30 Outubro 2011

Alergia e Odontologia

A ocorrência de reações alérgicas na odontologia é baixa, quando se compara com o número total de procedimentos. A maioria destas reações é de pequena monta e resolvidas de imediato. Contudo, em alguns casos, podem assumir proporções significativas. 


- Alergia ao látex 
A prevalência deste tipo de alergia tem aumentado significativamente nas ultimas décadas, seja pelo hábito do uso de luvas no atendimento ao cliente, como pelo maior reconhecimento da doença pelos especialistas. Além disso, o látex também é empregado na confecção de acessórios odontológicos. A alergia ao látex das luvas pode se manifestar de formas variadas: A alergia ao látex afeta predominantemente o profissional, podendo ocorrer sob a forma de dermatite de contato ou como reação do tipo anafilática. A alergia ao látex das luvas pode se manifestar de formas variadas: 1) Dermatite de contato irritativa: resulta da ação direta da borracha sobre a pele, que se torna ressecada e irritada. Pode ser amplificada pelo uso de sabões, umidade e pelo talco das luvas. 2) Dermatite de contato por mecanismo alérgico (imunológico) gerando eczema no local de contato com as luvas; e 3) Reação alérgica de sensibilidade às proteínas do látex, podendo ocorrer pelo contato com a pele ou pela inalação de partículas de proteína transportadas no ar pelo pó das luvas. Neste caso pode gerar sintomas variados: na pele, respiratórios, oculares, ou até mesmo um quadro anafilático. 


 - Alergia aos anestésicos 
Anestésicos são medicamentos importantes na prática odontológica, conferindo conforto e permitindo condições adequadas para a realização de procedimentos. Se levarmos em conta o número de vezes em que estes anestésicos são usados no dia a dia, fica clara a sua segurança com relação a efeitos adversos. Anestésicos locais podem ser de grupos químicos diferentes. Além disso, contem também aditivos (conservantes, antioxidantes, entre outros) ou podem ser usados em associação a um vasoconstritor. Reações aos anestésicos locais nem sempre são alérgicas, sendo as mais comuns as reações de ansiedade e medo, chamadas “vaso-vagais”, que se manifestam com sudorese, mal estar, taquicardia, vertigem e desmaio. Citam-se ainda as chamadas reações tóxicas, que resultam de injeção excessiva do anestésico ou por introdução acidental nos vasos sanguíneos da região anestesiada. As reações alérgicas são mais raras (cerca de 1%), ocorrendo apenas em pessoas sensíveis e predispostas. Manifestam-se de formas variadas, englobando desde sintomas leves até quadros intensos e graves. 


 - Alergia a medicamentos
Antibióticos, analgésicos e antinflamatórios são medicamentos usados em conjunto ao tratamento odontológico. As reações alérgicas podem variar de uma coceira e irritação da pele, até formas graves. Uma grande dificuldade é que as reações são imprevisíveis, surgindo em pessoas que já tomaram o medicamento anteriormente. 


 - Alergia a produtos usados nos procedimentos odontológicos 
Neste grupo, englobamos uma série de substâncias utilizadas em tratamentos odontológicos, como por exemplo: amálgamas dentários, resinas, metais, flúor, implantes, etc. As reações de causa alérgica (imunológica) têm baixa incidência, comparativamente ao alto número de procedimentos onde estes componentes são utilizados. 


- Metais: neste grupo se destaca o níquel produto utilizado em múltiplos produtos do dia a dia, sendo a sensibilização mais descrita nos testes de contato. Ligas de níquel devem ser evitadas em pessoas sensíveis à substância. Ligas de titânio são utilizadas como alternativa para os pacientes com alto potencial alergênico, pois é um metal de excelente biocompatibilidade. Contudo, há relatos de sensibilidade ao titânio (dor, coceira. eritema, edema), podendo resultar em falhas de implantes dentários. 


- Resinas acrílicas, monômeros acrílicos e metacrilatos: a incidência é baixa, mas podem provocar reações variadas, sendo mais comuns: dor, inchação, coceira e erupção no local e mais raramente, urticária. 


- Flúor: é um produto amplamente utilizado na prevenção de cáries, com segurança e raras descrições de alergia. 


Como saber se um paciente é alérgico a um determinado material? 


A realização da anamnese faz parte da rotina do dentista. Ou seja, o profissional avalia o histórico da saúde do paciente, incluindo perguntas relacionadas à ocorrência de alergias e reações de hipersensibilidade, conferindo segurança e tranqüilidade no tratamento. Havendo dúvida, o paciente é encaminhado a um médico alergista para avaliação mais aprofundada. 


A odontologia moderna se preocupa cada vez mais com a biocompatibilidade dos produtos usados nos tratamentos dentários. Considera-se uma substância como biocompatível, quando não tem capacidade de provocar reação tóxica, irritante, inflamatória, alérgica ou de fundo mutagênico ou carcinogênico. 


