25 setembro 2016

Alergia e Gravidez


As doenças alérgicas são condições frequentes na população e afetam cerca de 8% das gestantes. Podemos ciar como principais: Asma, Rinite e Dermatoses alérgicas.


Rinite e gravidez


A rinite se caracteriza por sintomas que se confundem com gripe: espirros em salva, coriza abundante e clara, coceira do nariz, olhos, ouvidos e garganta, entupimento nasal. Os olhos podem ficar avermelhados e lacrimejando.

Os sintomas da rinite ocorrem em cerca de 20% das gestações. Há um tipo peculiar de rinite gravídica que pode surgir no início da gravidez e resulta da ação hormonal na mucosa nasal, com aparecimento de sintomas nasais. É chamada de rinite gestacional. Costuma piorar a partir do segundo trimestre e atinge o pico no último trimestre da gravidez, desaparecendo em até uma semana após o parto.

As grávidas têm facilidade em apresentar obstrução nasal e devem ser instruídas a não usar descongestionantes nasais (“gotas” nasais) pelo risco de provocar vício e aparecimento de rinite medicamentosa. 

Sinusites são frequentes em grávidas. Em geral, resultam da rinite alérgica e das modificações hormonais da gestação, que diminuem a resposta imunológica para proteger o feto, mas com isso, pode facilitar infecções na gravidez.

A rinite tem um impacto na qualidade de vida da gestante, interferindo no sono, no dia a dia , sendo um fator de risco para asma e para surgimento de sinusite. Por isso, é recomendado tratar a rinite de forma eficaz e precoce evitando que as crises se agravem.


Asma na gestante

A asma, também conhecida popularmente como “bronquite alérgica”, “bronquite asmática” ou simplesmente “bronquite, ocorre em cerca de 8% das grávidas.] Nas gestantes que já tinham asma antes da gravidez, um terço melhora, um teço piora e um terço permanece estável.

A asma pode (e deve) ser tratada durante a gestação e requer acompanhamento contínuo, objetivando a normalização da função pulmonar, da oxigenação sanguínea, controlando a doença e evitando crises. Em geral, as crises de asma ocorrem entre a 24ª e a 36º semana da gestação, sendo raras nas últimas semanas e durante o trabalho de parto.

A asma bem controlada não constitui risco para a gravidez. O tratamento não difere da asma fora da gravidez. É preferencial o uso de remédios inalados, popularmente chamados de “bombinhas”, mais eficazes e com menores efeitos colaterais.

É importante ressaltar que os medicamentos para asma podem ser classificados em 2 grupos: 
- Aliviadores: remédios usados no resgate e tratamento de crises, e 
- Controladores: remédios para uso contínuo, mesmo que a gestante esteja bem, para controlar a asma e prevenir novas crises.

A asma bem controlada não afeta a gravidez. A asma sem controle ocasiona baixa da oxigenação, gerando riscos para a mãe e para o feto.


Dermatoses alérgicas na gravidez

A pele da gestante está alterada pela influência dos hormônios gravídicos. As principais alergias na gestação são: urticária, angioedema e dermatite atópica. Além disso, podem surgir alguns tipos de erupção cutânea nas gestantes.

A urticária se caracteriza pelo aparecimento de placas avermelhadas na pele, que coçam muito e têm duração fugaz e localização variável. Chama-se de angioedema quando atinge camadas mais profundas da pele e se manifestam por edema (inchação) em lábios, pálpebras, mãos, pés, área genital e face. Existe uma urticária que é um prurido da gestação. Normalmente surge no final da gravidez, com placas vermelhas, que coçam muito. Pode aparecer também uma urticária colinérgica. Ou dermografismo, que também melhora com antialérgicos.

A dermatite atópica se manifesta como eczema na pele, acompanhado de coceira intensa.



Normas para tratamento das alergias durante a gravidez

. A gestante não precisa sofrer durante a gravidez. As alergias podem (e devem) ser tratadas, a fim de propiciar condições saudáveis de desenvolvimento para o bebê e para a futura mamãe.

. Se for possível evitar uso de remédios no primeiro trimestre, quando o risco é maior para o feto. Mas, se for necessário, pode-se tratar as alergias com segurança.

. Uma gestante que esteja fazendo uso de vacinas para alergia (imunoterapia específica com alérgenos), poderá manter seu tratamento. Mas, é consenso que o tratamento com vacinas para alergia não deve ser iniciado durante a gestação.

. Os antialérgicos (anti-histamínicos) de uma maneira geral, poderão ser usados com segurança, preferindo-se a loratadina.

. Os sprays nasais contendo corticóides são seguros, com preferência para a budesonida.

. Remédios inalados para tratar a asma: atuam mais rápido, em doses menores e têm menos efeitos colaterais.

. Tratar alergia não é só tomar remédios: a gestante alérgica não pode descuidar de sua casa, de mantê-la sem ácaros, ficando longe da poeira e da fumaça de cigarros, entre outras providências importantíssimas.

