 2000 participantes.


Durante o Congresso, serão abordados temas como Anafilaxia, Alergia Alimentar, Imunoterapia no Século XXI, Urticária Crônica, Angioedema Hereditário, Dermatite Atópica e de Contato, Esofagite Eosinofílica e Alergia e Asma na América Latina. 


O programa científico é abrangente e diversificada, com assuntos relevantes para a prática da Alergia, Asma e Imunologia Clínica. Para o presidente da ASBAI, Dr. Fábio F. Morato Castro, um congresso mundial é de extrema relevância para fortalecer a especialidade de Alergia e Imunologia, que trata de doenças tão prevalentes. “É uma oportunidade única de se atualizar com os mais renomados especialistas do mundo”, afirma. 

O Blog da Alergia participa do Congresso no setor de Posters com o tema: "Allergy Blog - Health Information"





WISC 2014 - Conferência Científica Internacional da World Allergy Organization
XLI Congresso Anual da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
Data: de 06/12 a 09/12 
Local: SulAmérica Convention Center 
Endereço: Av. Paulo de Frontin, 1 – Cidade Nova - Centro - Rio de Janeiro – RJ
(Fonte)

 
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