09 dezembro 2014

Imunoterapia - vacina para alergia

O que é imunoterapia e quais os objetivos dessa abordagem? 
É um tratamento que visa modular o sistema imunológico, quer seja para estimulá-lo a combater um câncer ou uma infecção, ou para dessensibilizá-lo para que ele deixe de reagir contra substâncias que não são nocivas ao organismo (ex: alergias). 

Em relação à alergia, a imunoterapia é o tratamento por meio do qual, doses progressivamente maiores de uma substância alergênica (alérgeno), são administradas a um paciente alérgico a essa substância, com o intuito de estimular o desenvolvimento de uma tolerância e, assim, diminuir a sua alergia a tal substância. Isso é chamado de tolerância imunológica e acarreta a redução dos sintomas alérgicos. 

Por que a imunoterapia é considerada pela OMS como o único procedimento capaz de mudar o curso de uma doença alérgica? 
Uma vez que o indivíduo se tornou alérgico a determinada substância, sempre que seu organismo entrar em contato com ela, irá reagir. Todos os remédios para tratar alergia, atuam reduzindo os sintomas ou inibindo as reações do organismo que resultam nos sintomas de alergia. Mas, nenhum remédio diminui a alergia, a sensibilidade que o indivíduo tem em relação à substância que ele é alérgico. Quando para de fazer uso desses medicamentos, ele volta a reagir e a apresentar os sintomas com a mesma intensidade. 

A imunoterapia (vacinas com alérgenos), porém, atua diminuindo essa sensibilidade alérgica. Ela interfere nos mecanismos imunológicos que produzem as reações, levando o indivíduo a não reagir quando em contato com a substância à qual ele é alérgico. Passa a tolerar o contato com a substância sem reagir. O prolongamento da imunoterapia pelo tempo adequado (3 a 5 anos) consolida essa tolerância, deixa de ter sensibilidade e de reagir ao alérgeno. De tal forma que quando se completa o tratamento, a pessoa continua sem os sintomas de alergia por muitos anos ou pela vida toda. 

Qual o perfil de paciente que pode se submeter à imunoterapia? Em quais situações é indicada?
É indicada para os casos de alergia em que o paciente não pode ou não consegue evitar o contato com a substância alergênica. Além disso, depende do tipo de mecanismo envolvido na reação alérgica. Existem quatro mecanismos de reações alérgicas (de hipersensibilidade). 

As reações do tipo 1 ou do tipo imediato, que são "mediadas por IgE", são as que
respondem bem à imunoterapia. (IgE é o principal tipo de anticorpo que intermedia as reações alérgicas). São as reações em que os sintomas surgem minutos após a exposição ao alérgeno: alergia respiratória (rinite e asma), a veneno e insetos e algumas formas de alergia alimentar.

Como a imunoterapia é eficiente? 
O alérgeno tem que ser identificado, por meio dos testes alérgicos, que são mais sensíveis; ou por exame de sangue, que dosa os níveis de IgE específica para os alérgenos suspeitos. A imunoterapia deve ser feita com o alérgeno identificado para aquele indivíduo. Em princípio, qualquer paciente pode ser submetido à imunoterapia para alergia. Existem poucas restrições relacionadas à idade e a doenças associadas que podem limitar o uso da imunoterapia. 

Existem outros tipos de alergia, mediadas por outros mecanismos, como a de contato e grande parte das alergias a medicamentos e a alimentos, que não respondem porque o mecanismo que envolve essas reações não é do Tipo 1, mediado por IgE. 

As vacinas com alérgenos podem ser aplicadas como forma isolada de tratamento? 
O tratamento imunoterápico demora a fazer efeito, a mostrar resultados e, por isso, o paciente deve ser orientado a usar concomitantemente medicamentos que controlem os sintomas. Especialmente na alergia respiratória, tanto a rinite quanto a asma provocam uma inflamação crônica da mucosa respiratória que é responsável pela intensidade e manutenção dos sintomas, além de contribuir para uma maior reatividade: facilidade de reagir a mínimos estímulos. 

