01 março 2017

IgE nem sempre pode prever uma reação alérgica



Fomos questionados sobre um caso interessante:
- Paciente que teve reação alérgica a camarão (coceira no corpo e língua um pouco inchada, realizou exame para saber se era de fato alérgico a esse alimento e o resultado deu baixo (IgE de 5,03 KU/ml).

Desta forma, recebeu a orientação que não precisaria comprar adrenalina autoinjetável, uma vez que a IgE era baixa e a reação não foi tão grave assim (a rigor, esse paciente nem preenche os critérios de anafilaxia).

Essa pessoa foi passar o Carnaval na praia e quase morreu de anafilaxia por camarão! Teve uma reação fortíssima e precisou ser levado ao hospital, de tão mal que ficou. Felizmente, foi socorrida a tempo e já está bem.

O que teria acontecido?
Como todo exame subsidiário, a IgE precisa ser interpretada. A maioria das pessoas acha que para se fazer um diagnóstico basta um exame, mas exames não dizem tudo. É preciso interpretá-los. No caso de reações alérgicas, uma IgE baixa não significa necessariamente baixo risco. Nem IgE alta significa necessariamente alto risco.

A história clínica é muito importante. Se a pessoa tem história de reação alérgica por um alimento e IgE positiva, independentemente do valor, é altamente provável que essa IgE signifique de fato que aquele alimento seja o responsável pela reação. Nesse caso, independentemente do valor, é muito importante que todas as medidas para se evitar tal alimento sejam tomadas, inclusive prescrição de adrenalina autoinjetável.

Outra coisa: o maior risco para uma reação anafilática grave é reação pregressa, ou seja, se o indivíduo já teve reação anterior, o risco de ter uma outra é grande, embora aqui também haja exceções.

Claro que em muitos casos, IgE alta pode estar relacionada com a gravidade ou com o prognóstico (por exemplo, se a pessoa tem anafilaxia a leite e IgE alta para caseína, é pouco provável que tolere esse alimento, mesmo em preparações culinárias, ou seja, o prognóstico é pior), mas não se pode esperar uma função linear para IgE e sintomas clínicos.

O mesmo vale para se afirmar que IgE alta não é sinônimo de anafilaxia e, infelizmente, muita criança deixa de receber leite ou ovo ou qualquer outro alimento apenas por ter IgE positiva, sem nunca ter apresentado reação alérgica. Isso também não é correto.

Então, para simplificar, podemos dizer o seguinte:

Reação anterior, não espere a próxima!
Pode ser pior, independentemente do valor da IgE.


FONTE: CLIQUE AQUI E VISITE O SITE  ANAFILAXIA BRASIL (onde poderá ler este e outros textos)

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