 Dicas 
- Faça sempre a prevenção
- Informe ao dentista sobre reações alérgicas prévias 
- Converse com seu dentista, esclareça suas dúvidas e assim diminuirá sua ansiedade 
- Procedimentos em pessoas alérgicas ao látex podem ser realizados com cuidados especiais e utilizando produtos isentos da substância.

26 Outubro 2011

Meu filho tem asma. Ele pode fazer educação física?

Sim. A asma controlada não é impedimento para prática de exercício. 
Alguns pais têm medo de que a criança ao se exercitar possa piorar sua doença. As crianças portadoras de asma devem ser avaliadas pelo médico especialista: algumas podem ter tosse, falta de ar ou cansaço quando realizam esforço físico. Outras não mostram dificuldade aos esforços.

Algumas crianças não são orientadas e mediante o desconforto instintivamente se afastam de tudo que exige esforço físico: não querem brincar, evitam correr e muitas vezes são os goleiros nos jogos de futebol. O médico orientará o uso de remédios, se forem necessários.
O importante é entender que a asma não deve se tornar obstáculo para a prática de esportes. O professor de educação física deve ser comunicado sobre a asma do aluno e receber orientação sobre a doença, sintomas, bem como sobre os sinais de agravamento da asma e sobre as medidas a tomar se a criança desenvolver sintomas da asma aguda. As crianças maiores já podem ser instruídas para terem uma participação ativa neste processo. 

Quando se fala de natação, é comum que seja indicada como um “tratamento” para a asma. A natação é uma excelente prática desportiva, mas não tem o poder de curar a asma. É um exercício bem indicado para os asmáticos, mas a avaliação médica é fundamental para o aproveitamento do esporte. 

Com a doença controlada, o asmático poderá usufruir os benefícios do exercício - basta lembrar o grande número de atletas que conseguiram ser recordistas em suas modalidades apesar de ter asma.

23 Outubro 2011

Asma e Rinite

Cerca de 80% das pessoas que têm asma, têm também rinite alérgica. Infelizmente, quando as duas doenças se associam, é comum que a alergia nasal fique relegada para segundo plano. 

A verdade é que ninguém respira apenas com o nariz ou apenas com os pulmões. Trata-se de um trabalho integrado, onde cada parte do aparelho respiratório é interligada e essencial para uma respiração saudável. O nariz é a primeira defesa das vias respiratórias e participa de várias funções importantes como a olfação, o paladar, a fala (auxilia na ressonância da voz). É nele que começa o trabalho respiratório. O ar, ao passar pelas narinas, é filtrado, limpo, aquecido, umedecido e condicionado de modo a chegar ao tecido pulmonar plenamente preparado para a passagem do oxigênio do ar para o sangue, essencial para a vida humana. Nariz e brônquios compõem a mesma via respiratória: um único caminho, revestido por um mesmo tipo de mucosa. 

Respirar é essencial para uma adequada qualidade de vida, colaborando para o repouso, sono, apetite, paladar, fonação, tranqüilidade, etc. Ou seja, se respiramos bem, vivemos bem, mas se a respiração está prejudicada, altera-se o sono, apetite, poder de concentração, estudo, falta-se à escola e ao trabalho, etc. E não faz a menor diferença se o prejuízo da respiração ocorre no nariz ou nos pulmões, pois o resultado será sempre o mesmo: prejuízo da respiração e da qualidade de nossa vida. Por isso, corrigir problemas nasais é tão importante quanto tratar as doenças pulmonares. 

Leia os argumentos e tire a conclusão
- A asma é uma doença da via respiratória bronco-pulmonar e a rinite alérgica, uma afecção do nariz e seus anexos. 
- A asma é uma doença que se caracteriza por crises de falta de ar, chiado e sensação de aperto no peito, geralmente acompanhadas de tosse. 
- A rinite alérgica se manifesta por crises de espirros, coriza, coceira e entupimento nasal, podendo atingir também os olhos, ouvidos e a garganta. 
- A rinite alérgica pode ser uma manifestação inicial da asma. 
- Se uma pessoa apresenta asma associado à rinite, as crises tendem a ser mais graves comparadas aquelas que só tem asma e não tem sintomas nasais. 
- O tratamento da rinite melhora a asma. 
- Algumas pessoas tiveram asma na infância deixam de ter crises, mas mantém rinite, que não valorizam, não tratam e na idade adulta podem voltar a ter asma. E, na base das duas doenças, estão os mesmos problemas: a inflamação que atinge as vias respiratórias e a alergia aos ácaros da poeira de casa e aos inalantes. 

