27 Março 2011

Creche e doenças alérgicas

backyardigans
A vida moderna obriga as mães a colocarem seus bebês em creches cada vez mais cedo. E chega o outono a queixa começa a surgir: febre, tosse, catarro, numa sinfonia indesejável. 


Mas, por que os bebês adoecem?
É preciso entender que o ser humano nasce indefeso. Na realidade, os anticorpos que possui se originam da mãe, através da placenta na gravidez e do leite materno após o nascimento. Por isso é tão importante a amamentação no primeiro ano de vida.


A produção de anticorpos pelo bebê é lenta e começa mais tarde. É normal que a criança pequena, mesmo saudável, tenha uma imunidade imatura que só se resolverá com o passar do tempo, na medida em que o sistema de defesa adquire maior experiência frente às agressões. Nessa faixa de idade, a alergia não é a grande vilã na maioria das vezes. Mas pode ser uma importante coadjuvante.


Enfatizo que na maior parte das vezes, estas crianças não têm um problema sério de saúde e nem a imunidade baixa. Existem crianças que são portadoras de doenças do sistema imunológico (imunodeficiências). Mas, neste caso é diferente: o desenvolvimento infantil se altera, há uma nítida dificuldade para ganhar pêso, as infecções são severas, há necessidade de internação hospitalar e o restabelecimento é muito lento. Até a aparência da criança se altera pela doença.


Estamos falando de crianças normais e que passam por uma dificuldade própria de sua idade. Estudos comprovam que até os 4-5 anos de idade, é normal que uma criança tenha de 8-10 resfriados (viroses) por ano. Não há uma regra que sirva para todas as crianças. A maioria fica bem com o passar do tempo. Na verdade, nossos pais e avós tinham razão: o ideal seria começar a frequentar escolas por volta dos cinco anos. Mas é preciso viver a realidade de hoje. Então, vamos lá:


10 Dicas para pais e responsáveis


1. Ao procurar uma creche ou escola, verifique se as instalações se encontram dentro dos padrões estabelecidos pela vigilância sanitária municipal. Por exemplo, alguns dos principais fatores de disseminação das infecções respiratórias são a aglomeração de alunos numa sala de aula ou berçário de creche e o grau de ventilação e renovação de ar destes ambientes. Hoje em dia, é comum encontrarmos salas de aula e berçários de creches refrigerados. Se por um lado aumenta o conforto dos alunos, por outro diminui a ventilação e renovação de ar destes ambientes. Além disso, deve-se observar o grau de manutenção dos filtros dos condicionadores de ar, pois quando a limpeza é descuidada, pode contribuir para o agravo no aparelho respiratório das crianças.


2. Observe também a localização do colégio. Verifique se na vizinhança existem indústrias poluentes ou estabelecimentos de serviço que possam contribuir para piorar a qualidade do ar na localidade (oficinas para pintura automotiva, por exemplo).


3. Leve seu filho periodicamente ao pediatra, mesmo que esteja bem. Tanto faz que seja no serviço público, médico do convênio ou médico particular. Mas, sempre que possível, dê preferência que seja sempre o mesmo médico. Isto facilita muito as coisas já que além de haver um natural estreitamento de relações entre o médico, a criança e familiares, ele passará a conhecer melhor a criança, facilitando sobremaneira seu acompanhamento.


4. É importante ressaltar que o pediatra deve ser o maestro e poderá indicar o concurso de colegas de outras especialidades para auxílio no diagnóstico e tratamento. Se a criança for alérgica, é importante que o tratamento seja feito em harmonia com o alergista.


5. Nâo leve a criança para a creche ou escolinha se estiver febril, para evitar contaminar os coleguinhas.


6. Evite levar a criança ao pronto socorro ao primeiro sinal da febre. Se possível, ligue para o pediatra ou para o alergista e peça uma orientação.


7. Lembre-se: a boa saúde imunológica depende de vários fatores, incluindo uma alimentação saudável e balanceada (hortaliças, legumes, frutas, cereais, carnes, peixes, ovos, leite, etc...). Evite vícios alimentares (excesso de refrigerantes, frituras, fast food, guloseimas, etc.).