Por isso, principalmente nessas alergias, os indivíduos devem ser tratados também com medicamentos para controlar a reduzir a inflamação alérgica da mucosa. Os corticóides inalados são os melhores anti-inflamatórios para esses casos, pois contribuem para a redução da frequência e gravidade das crises. Devem ser usados por longos períodos, até que a imunoterapia vá sendo consolidada e controlada a alergia. 

Quais outras medidas preventivas são necessárias? 
As medidas de prevenção e controle do ambiente também são importantíssimas: quanto menos alérgenos em contato com o paciente, menos reações. Os pacientes também devem ser orientados a reconhecer os sinais precoces das crises e do seu agravamento. 

Nas reações graves (asma grave ou reação anafilática a picadas de insetos), o paciente tem que saber usar e portar consigo uma medicação de resgate, que aborte ou reduza a intensidade da crise, até que ele consiga socorro médico. Um broncodilatador spray ("bombinha"), nos casos de asma, e adrenalina, nos casos de anafilaxia; tudo faz parte do "plano de tratamento". 

Existem contraindicações? 
Sim. Em geral não se deve indicar imunoterapia em pacientes com doença em que o risco de morte seria maior caso ocorressem reações graves à vacina, que pudessem evoluir para anafilaxia. São os casos dos pacientes com doença cardíaca grave, hipertensão arterial grave e mal controlada e pacientes com capacidade respiratória muito diminuída. O uso de certos medicamentos também pode ser uma contraindicação. A presença de câncer ou de doença autoimune mal controlada podem contraindicar a imunoterapia: manipular o sistema imune desses pacientes com as vacinas poderia prejudicar o controle dessas doenças: depende da avaliação dos especialistas envolvidos. Pacientes com distúrbio mental grave podem inviabilizar a aplicação das vacinas, impedindo assim a imunoterapia. 

Como a imunoterapia é aplicada? 
É aplicada por meio de injeções periódicas, por via subcutânea. É um método de comprovada eficácia, demonstrada por muitos estudos há muitos anos. 

Nos últimos anos, surgiram vários estudos mostrando que a imunoterapia por via sub-lingual pode ser tão eficaz quanto a via subcutânea para a alergia respiratória. Porém, a quantidade de antígenos por via sublingual tem que ser muito maior e purificado, o que pode inviabilizar o tratamento devido ao custo. No Brasil, ainda não há estudos sobre a qualidade e a eficácia do material para imunoterapia sublingual aqui comercializado. Para a alergia a veneno de insetos a via é sempre subcutânea. Já na alimentar, a imunoterapia começou há poucos anos, ainda de forma experimental, mas, os estudos mostram que a via oral é a mais eficaz. 

Outras formas de imunoterapia estão em estudo para o futuro. Quanto à programação e supervisão, essa deve ser sempre feita por um médico especialista em alergia. Só ele é devidamente treinado para conduzir o tratamento com sucesso e sem riscos.

Entrevista com Dr. José Luiz de Magalhães Rios
Fonte

15 Dê sua opinião:

gislaine disse...

Boa noite.
Estou começando o tratamento no meu filho de 3 anos agora, mas confesso que estou com medo da reação da vacina. Tambem estou com dificuldades de encontra-lá as clinicas não tem, apenas uma em Porto Alegre que vende e com um valor de 300,00 para um mes. Mas continuo tentando livrar meu filho da rinte, que acontece o ano todo e acaba provocando crise de asma. Se for para me preparar para o inverno e fugir das emergencias para fazer resgate com bronquodilatador e oxigenio acredito que fale muito esse sacrificio.
Continue contribuindo com esse trabalho de levar informação a todos. Obrigado.

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Gislaine: a imunoterapia é um tratamento muito eficaz para controle da alergia respiratória, tanto da rinite como da asma. Convido que escreva para nosso e-mail (alergiapgrj@yahoo.com.br) e receba a cópia dos livros sobre a rinite e Alergia. Agradecemos sua visita e suas palavras de incentivo ao nosso Blog.

Marcela Rocha disse...

Oiii Boa tarde...Faço o tratamento da imunoterapia a mais de 2 Anos, tenho rinite alergica, e com o tempo criei mais imunidade nas minhas crises, Graças a Deus, a Dra. Lorena e o tratamento. Adoro esse bloq, e sempre estou pesquisando mais novo recurso para alergia. Infelizmente o SUS nao tem essa vacina..Será que algum dia seremos beneficiadas com esse tratamento?
Gislane a vacina aonde vc mora é muito cara. se puder entra em contato comigo marcelarocha.ce@gmail.com
Feliz Natal a todos...Que Deus possa iluminar sempre vcs!!! Obg..

