14 novembro 2013

Mitos em alergia

Mitos a respeito de alergias alimentares, medicamentosas e respiratórias são comuns. Ainda mais quando cerca de 70% dos usuários de internet buscam, na rede, informações sobre saúde. A falta de filtros que garantam a confiança dos dados faz com que muitas publicações tragam conceitos errados, que acabam compartilhados e reproduzidos em páginas do mundo todo. 

Essa é uma preocupação do alergologista e imunologista David Stukus, do Hospital Infantil da Nação, em Columbia. Durante o 70º Encontro Anual do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia (ACAAI), evento que se realizou nos EUA, o médico advertiu que informações incorretas levam os pacientes a tomar atitudes perigosas e desnecessárias.




Segundo Stukus, cerca de 30% da população mundial sofre de algum tipo de alergia, o que justifica o grande interesse pelo assunto. Principalmente por parte dos pais, já que, com o sistema imunológico ainda em desenvolvimento, crianças pequenas costumam ser as grandes vítimas dessa reação exagerada do organismo a algum agente externo. 

O médico, aliás, diz que muitas pessoas não sabem ao certo o que é uma alergia, o que pode aumentar as confusões. "Trata-se de uma resposta do sistema imune a uma substância específica, que chamamos de alérgeno. Em contato com essa substância, que pode ser pólens, ácaros e algumas proteínas contidas em alimentos, por exemplo, o organismo responde lançando histaminas e outros agentes químicos", diz.  A reação tem como consequência os conhecidos sintomas: espirro, tosse, coceira na garganta e nos ouvidos, irritação na pele e dor no estômago, entre outros. 


Riscos 
Com controle, é possível levar uma vida normal, mesmo rodeado por substâncias irritantes. Para isso, porém, David Stukus alerta que a informação de qualidade é fundamental. "O mesmo vale em relação a pessoas saudáveis. Muitas alteram suas dietas e deixam de consumir coisas de que gostam porque leem sobre alergias alimentares e acham que sofrem daquilo. Essa história da alergia a glúten é uma das mais disseminadas. Quanta gente deixa de comer pão e diz que é porque é alérgica a glúten, sem que médico algum tenha dito isso a ela. Agora, tudo é culpa do glúten", observa. 

Stukus esclarece que a proteína encontrada em grãos pode desencadear efeitos adversos, como diarreia, perda de peso, cansaço e distenção abdominal. Mas isso em pessoas que sofrem de doença celíaca, um mal autoimune, no qual o organismo interpreta que o glúten é uma ameaça ao organismo e passa a atacá-lo, provocando danos na superfície do intestino. "A doença celíaca é uma condição digestiva relativamente comum e não deve ser confundida com alergia", afirma. "Quem acha que tem problemas ao ingerir alimentos com glúten precisa ir ao médico e fazer exames, em vez de mexer na dieta por conta própria", alerta. 

Outra preocupação do médico é com a vacina da gripe. Temendo reações extremas,
pessoas alérgicas a proteínas da clara do ovo evitam a imunização, ficando suscetíveis aos
males da influenza. "Nos últimos anos, foram feitos diversos estudos para avaliar se a vacina desencadearia reações em alérgicos a ovo. Ficou constatado que não há o que temer. A dose é única e muito baixa para provocar qualquer problema", esclarece o alergologista John Kelso, integrante da ACAAI e autor de um estudo sobre a segurança da vacina, publicado na edição do mês passado da revista Annals of Allergy, Asthma and Immunology. "Pessoas que sofrem de asma e alergia respiratória costumam apresentar sintomas mais severos quando estão com gripe, e isso pode levar a um alto índice de complicações. Nos Estados Unidos, mais de 20 mil crianças com menos de 5 anos são internadas anualmente por causa da influenza", conta Kelso. "Os benefícios da vacina são maiores que qualquer risco associado. Embora crianças alérgicas a ovo possam até morrer caso comam o alimento, elas nem sempre estarão sob perigo por tomarem a vacina injetável", garante. 


Enquanto alguns deixam de se proteger por medo de reações alérgicas, outros se expõem ao risco, pensando que estão seguros. É o caso de quem é hipersensível a enzimas liberadas por animais domésticos e, por isso, compram cães e gatos 'hipoalergênicos'. Um exemplo é Bo, o cão da família Obama. Como uma das filhas do presidente americano é alérgica, ao escolher o mascote da Casa Branca, ele levou para casa o cão d'água português, raça que não tem subpelo e, por isso, não desencadearia reações. 