8. Mantenha a caderneta de vacinação de seu filho em dia. Quando indicado, o médico poderá prescrever vacinas adicionais. Por exemplo, crianças alérgicas se beneficiarão com a vacina anual para gripe.


9. Dentro de casa não exponha seu filho a fumaça do cigarro. Não fume e não deixe que fumem em sua casa ou junto à criança.


10. Esportes e vida ao ar livre são muito positivos. Mas, cuidado com a natação! Trata-se de um excelente exercício aeróbico desenvolvendo bastante a capacidade respiratória. O problema é que crianças alérgicas portadoras de rinite alérgica descompensada, asma não controlada e dermatite atópica podem piorar sua alergia, seja pelo exercício físico seja pelo contato com água clorada.
Quem tem piscina em casa sabe que durante o verão há necessidade de se clorar mais a água seja pela maior utilização da piscina como também pela maior evaporação do cloro em decorrência da maior insolação da estação. Saiba também que as tais “piscinas salinizadas” apesar de terem uma quantidade de cloro menor que as que recebem tratamento tradicional não são totalmente isentas deste sal. Ou seja, cada caso é um caso! Por isso, antes de iniciar a prática do esporte, converse a respeito com o alergista.


Enfim, pequenos cuidados podem no final fazer uma grande diferença. E, o mais importante, mantenha um diálogo saudável com a equipe escolar, esclareça dúvidas, informe sobre os remédios e sobre as necessidades médicas da criança.

20 Março 2011

Alergia a batons


Batons são amplamente utilizados na população, não só pelas mulheres como por homens, em especial em ambientes profissionais, onde muitas vezes é exigido o uso do cosmético.


A maioria das reações ocasionadas por batons é do tipo alergia de contato, localizada na área externa dos lábios, geralmente poupando a mucosa da boca. Em alguns casos, as lesões podem se espalhar pela face, na medida em que piora. Algumas pessoas usam o batom como blush em suas bochechas,ou mesmo como sombra em pálpebras, favorecendo com que a alergia surja em áreas inesperadas da face, confundindo o diagnóstico.


Principais Sensibilizantes

As substâncias que provocam a sensibilização são os corantes, perfumes, veículos e mais raramente, os excipientes. A eosina (tetrabromofluoresceína) é a substância que mais causa sensibilização.
Veículos: Lanolina, Cera de abelha, Cera de carnaúba, Óleo de castor, Óleo de mamona
Corantes: Eosina, Tartrazina, Carmin, Fluoresceína, Ponceau
Fragrâncias: Óleo de bergamota, óleo de lavanda, essência de rosas
Outras substâncias: Bronopol, Parabenos, Resorcina e até mesmo os metais contidos nos estojos devem ser levados em conta.


A alergia aos batons surge de forma inesperada mesmo em pessoas que já faziam uso do cosmético e não da primeira vez, como se pensa. Os lábios ficam irritados, coçam muito, ardem. Vermelhidão e inchaço podem ocorrer. Com o passar do tempo, a alergia pode se agravar ocasionando uma reação de eczema no local. 


O diagnóstico é feito pelo alergista analisando o histórico clínico e a rotina de maquiagerm da paciente. O exame clínico das lesões fundamenta a suspeita. A realização de testes de contato confirma a alergia e detecta as substâncias suspeitas.


O tratamento se baseia no afastamento do produto. A opção é o uso de batons hipoalergênicos, que não contém as mesmas substâncias, sendo bem aceitos pela maioria das consumidoras. Em geral, utilizam ingredientes vegetais, manteiga de Karitê e outras, sem as substâncias potencialmente alergênicas da maioria dos batons comuns. É importante ressaltar que o fato de um produto ser hipoalergênico não garante que não provocará alergia, mas a chance é bem menor.


Um caso famoso de alergia a cosméticos é a senadora Marina Silva, que dá uma dica interessante às alérgicas e vaidosas, que não abrem mão de um colorido nos lábios: raspas de beterraba aplicadas com pincel. E acrescenta: como a beterraba seca rápido, uma gota de óleo de coco dá um efeito “gloss” ao produto. Leia mais aqui.