É fácil concluir que a asma e a rinite alérgica são doenças intimamente ligadas. Uma pessoa que sofra de rinite alérgica está mais exposta a ter asma. E, nas pessoas que sofrem dos dois problemas, é essencial tratar a rinite para se obter sucesso no controle da asma.

12 Outubro 2011

Nosso Sistema Imune

Recebemos muitas perguntas sobre as doenças causadas por alterações do sistema imunológico.
Nada melhor para esclarecer dúvidas do que visitar o site da ABRI (Associação Brasileira de Imunodeficiência). Esta associação reune médicos, parentes e amigos no apoio aos pacientes, para reconhecimento e tratamento precoce destas patologias.

Imunodeficiência é um grupo de doenças, caracterizadas por um ou mais defeitos do sistema imunológico. Como conseqüência destas alterações, o indivíduo se torna mais propenso a apresentar grande número de infecções. 


O sistema imunológico é como um exército, onde existem diferentes armas, todas importantes para manter a defesa do organismo de forma adequada. A primeira linha de defesa é formada por células do sangue, denominadas glóbulos brancos (fagócitos), e por proteínas do sangue capazes de destruir microorganismos (sistema complemento). Quando estes componentes não conseguem destruir os microorganismos, o organismo lança mão de células específicas, denominadas linfócitos T e B. Imunodeficiência é um grupo de doenças, caracterizadas por um ou mais defeitos do sistema imunológico. Como conseqüência destas alterações, o indivíduo se torna mais propenso a apresentar grande número de infecções.
Parece complicado, mas tudo se esclarece com a leitura do livro "Nosso sistema imune", que explica de forma clara como funciona o sistema imune normal e quando há uma deficiência neste sistema. Este e outros livros estão disponíveis para download no site da ABRI.  

02 Outubro 2011

Poluição e alergia

A Organização Mundial de Saúde lançou um alerta: o Rio de Janeiro tem um índice de poluição do ar três vezes superior aos níveis recomendados e pior que o da cidade de São Paulo, que por sua vez ultrapassa em duas vezes este mesmo índice. De 91 países avaliados, o Brasil é o 44° com maior índice médio de poluição do ar. Entre as 1,1 mil cidades avaliadas, o Rio de janeiro ocupa a 144ª colocação entre as mais poluídas: por cada metro cúbico de ar a taxa é de 64 microgramas de poluição, sendo que para a OMS, o ideal seria uma taxa de apenas 20 por metro cúbico de ar. 

Uma das causas dessa poluição é a fumaça produzida pelos carros. Os índices altos de poluição se relacionam diretamente com o aumento de doenças respiratórias. O Brasil é o nono país do mundo em mortes por problemas respiratórios. 

E, no caso das doenças alérgicas, como atua a poluição? 

O trabalho publicado recentemente por um dos médicos da equipe da Clínica de Alergia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, Dr. José Luiz Rios aborda este tema. 

É sabido que a poluição atua como um irritante das vias respiratórias, podendo agravar uma doença alérgica já existente. A questão mais polêmica é saber se a poluição atmosférica seria capaz de induzir a sensibilização a um antígeno, de forma a provocar uma resposta alérgica e contribuir para o aparecimento de alergia e não só intensificando uma doença já instalada anteriormente. 

No Japão, não existia polinose no fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje sua prevalência supera 10% da população. Este aumento é impressionante coincide com o grande aumento do número de veículos a diesel no país. E mais: foi demonstrado que a incidência de alergia ao pólen é maior nas pessoas que residem ao longo de rodovias de tráfego intenso cercadas de árvores (Japanese cedar, um tipo de cedro japonês) comparados às pessoas moradoras em áreas de florestas com grande quantidade desta mesma árvore, porém com menor tráfego de veículos. 

No Rio de Janeiro, os autores constataram maior prevalência de asma em crianças moradoras de Duque de Caxias (área mais poluída) em comparação com crianças residentes em Seropédica (município com atmosfera não poluída). 

Estudos recentes mostram crescentes evidências que a exposição ao ar poluído seria capaz de alterar determinadas células chamadas regulatórias ou Tregs, que têm ação protetora nos brônquios. Além disso, as evidências apontam que a exposição às partículas de diesel é capaz de promover a sensibilização alérgica. 

Concluindo, os poluentes atmosféricos como o ozônio e as partículas de diesel podem estar associados não apenas à piora da doença mas também ao aumento da prevalência da asma. Da mesma forma, estes poluentes são capazes de induzir ao longo dos anos alterações na resposta à sensibilização a alérgenos, contribuindo para o aumento da prevalência de doenças alérgicas. 

A poluição é um grave problema de saúde ambiental. Governantes, legisladores e a população em geral devem ter em mente que reverter este quadro é possível, mas necessita interesse e união de todos nesta luta. 

Fonte: Rev. bras.alerg.imunopatol.34,nº2,2011
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