Fabiola Silva disse...

Estando grávida de 03 semanas posso continuar o uso de desloratadina?

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Fabíola: loratadina é um antihistamínico (antialérgico) autorizado para uso na gravidez. Recomendo que entre em contato com seu (sua) alergista e comunique sobre a gestação para que ele (ela) possa orientá-la adequadamente. Gratos pela visita

Letícia Mottola disse...

Boa noite, tenho asma,sou alérgica, fiz tratamento com vacinas há mais de 4 anos,minha rinite pode-se dizer que curou,ou quase,o muco,catarro era terrível, vivia gripada, agora nem me lembro a última vez que tive uma gripe! Mas,têm um porém, não consigo controlar a asma,por motivo de força maior $,precisei interromper as vacinas, seria um reforço do reforço. Acabou no começo de Janeiro de 2016,já estou na segunda crise e forte. No meu caso há jeito da imunoterapia ainda controlar essa asma? Obrigada

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Letícia: mesmo que não possa no momento retomar seu tratamento com a imunoterapia, é importante tratar sua asma, não apenas nas crises, mas com medicamentos apropriados para controlar a doença e evitar crises. Aconselho que retorne ao seu alergista e peça que a oriente. Convido que escreva para nosso e-mail (blogdalergia@gmail.com) e enviaremos para você uma cópia em PDF do livro: “Alergia, doença do século XXI”. Gratos pela sua visita ao Blog da Alergia.

Fran disse...

existe vacina contra alergia de substancia fio sintetico

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Fran: a alergia provocada por tecidos é em geral resultante de uma dermatite de contato. Neste caso, o tratamento não é feito com vacinas (imunoterapia com alérgenos). Convido que escreva para nosso e-mail (blogdalergia@gmail.com) e enviaremos para você uma cópia em PDF do livro: “Alergia, doença do século XXI”. Gratos pela sua visita ao Blog da Alergia.

Anônimo disse...

Possuo dermatite atópica há 12 anos e não quero tomar mais medicamentos por medo dos efeitos colaterais! Gostaria de saber se é possível tratá-la com imunoterapia?

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

A indicação da imunoterapia na dermatite atópica é indicada dependendo das características clínicas e laboratoriais. Por isso, não há como julgar seu caso em uma avaliação criteriosa e feita pessoalmente. Gratos por sua visita.

REGILENE disse...

Boa tarde, meu filho tem 5 anos e começou a tomar na semana passada a vacina hipoalergênica, através dos exames descobrimos que ele tem alergia a corantes, cacau, ácaro, mofo e tbm tem dermatite atópica muito forte. Nos dois primeiros meses ele terá que tomar a vacina toda semana, pois a cada duas semanas até chegar uma vez ao mês durante um período de 2 a 5 anos. Mas descobrimos que ele tem um déficit intelectual (TDHA)onde terá que tomar RITALINA. Minha dúvida SERÁ QUE PODE TOMAR OS DOIS MEDICAMENTOS?

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Regilene: é importante que o (a) alergista do seu filho seja informada do uso da medicação. Embora não haja relação direta com a vacina, algumas medicações poderão sofrer interação com a ritalina. Gratos por sua visita ao blog da Alergia.

Anonimo disse...

Oi Dr! Minha sobrinha Laura tem 11 anos. Ela se descobriu com DERMATITE ATOPICA em pescoço, dobras do braço e maos. Nos exames descobriu-se alergia a CORANTES E CONVERSANTES. Fico com pena pq eh adolescente E não pode sair p lanchar, não come qq coisa na rua e em casa tem sempre que ler rótulos! Existe vacina p isso? Queria conseguir um tratamento p ela. Essa vacina eh tomada de qto em qto tempo?Marcia Elias/ Bsb-DF

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Marcia Boa noite Não há uma imunoterapia específica para corantes e conservantes. Obrigado por sua participação no Blog da Alergia.

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