Cachorros antialérgicos são ficção, pois não é o pelo que causa alergia, mas uma enzima que é secretada pela glândula anal e pela saliva. "Não há bases científicas para afirmar que determinadas raças são menos alergênicas que outras", garante Christine Cole Johnson, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública do Hospital Henry Ford. Há dois anos, ela publicou um estudo sobre o potencial de animais domésticos desencadearem crises alérgicas. "Posso dizer que a exposição aos cães no início da vida fornece proteção contra substâncias alergênicas lançadas por esse animal. Mas a ideia de que você pode comprar certas raças que vão causar menos problemas a uma pessoa já alérgica não encontrou apoio na pesquisa".
Fonte

8 Dê sua opinião:

Suzi, bv disse...

ola,preciso muito de ajuda,meu filho de seis anos tem muita alergia a mofo cheiro forte,poeira,rinite alergica,entao esta fazendo o tratamento com vacina,afetou o olho,porque coça muito,teve que fazer uma raspagem n palpebras de tanta alergia e começou interferir na cornea e o oftalmologista falou que pode voltar tada ferida da palpebra de novo,nao sei o que faço qual especialista devo leva,pois ele disse que pode ser imunologico,o que pode ser ,ele falou que tem que descobrir pois o pior e a coceira

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Suzi: você deve levar seu filho a um alergista. O médico que tem título de especialista em Alergia é também um imunologista clínico. Para localizar os médicos portadores de título de especialista em Alergia em sua cidade, sugiro que acesse o site da ASBAI: www.sbai.org.br Procure a aba onde está escrito: "Público" e depois clique em “Localize um especialista”. Abrirá um campo para preencher os dados: clique no Estado desejado (UF) e depois escolha a cidade. Ao final, clique em "Enviar" e abrirá uma lista com os nomes na localidade desejada. Gratos pela visita.

Thiago Rocha disse...

Minha alergia a ácaro e mofo deu ++++, mais forte que a histamina. Inclusive passou mais 2 dias coçando no local do teste. O otorrino me recomendou o tratamento com vacinas. É valido? Tem resultados satisfatórios? ( tenho rinite/sinusite de repetição e algumas amigdalites)

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Thiago: a imunoterapia específica (vacina para alergia) é um procedimento de eficácia comprovada há várias décadas e o único tratamento capaz de modificar o curso das doenças alérgicas. Contudo, para que este tratamento seja eficaz é necessário que esteja bem indicado, seja realizado com extratos alergênicos padronizados e administrado por profissional capacitado e habilitado (alergista). Escreva para nosso e-mail e enviarei para você uma cópia em PDF do livro sobre a Rinite alérgica intitulado: “É mais feliz quem respira pelo nariz”. Gratos pela visita.

Monica Esteves disse...

Olá! Preciso de ajuda pois o meu filho com 5 anos está com alergia.Ele teve a primeira em Agosto e deve que ficar internado, teve urticaria e anafilaxia, fez uso de fernegan,hidrocortizona,adrenalina e nada resolvia. Depois em Outubro outra internação, em Dezembro mais uma urticaria com inchaço em meio a menos de quinze dias 4 idas ao hospital mesmo com medicação, já levei em vários alergistas e não tive resultado. O que eu posso fazer me ajudem por favor! Obrigado.

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Mônica: compreendo sua preocupação, mas infelizmente não tenho condições para emitir um parecer sobre a alergia do seu filho através da internet, baseado apenas nos poucos dados enviados e sem examinar pessoalmente. Chamou-me a atenção o fato de que em quatro meses de evolução ele já tenha sido atendido por "vários" alergistas. Nem sempre é fácil e rápido a definição do tipo de alergia e a identificação do agente causal. A troca constante de médicos pode prejudicar esta investigação. Vale lembrar que não existe um teste ou exame que seja definitivo no diagnóstico das urticárias, sendo a pesquisa cuidadosa médica a base para o diagnóstico do problema. Convido que leia um texto que publicamos sobre o tema:
http://blogdalergia.blogspot.com.br/2008/12/muitas-pessoas-escrevem-para-o-e-mail.html Gratos por sua visita.

sm curtidas disse...

Muito bom!

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Obrigado. Aproveito a oportunidade para convidar você a assinar o Blog da Alergia e passar a receber nossos textos diretamente em seu e-mail. Gratos pela visita.

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