Pular para o conteúdo principal

Eu tenho alergia a celular

Muito se fala sobre os perigos dos celulares. Esses aparelhos, que se integraram à nossa rotina, quase viraram uma extensão de nosso corpo. É natural que despertem reações de paixão e temor. Boa parte delas parece infundada. Já se disse que as antenas das operadoras aumentam o risco de câncer na vizinhança. Alguns afirmam que manter o aparelho com frequência no ouvido pode fritar o cérebro, causando danos nos neurônios. Já se falou até que as ondas eletromagnéticas dos celulares (as mesmas do WiFi de casa, da TV e do rádio comum) podem estourar pipocas. Por enquanto, os estudos não foram conclusivos o bastante para entidades médicas se posicionarem nem para mudar a regulamentação do setor. 

O que há de risco comprovado no uso de celulares é bem mais comezinho. O níquel presente em alguns cromados da carcaça e dos botões pode gerar reações alérgicas. Para quem tem sensibilidade ao material, chamada pelos médicos de dermatite de contato, os sintomas podem aparecer bem rápido. 

Descobri isso na minha própria pele. Há algumas semanas comprei um smartphone novo. Ótimo aparelho. Lindo e brilhante. Agradável aos olhos mas não às mãos. Em menos de 24 horas de uso intenso - e eu uso celular desesperadamente - as pontas dos dedos pipocavam. A pele ficou vermelha e começou a formar uma casca. A sensação era de irritação no local, como se tivesse passado os dedos em areia fina. Dois dias depois, as mãos ardiam, como se eu houvesse queimado os dedos numa panela quente. Desisti do aparelho. Testei outro modelo, de outro fabricante. De novo, o cromado dos botões irritou meus dedos. Voltei a usar o smartphone antigo e a sensação sumiu em poucos dias. 

Graças a era dos smartphones com tela de toque, os fabricantes têm menos oportunidades para usar o cromado nas teclas. Mesmo assim, os dois modelos que me estouraram os dedos eram de última geração. O cromado estava presente nos botões de volume e de liga-desliga. Vários modelos podem gerar essa alergia. A culpa é do plástico cromado. Ele recebe a aplicação de uma camada de tinta misturada com metais, como níquel. São aqueles botões que imitam metal. Já as partes de aço, vidro e plástico pintado com cores lisas (como branco, preto ou azul) não geram essa reação alérgica. 

A alergia a celular cromado despertou atenção dos dermatologistas. Segundo a Associação Britânica de Dermatologistas, a alergia a níquel é a mais comum entre as dermatites de contato no Reino Unido. Estimam que afete 30% da população. Mulheres têm um risco maior de desenvolver a alergia a celular, já que tendem a sofrer exposição maior ao material presente em bijuterias. Um estudo feito por médicos americanos em 2008 examinou o material de 22 celulares populares de oito fabricantes. Dez deles tinham níquel. 

Se a dermatite de contato por níquel for tão comum quanto dizem os dermatologistas britânicos, é possível que mais casos comecem a ganhar visibilidade e os fabricantes passem a avisar quando o aparelho contém o material. Ou podem parar de usar cromado com níquel. Por enquanto, na dúvida, se suas mãos começarem a ficar vermelhas, desconfie do celular. E examine bem na loja o próximo aparelho antes de comprar. 

Este texto é de Alexandre Mansur e foi publicado na Revista Época  em 08/11/2013.
O Blog da Alergia em 2008 também falou sobre o tema. Clique e leia: Cuidado: celular pode causar alergia!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pitiríase rósea

É uma doença conhecida desde 1860, quando foi descrita por Camille M. Gibert, sendo conhecida também como Pitiríase rósea de Gibert. Não se conhece exatamente a causa, mas parece que a hipótese mais viável é que seja ocasionada por vírus, como por exemplo, o vírus do herpes. Mas, é possível que dependa de uma tendência genética do indivíduo, o que seria um facilitador do aparecimento da doença. Questiona-se também outros mecanismos, envolvendo alguns tipos de medicamentos, autoimune, associação com outras doenças, etc. Fatores psicológicos ou estresse podem facilitar o aparecimento da doença, assim como alterações da imunidade e gravidez. Não é contagiosa. É mais comum em adultos, acometendo mulheres e homens, sendo rara em crianças pequenas e em idosos, ocorrendo preferencialmente na primavera e no outono. O maior problema é que sua evolução pode ser prolongada e durar de semanas a meses, assustando o doente. Em alguns casos pode recidivar, mas não é comum que aconteça Quadro c...

Entendendo como os medicamentos controlam e previnem a asma

Atualmente, existem dois principais tipos de medicamentos considerados efetivos para o tratamento da asma: as chamadas medicações de “controle” de uso prolongado e aquelas para o “alívio” rápido dos sintomas . O tipo de medicação necessária e as suas respectivas doses dependerão de uma avaliação inicial da gravidade de sua doença. O tratamento moderno da asma baseia-se numa estratégia gradual, tipo passo a passo: quando sua asma estiver pior, você poderá aumentar a dose do medicamento ou modificar o tratamento. Quando houver melhora, na maioria das vezes você poderá reduzir a dose ou retornar à medicação anteriormente utilizada. Porém, é importante que você sempre consulte seu médico antes de modificar o medicamento prescrito. Os medicamentos de controle de uso prolongado são preventivos e devem ser tomados diariamente. Eles auxiliam você a alcançar e manter o controle de seus sintomas de asma. Como exemplos temos: · Antileucotrienos (Singulair) · Corticoesteróides inalatórios (Pulmico...

Alergia à camisinha – quem responde é o especialista

Camisinha pode causar alergia? Sim. Algumas pessoas podem desenvolver alergia ao uso de camisinha, sendo a causa mais comum o látex, ou seja, a borracha de que é feito o preservativo. Além disso, podem causar alergia: pigmentos (usados para dar cor), aromatizantes (que dão sabor), espermicidas e lubrificantes. Como posso saber se tenho alergia à camisinha? As reações mais comuns são: coceira, vermelhidão, inchaço e até pequenas feridas na região da vagina ou do pênis. As reações podem aparecer durante ou logo após o uso da camisinha. O que fazer se não posso usar camisinha? O primeiro passo é tentar usar uma camisinha simples, seca, sem pigmentos, lubrificantes, etc. Outra opção é trocar a marca da camisinha pois a sensibilidade pode resultar de outras substâncias usadas na sua manufatura. Se o incômodo persistir, pode-se usar camisinhas sem látex, feitas com poliuretano ou com pele de animais. Infelizmente são bem mais caras e nem sempre fáceis de encontrar. .A camisinha...