. As gestantes alérgicas podem fazer uso de anestésico na hora do parto. É importante que o obstetra e o anestesista estejam informados das condições da paciente e das medicações que ela usa.

Concluindo, é bom frisar que a gestante alérgica não precisa sofrer durante a gravidez. Ela pode continuar fazendo seu tratamento normalmente, sendo aconselhável que a grávida alérgica seja acompanhada por um(a) especialista em Alergia, em parceria com o(a) obstetra, proporcionando condições de saúde para a mamãe e para seu bebê.  

18 setembro 2016

Anafilaxia - uma grave alergia



Anafilaxia é um processo alérgico grave e que pode levar à morte. Surge no contato entre o organismo e alérgenos, substâncias que, mesmo inofensivas, são tidas pelo corpo como um perigo.

Em 2015, o SUS realizou 548 internações por choque anafilático. Em 2016, já foram contabilizados 334 casos.

Leite, ovo, peixes, castanhas e crustáceos lideram a causa da doença, segundo dados do site “Anafilaxia Brasil”, criado pela ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.







Em caso de crise anafilática, o ideal é chegar rapidamente ao pronto socorro.



A autoinjeção ou "caneta" de adrenalina libera a dose adequada para impedir o agravamento da crise anafilática. A própria pessoa faz a aplicação do medicamento por via intramuscular na coxa.


A adrenalina é importante para impedir que o plasma sanguíneo "vaze" dos vasos e invada os órgãos. Isso reduz o edema (inchaço) que pode fechar a garganta e levar à morte.

A caneta é um procedimento de emergência, um primeiro socorro, que possibilita o tempo para que se procure um hospital.

A adrenalina autoinjetável pode salvar vidas. Mas por ser importado, torna-se caro e de difícil acesso para o público em geral.  O Brasil ainda não disponibiliza a medicação.


Fonte: Folha São Paulo
Phillippe Watanabe

31 julho 2016

Asma




Quais são os principais sintomas? 
 Os principais sintomas da asma são a falta de ar, chiado no peito, aperto no peito, tosse seca ou repetida. Muitas vezes, pode ser confundida com gripes mal curadas ou bronquites simples. 

O que causa a asma? 
 A doença não tem uma causa única. Mas pode ter origem alérgica (ácaro, perfume, mofo, poluição pode agravar os sintomas) e familiar (se algum parente for diagnosticado com asma, as chances de alguém da família ter a doença é maior). "Há casos de asmáticos que nasceram com a doença, mas só descobrem na vida adulta", afirma o pneumologista Rafael Stelmach, coordenador do GINA no Brasil. 

Asma tem cura? 
 Assim como diabetes, a asma não tem cura. O mais comum é o paciente ter a doença e não saber. Por isso, é importante fazer o diagnóstico quanto antes para realizar o tratamento adequado. Três pessoas morrem por asma no Brasil todos os dias. 

 Quais são os tratamentos? 
 A asma é tratada de acordo com sua gravidade (leve, moderada e grave). Os casos mais graves são pessoas que sentem os sintomas da doença de forma persistente, ao menos uma vez por semana. Nesses casos, recomenda-se o uso de anti-inflamatórios (classe dos corticóides), que geralmente também são administrados em forma de bombinha. Já os pacientes com crises esporádicas só necessitam controlar os sintomas com os broncodilatadores, que são contra-indicados apenas para pessoas com doença cardíaca. Sempre consulte seu médico, pois o tratamento necessita de acompanhamento. 

 O asmático pode ter vida normal? 
 Se o paciente fizer o tratamento adequado, ele pode ter uma qualidade de vida praticamente normal, chegando inclusive a ser um atleta olímpico, como os nadadores Gustavo Borges e Fernando Scherer. 
  
Grávidas podem tomar remédios? 
 A asma não poupa nenhuma das idades e nem os ciclos da vida. Em 70% dos casos, as grávidas que já eram asmáticas, continuam com os sintomas da doença durante a gestação. "Caso a asma não esteja bem controlada, os bebês podem nascer com baixo peso ou prematuras", afirma o pediatra Paulo Carmargos. As grávidas podem continuar usando os medicamentos, que praticamente não apresentam riscos para o feto. 

Qual a relação da asma e rinite? 
 Geralmente, a rinite (inflamação na mucosa do nariz) e a asma estão associadas. Cerca de 80% dos asmáticos tem rinite (causa, espirros, coceira no nariz, obstrução nasal e secreção). As duas doenças são inflamatórias e tem causas parecidas. "Quem não tratar a rinite pode agravar a asma", afirma o alergista Fábio Morato Castro, do Hospital das Clínicas. 

 Asma piora no inverno? 
Tempo seco, aumento da umidade, poluição podem irritar os brônquios de portadores de asma. No Brasil, mesmo no Norte e Nordeste, o período de outono e inverno, de abril a setembro, mostra um aumento das internações e mortes por asma. "É recomendável fazer uma visita ao médico para ajustar o tratamento para esta época do ano", afirma a pediatra Zuleid Dantas Mattar.


 Fonte: GINA no Brasil
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