06 julho 2014

Dois terços das mortes por asma são evitáveis

Duas em cada três mortes por asma poderiam ser evitadas através de uma melhor gestão da doença, incluindo planos individuais de tratamento, revisões oportunas dos cuidados necessários e prescrição de medicamentos mais apropriados, de acordo com o primeiro inquérito sobre asma realizado pelo Royal College of Physicians. 

O inquérito avaliou as circunstâncias em que ocorreram as 195 mortes por asma no Reino Unido em 2012 e identificou falhas no atendimento em 70% dos óbitos. As diretrizes de tratamento da asma não estavam sendo cumpridas e em 47% das mortes foram identificados fatores evitáveis. 
Um aspecto abordado foi o desconhecimento da doença e a falta de reconhecimento da gravidade, ocasionando demora na procura de atendimento médico. A maioria dos pacientes não sabia o que fazer, não reconhecia sinais de gravidade e não sabia como ou quando pedir ajuda. 

O relatório do inquérito mostrou que muitos dos pacientes que morreram foram subtratados. É provável que muitos pacientes tratados como tendo asma leve ou moderada tinham na verdade uma asma mal controlada. 

Dos pacientes que morreram, muitos utilizavam apenas inaladores de alívio de ação curta e não usavam medicamentos para controle da asma. Inaladores de corticosteroides para ajudar a prevenir crises de asma haviam sido prescritos, mas a maioria não fazia revisão do tratamento da asma durante o ano anterior à morte.

As crises de asma haviam levado 21% dos que morreram a procurar um serviço de emergência nos 12 meses anteriores e mais da metade desses pacientes tinham feito isso mais de uma vez.  O relatório sugere que cada hospital deve nomear um médico especialista em cuidados com a asma para ser o responsável pelo treinamento e pela melhoria da comunicação entre os serviços primários e secundários de saúde. 

O texto reiterou a necessidade de atenção às recomendações das diretrizes de tratamento:

- tratamento apenas nas crises, excesso de prescrição para alívio, bem como prescrição insuficiente de medicamentos preventivos, são fatores que devem ser corrigidos.

- o atendimento de asmáticos deve ser feito por médicos com formação adequada e experiência no tratamento da asma e deve contar com a participação dos pacientes ou de seus responsáveis.

- a educação do paciente é fundamental para combater mitos, preconceitos e ganhar na aderância ao tratamento.

- pessoas que vão a departamentos de emergência ou são admitidas em hospital para tratar crises de asma devem ser reexaminadas e encaminhadas ao especialista.

- todos os pacientes devem ter um plano de ação individualizado, detalhando seus próprios sinais e sintomas de alerta e quando e como procurar ajuda médica se a sua asma piorar. Este plano deve ser atualizado após revisões periódicas de asma, e ser conduzido por um médico com formação especializada em asma, ao invés de um generalista. 

- pacientes que precisam usar a sua medicação de alívio com mais frequência do que o habitual e não obtêm alívio dos sintomas mostram que sua asma não está sob controle. Aqueles que precisavam usar medicação de alívio mais do que duas ou três vezes por semana necessitam de uma adequação em sua medicação preventiva. 

Os autores concluem: É hora de acabar com a complacência com a asma, pois ela pode matar e mata. Podemos e devemos fazer melhor.

BMJ, de 6 de maio de 2014 NEWS.MED.BR, 2014. Dois terços das mortes por asma são evitáveis, publicado em artigo do BMJ. (Fonte)  

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