24 novembro 2013

Alergia ao látex


Látex é um produto extraído da árvore da borracha (seringueira ou Hevea brasiliensis), sendo utilizado no fabrico e manufatura de muitos materiais para uso médico: luvas, sondas, drenos, garrotes, entre outros e no uso pessoal: chupetas, brinquedos, balões de festa, infláveis, preservativos, produtos dentários, entre outros. Calcula-se que mais de 40.000 produtos de uso médico e de uso corrente contém látex e com os quais entramos em contato, seja através da pele como pela respiração. O ambiente hospitalar contem partículas de látex inaláveis, permitindo seu contato com a mucosa das vias respiratórias. 

Grupos de risco 
A alergia ao látex é mais comum em: 
- Médicos e profissionais de saúde, em especial aqueles que trabalham em centros cirúrgicos. É comprovado que a manipulação das luvas de látex libera partículas de látex ligadas ao talco no ambiente. Hospitais, clínicas e ambulâncias podem conter índices elevados de alérgenos do látex no ar, que podem ser inaladas e provocar sintomas. 
- Crianças portadoras de espinha bífida (uma doença grave que necessita de cirurgias repetidas) ou crianças que necessitem cirurgias múltiplas, como aquelas portadoras de malformações congênitas. 
- Trabalhadores com exposição ocupacional ao látex, seja por trabalharem de luvas ou equipamentos de proteção de borracha , como aqueles que trabalham diretamente na indústria da borracha ou têm contato com a árvore (seringueiros). 

Sintomas da alergia ao látex 
- Na pele: A reação mais comum é a dermatite irritativa, causada pelas lavagens repetidas das mãos com detergentes e desinfetantes e pelo contato com o talco das luvas. Contudo, o contato direto e frequente com os produtos com látex pode provocar uma série de dermatites, eczemas e até urticária. Destaca-se a Dermatite de contato alérgica (DCA) que pode surgir horas ou dias após o contato. Os casos de urticária de contato se acompanham de lesões que surgem 10 a 30 minutos após contato com as luvas. 

- Na respiração: a inalação de partículas do látex pode provocar: rinite, conjuntivite e/ou asma. Neste caso, o talco (amido) das luvas contribui para que as partículas fiquem em suspensão e sejam inaladas. 

- Anafilaxia: conhecida popularmente como choque anafilático, pode ocorrer em pessoas sensíveis, em especial quando submetidos a cirurgias ou procedimentos invasivos. Estudos apontam o látex como segunda causa de anafilaxia perioperatória, depois dos relaxantes musculares. 

Síndrome látex-fruta
Sendo o látex originário de uma árvore, algumas pessoas alérgicas ao látex podem apresentar também sensibilidade à algumas frutas e outros alimentos de origem vegetal. Mais de 20 alimentos já foram relatados como causadores dessa reação. Entre eles destacam-se: castanha portuguesa, banana, abacate, kiwi, mamão papaia, manga, maracujá, pêssego, abacaxi, figo, melão, damasco, ameixa, uva, lichia, acerola, tomate, batata, mandioca, espinafre, pimentão, e trigo sarraceno A suspeita da alergia alimentar associada à alergia ao látex baseia-se na observação do surgimento de reações sugestivas com a ingestão do alimento. Geralmente a sensibilização ao látex precede a sensibilização às frutas, mas pode ocorrer o inverso. 

Diagnóstico da alergia ao látex
O reconhecimento da alergia ao látex é feita baseado na análise dos sintomas e dos dados clínicos de cada paciente. 

A confirmação pode ser efetivada com os testes (na pele e/ou no sangue). 
- O teste cutâneo é feito utilizando extrato padronizado de látex, por método de puntura e leitura imediata. É seguro e eficaz. 
- Testes de contato (patch tests) podem ser feitos com látex e com derivados de borracha, contribuindo para diagnóstico de alergia ao látex e aos aditivos da borracha. 
- Nos casos de suspeita de síndrome látex fruta, recomenda-se realizar testes cutâneos com alimentos e em alguns casos, com o alimento in natura. 
- A dosagem da IgE específica para látex no sangue do paciente pode contribuir para o diagnóstico, bem como para monitorização da sensibilidade do paciente. Mas, não substitui o teste cutâneo, de menor custo e maior sensibilidade. 
- Testes de provocação: em geral são realizados com luvas de látex, mas incorre em risco, devendo ser realizado com acompanhamento médico e em ambiente hospitalar. Medidas de prevenção 

O acompanhamento com médico especialista em Alergia é essencial para diagnóstico e controle deste tipo de sensibilidade. Vale ressaltar que pessoas sensibilizadas ao látex não têm maiores riscos com a borracha sintética (elastômeros sintéticos), como por exemplo, neoprene e nitrilo.

Cuidados especiais:

- Evitar ou minimizar o contato com alérgenos do látex. 
- Uso de luvas especiais nos casos suspeitos 
- Preservativos e objetos sem látex 
- Realização de cirurgias em ambientes isentos de látex 
- Os portadores de alergia ao látex devem portar um cartão ou identificação específica. 
Há cerca de 2 anos, a ASBAI e a SBA (Sociedade Brasileira de Anestesiologia), revindicam junto à ANVISA a obrigatoriedade de rótulos de produtosmédicos/hospitalares conterem a informação quanto a presença ou não de látex ("contém látex" ou "não contém látex"). 
Fonte: ASBAI - Imagem: la alergia


Leia mais sobre o tema:
- Alergia a camisinha
- Alergia a luvas
- Alergia ao látex

2 Dê sua opinião:

Maria cardoso saraiva disse...

Muito me ajudou! Obrigada

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Que bom que gostou, Maria Cardoso. As suas palavras são um incentivo ao nosso trabalho voluntário. Aproveito a oportunidade para convidar você a assinar nosso blog e receber gratuitamente nossos textos diretamente em seu e-mail

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