Dicas
- Hidrate os lábios
- Evite passar a língua para umedecer o lábio, pois a saliva provoca ressecamento.
- O uso de filtro solar protege a pele dos lábios da exposição ao sol.
- Utilize sempre produtos de fonte confiável, com registro de aprovação pela Anvisa.
Leia outras dicas aqui.

13 Março 2011

Como usar os sprays nasais

Corticóides para uso nasal
* São medicamentos eficazes para tratar a rinite alérgica
* Têm um bom perfil de segurança, podendo ser utilizados por tempo prolongado.
* Estes medicamentos não têm os efeitos colaterais dos corticóides usados sob a forma de comprimidos, xaropes ou de injeções.
* Não viciam e não engordam.
* Devem ser usados diariamente, mesmo que os sintomas estejam controlados.


Mas, é importante que sejam aplicados com técnica adequada. O jato do spray não deve ser aplicado em direção ao septo nasal, mas sim para as às asas laterais das narinas. Desta forma o medicamento se distribuirá melhor e com menor risco de efeitos colaterais como por exemplo: ardência, irritação e sangramento local.

Como usar o spray nasal
1) Antes do uso, lave as narinas com solução fisiológica e assoe suavemente
2) Agite o frasco e remova a tampa
3) Segure o frasco na posição vertical, mantendo o polegar na sua base e colocando os dedos médio e indicador em torno do bico aplicador.
4) Se estiver usando pela primeira vez, dispare a válvula até que ocorra a liberação uniforme do medicamento.
5) Incline levemente a cabeça para baixo, como se estivesse lendo um livro.
6) Introduza  a ponta do aplicador na narina  e pressione para disparar o jato

Tenha o cuidado de aplicar com a mão esquerda na narina direita. Depois, utilize a mão direita para aplicar na narina esquerda. Assim, o jato disparado não atingirá o septo nasal.
7) Repetir o procedimento na outra narina
8) Limpe  o aplicador e guarde tampado a fim de proteger o aplicador.


Corticóides para uso intra nasal disponíveis no Brasil são: Dipropionato de Beclometasona (Alerfin nasal, Beclosol e Clenil nasal), Budesonida (Budecort aqua, Busonid e Noex); Propionato de fluticasona (Flixonase, Flutican, Plurair) Furoato de Fluticasona (Avamys), Furoato de mometasona (Nasonex), Triamcinolona (Nasacort) e Ciclesonida (Omnaris).

Fonte: World Allergy Organization

09 Março 2011

Volta às aulas - a escola e crianças alérgicas


Crianças permanecem grande parte do seu dia na escola. Mas, professores e membros da equipe escolar nem sempre estão preparados para lidar com crises ou dificuldades decorrentes das alergias.

Asma, Rinite, Dermatite Atópica, Alergia ocular, Alergia alimentar, são exemplos de doenças alérgicas comuns na faixa etária escolar, podendo causar desconforto e ocasionar faltas às aulas.

No caso da asma, a preocupação é dirigida à possibilidade de crises. Além disso, é preciso orientar os professores de educação física a se familiarizarem com a doença, suas formas de manifestações e necessidades específicas no tocante à realização de exercícios físicos ou no uso de medicação de resgate para crises. Estudo recente mostra que uma grande parcela de professores admite não conhecer os passos para atender uma crise asmática.

Crianças alérgicas a alimentos estão sujeitas a sofrer reações sérias no caso de uma ingestão inadvertida, incluindo casos anafiláticos. Por exemplo, uma criança alérgica ao leite não poderá ingerir não apenas leite, mas também diversos derivados lácteos, incluindo manteiga, bolos, biscoitos, etc. Estas crianças precisam receber um tratamento de emergência incluindo aplicação de adrenalina, medida capaz de evitar a progressão para quadros graves e até morte.

Problemas

- Presença de fatores que podem desencadear sintomas respiratórios no ambiente escolar.
- Dificuldade no acesso imediato à medicação de urgência.
- Efeitos colaterais dos remédios usados no tratamento da alergia podem interferir no aprendizado e no rendimento escolar.
- Dificuldades no convívio com colegas e com a equipe docente.
- Dificuldade na participação nas aulas de educação física.
- Preconceitos e mitos por parte de colegas e até mesmo de professores em relação às alergias e seu tratamento. Por exemplo, uso de “bombinhas” no período escolar.

