08 setembro 2013

Dermatite de contato (DC)

A pele é o órgão que faz o contato do corpo humano com o ambiente. Quando há uma agressão por substâncias que entram em contato com a pele, podem surgir lesões que são conhecidas como dermatite de contato (alérgica ou não). A reação característica da dermatite de contato (DC) é o chamado eczema.
Existem dois tipos principais:
1) Dermatite de contato irritativa (DCI) e
2) Dermatite de contato alérgica (DCA)

A Dermatite de contato irritativa (DCI) é assim chamada porque não é alérgica. É causada pela irritação na pele e em geral resulta de produtos ácidos que têm ação irritativa e fazem surgir as lesões. Algumas substâncias são mais fortes - "irritantes primários absolutos" e causam dano na pele no primeiro ou em poucos contatos. Exemplo: produtos ácidos. Existem também as substâncias consideradas como "irritantes primários relativos" que são mais fracos e necessitam diversos contatos com a pele para que as lesões surjam. Exemplos: detergentes que provocam dermatite nas mãos.

A Dermatite alérgica de contato (DCA) contudo, depende de uma sensibilização, ou seja, a pessoa entra em contato com o produto, desenvolve uma reação imunológica (alergica) específica, que vai gerar as lesões. Depois que se instala, a reação surgirá sempre que a pessoa voltar a ter contato com a substância.

Como a DCA surge após o contato repetido, podem estar relacionadas com o trabalho, resultando nas chamadas "dermatoses ocupacionais". Por exemplo, uma pessoa que trabalha como pedreiro por muitos anos, pode apresentar uma dermatite nas mãos causada pelo cimento.

As dermatites de contato podem sofrer a influência da luz. Neste caso, são classificadas em DC fotoalérgicas, quando são causadas por alergia mas necessitam de exposição à luz para que a lesão apareça na pele e as DC fototóxicas que têm o mesmo mecanismo das DCI mas as lesões só surgem após exposição à luz.  Existem ainda formas mais raras como a DC sistêmica , quando o paciente se sensibiliza por via cutânea e reage quando entra em contato com a substância por via sistêmica e a DC não eczematosa, onde o aspecto da lesão pode se modificar.

Diagnóstico clínico
O diagnóstico da DC se faz pela análise da história do paciente e pelo exame físico, onde o médico observará o tipo, aspecto, tempo de aparecimento e a localização das lesões. O aspecto característico é de um eczema.

O médico atua como um detetive procurando o autor de um crime. Alguns fatores podem ajudar: conhecer a idade, profissão, se tem um hobby ou hábitos de lazer, etc.  
É comum que a lesão se localize na área em que correu o contato Exemplos: 
- Face: cosméticos, maquiagem, materiais em suspensão no ar. 
- Couro cabeludo: tinturas de cabelo, shampoos, fixadores.
- Orelhas: bijuterias, aparelhos de audição, óculos, telefone. 

- Pescoço, bijuterias, perfumes, tecidos, base.

- Axilas: desodorantes, ceras depilatórias, roupas. 
- Mãos: detergentes, sabões, cimento, tintas de jornal, cosméticos, metais. 
- Pés: sapatos, borracha, talco antisséptico, cremes, pomadas.
- Região genital: preservativos, cremes vaginais, amaciantes de roupas.
- Região anal: papel higiênico, sabonetes, supositórios. 
Mas, é preciso atenção pois nem sempre esta é a regra. Exemplo: esmalte de unhas: não é comum que ocorra nas unhas, mas sim em pálpebras, face e pescoço.

Teste de contato
É um teste padronizado que utiliza uma bateriade substâncias, a chamada "bateria padrão brasileira" e/ou a "bateria de cosméticos" e, se necessário, outros antígenos escolhidos de acordo com a suspeita clínica.
As baterias usadas no teste de contato contém as substâncias em concentração e preparação apropriada para teste, ou seja, de forma que possam apontar a positividade sem causar dano à pele do paciente.
O material é colocado em contato com a pele usando fita adesiva hipoalergênica contendo discos aderidos. Após limpeza da pele, o material é aplicado nas costas do paciente, permanecendo por 48 horas. Neste intervalo, não é permitido molhar o local nem realizar exercício físico vigoroso. Após 48 horas o material é removido e realiza-se a primeira leitura, obsrvando se há reação no local de aplicação de cada substância.  A leitura é repetida 72 horas ou 96 horas após aplicação do teste.  É importante manter os cuidados evitando molhar o local para não apagar as marcações feitas em cada local testado.

A interpretação do teste de contato
Se não ocorreu reação em nenhuma das leituras, o teste é considerado negativo. Se a reação não ocorre na primeira leitura e ocorre na segunda leitura (ou se a reação é maior na segunda leitura) é considerada positiva. Mas as reações decrescentes, ou seja, menos intensas na segunda leitura podem indicar uma DCI. Cuidado especial nos testes com diversas substâncias positivas. O resultado deve ser analisado caso a caso.

Se o teste é positivo, tem grande valor diagnóstico. Mas o teste negativo não afasta a possibilidade de uma dermatite de contato.

O resultado negativo pode indicar várias possibilidades, relacionadas ao paciente ou à doença, como por exemplo: pode ser  uma DCI não alérgica; a substância não estava na bateria padrão (pode-se testar com o material próprio de cada caso) ; influência de medicamentos usados (corticóides sistêmicos) Outras são relacionadas ao teste: material não estava na validade, técnica não foi respeitada, concentração estva inadequada, etc.

Mesmo o teste positivo deve ser analisado para que se confirme sua relevância junto à suspeita inicial.  Concluindo, nos casos em que há suspeita de uma dermatite de contato, o papel do médico alergista é essencial em todas as etapas, desde a análise clínica criteriosa de cada caso  bem como na realização e interpretação dos testes de contato.

Tratamento
O princípio básico  e essencial do tratamento é afastar o agente causal.  O tratamento com medicamentos sob forma de pomadas, cremes e loções, bem como medicamentos por via oral é importante para resolução das lesões. 

Dica final
A alergia de contato, uma vez instalada, se repetirá todas as vezes que se repetir o contato com a substância. Uma vez alérgico, será sempre alérgico. Até o momento, a medicina ainda não tem a cura  definitiva do problema. 

Por isso,  além dos medicamentos, o paciente deve ser instruído corretamente que:
- A dermatite de contato é benigna, não é transmissível nem contagiosa.
- A substância causadora deve ser evitada, já que o contato resulta na recidiva da doença.
- É importante conhecer o nome químico da substância causadora mas também onde é encontrada e formas de evitá-la.
- Atentar para a possibilidade de reações cruzadas, ou seja, substancias diferentes mas que podem provocar a mesma reação.
- Equipamentos de proteção nos casos ocupacionais
- Produtos alternativos que não contenham o alérgeno e que possam substituir aqueles que causaram a alergia
Fonte: ASBAI

2 Dê sua opinião:

Isa disse...

Ola!! Estou com o teste de contato nas costas, mas suo muito e ele saiu um pouco do lugar. Acho q não vai adiantar de nada né?

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Isa: é verdadeiro, que a sudorese pode interferir eprejudicar a leitura do teste de contato. Mas, depende do grau de suor e do tipo de reação que ocorreu. Gratos por sua visita.

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