Medidas preventivas

- No ato da matrícula, informar à escola as possíveis alergias do aluno.
- Orientar professores e membros da equipe escolar no reconhecimento de sinais e sintomas de alergia.
- Manter medidas de controle ambiental na escola. Limpeza das dependências utilizando pano umedecido, evitando produtos de odor ativo.
- Portadores de asma e rinite devem sentar afastados do quadro negro, para evitar o pó do giz.
- Crianças nem sempre conseguem expressar verbalmente suas dificuldades. Alterações de comportamento e de humor devem ser comunicadas aos pais para que sejam buscadas possíveis causas. Por exemplo, o desconforto de uma noite mal dormida pode levar a sintomas de desatenção, cansaço e irritabilidade.Por outro lado, o uso de antialérgicos pode provocar sonolência. Alguns corticóides sistêmicos podem causar irritabilidade infantil.
- Asmáticos devem ser incentivados a participar das aulas de educação física e de atividades esportivas, desde que estejam com sua doença sob controle. A integração entre a escola e as informações médicas é essencial.
- Programação de possíveis obras nas dependências da escola para o período de férias escolares.
- Alergias alimentares devem ser comunicadas a fim de que haja uma programação do cardápio da merenda e das refeições durante o horário letivo.

É responsabilidade médica investir na educação e informação adequada sobre as doenças alérgicas, formas de prevenção e tratamento. Em resumo, é fundamental que se estabeleça uma ponte entre os serviços de Saúde e a escola, esclarecendo mitos, divulgando conceitos adequados e corretos aos professores e membros da equipe escolar, proporcionando às crianças alérgicas um ambiente saudável e seguro para seu crescimento físico, mental e social.

05 Março 2011

Carnaval sem alergia - sprays de neve

Carnaval é festa de alegria e muita diversão. Carnaval combina com sol, verão, férias, descanso e muita e animação. Folia, música, confete e serpentina! 


Serpentina? Que coisa mais antiga... A onda agora é usar sprays de neve e serpentina artificial, que nos últimos anos tomaram espaço e invadiram as festas, bailes, ruas e avenidas. Para as crianças, é motivo de farra. Para os adultos e para os médicos, pode se tornar um motivo de preocupação.  Estes sprays contém muitas substâncias químicas: agentes espumantes, resinas, emulsificantes,propelentes hidrocarbonetos, antioxidantes, conservantes, entre outros.  E a verdade é que pouco se conhece sobre o efeito desses produtos sobre a saúde humana.  Mas, é comprovado que:


- Propelentes derivados de hidrocarbonetos podem causar irritação e sensibilização na pele e nas mucosas. 


- Cocobetaina: é um agente espumante derivado do óleo de coco usado em shampoos, com poucos relatos de alergia, já que estes produtos são usados de forma rápida para lavar os cabelos, sendo logo enxaguados e retirados. Mas, no caso dos sprays de neve e serpentina, esta substância fica em contato direto com a pele por mais tempo, propiciando condições para o aparecimento de alergia em pessoas sensíveis.


- Resinas acrílicas podem provocar sensibilização na pele. E com um agravante: nos rótulos não há uma informação precisa sobre o tipo de resina utilizada.


- Além da pele, as substâncias contidas nos aerossóis também podem afetar mucosas e olhos, com relatos de lesões em conjuntivas e em córneas.


Para completar, o Corpo de Bombeiros alerta que gás utilizado para fazer funcionar o mecanismo do spray é altamente inflamável.


Em resumo, melhor evitar: prevenir é melhor do que remediar. 


Fontes: ASBAI  (Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 28, Nº 1, 2005 Aerossóis de neve e serpentina)  e  Publi Metro RJ 

Já falamos de carnaval aqui no Blog da Alergia - leiam e relembrem outras dicas para brincar e se divertir sem alergia:


Até quarta feira!

Bom feriado 
para todos!
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