30 Setembro 2010

O que significa ser alérgico

Ou:

Criança diz cada uma...



Estava eu certa vez no consultório explicando para uma assustada mãezinha o que significa ser alérgico, quando o seu filho de 10 anos de idade, que aparentemente não estava prestando atenção, me interrompeu e disse:

- Sabe, tia, já entendi o que é ser alérgico. É como o menino do filme “Sexto sentido”. A diferença é que ele via gente morta, o que ninguém vê. Pois então, os alérgicos também “vêem” o que ninguém vê: esse tal de ácaro! Então é fácil entender o que é ser alérgico:

E, após uma pequena pausa, finalizou.

- Alérgico é quem tem no nariz o “sétimo sentido”.

19 Setembro 2010

Vitamina D e Alergia

A vitamina D é conhecida pela sua capacidade de regular o cálcio e o fósforo na corrente sanguínea e se associar a saúde dos ossos (mineralização óssea adequada). Entretanto, novos estudos vêm demonstrando que essa vitamina é capaz de influenciar o sistema imunológico, tendo uma importante função na prevenção de doenças inflamatórias e doenças auto-imunes. Em muitos países, onde há pouca incidência de sol, a diminuição sanguínea da vitamina D está associada ao aumento da prevalência de doenças inflamatórias, incluindo alergias.

NOTAS:

1) Portadores de alergias podem se beneficiar com uma dieta com alimentos contendo vitamina D.


2) Alérgicos (crianças e adultos) devem pegar sol, pelo menos 20 minutos, diariamente.


3) É relatada a associação da deficiência em vitamina D com formas de asma mais graves.


4) Alimentos fontes de vitamina D: gema de ovo, fígado, manteiga e alguns tipos de peixes como a cavala, o salmão e o arenque. Em menor quantidade, a sardinha e o atum também têm a vitamina.


5) O uso de protetores solares podem interferir na absorção da vitamina D, em especial com produtos bloqueadores solares.


6) O uso de vitamina D sob a forma de medicamentos só deve ser feito com supervisão médica.

Fonte: WebMD

Nutricionistas: Karina Barros, Marilucia Venda


12 Setembro 2010

Asma e Rinite



Ou... 
1 elefante incomoda muita gente, 2 elefantes incomodam muito mais!


Se uma pessoa tem asma, ou se tem rinite, já é bem chato. Mas, se as duas doenças ocorrem juntas, o que não é raro, tudo pode se complicar. Porque isto acontece?
1: Nariz e pulmões pertencem ao mesmo aparelho respiratório, numa mesma pessoa. É errado raciocinar como se fossem estruturas separadas. Na realidade, o aparelho respiratório é único: começa no nariz e termina nos alvéolos pulmonares, em total sincronia: VIAS AÉREAS UNIDAS ou, como dizem os americanos: “UNITED AIRWAYS”.
2: O trabalho respiratório é integrado. Ao inspirar, o nariz recebe o ar e imediatamente começa o processo da respiração. Este ar será aquecido, filtrado, umedecido, condicionado e limpo, proporcionando melhores condições para que a respiração pulmonar se realize adequadamente. Ou seja, o nariz é o primeiro passo da respiração. Protege o organismo contra o ingresso de microrganismos presentes no ar que respiramos, retém as impurezas, regula a temperatura e a umidade do ar que passa em direção aos pulmões.
3: O ar continua seu caminho em direção aos brônquios, por onde entra nos pulmões e daí percorrerá um caminho até os alvéolos onde ocorrerá a troca do oxigênio (O2) pelo gás carbônico (CO2) que será exalado.
Traduzindo: ninguém respira só com o nariz ou só com os pulmões! Simples assim... Mas na prática não é tão simples: somos capazes de permanecer dias, meses e até anos com as narinas entupidas, espirrando e muitas vezes, sem tratamento. Com o passar do tempo, certamente o pulmão também sofrerá.


Rinite é grave?
As pessoas têm mais medo da asma do que da rinite, que é considerada uma doença de menor importância. A rinite não é uma doença grave. Porém, como diz o ditado popular, a rinite não mata, mas...maltrata!
A inflamação repetida da mucosa nasal na Rinite Alérgica pode resultar em acometimento os olhos, ouvidos, seios da face, amígdalas, faringe e pulmões. E, da rinite, vem a “TUDITE”: sinusite, otite, amigdalite, conjuntivite, piora da asma (ou bronquite), etc... E forma-se o problema: a pessoa, seja criança ou adulto, passa a ficar permanentemente com algum problema: tosse, catarro, mal estar, respiração bucal, entre outros.


Rinite e asma: doenças interligadas


Os estudos mostram que cerca de 80% das pessoas que têm asma, têm também a rinite alérgica. O contrário não é tão alto, mas também é expressivo: cerca de 40% das pessoas que têm rinite, têm também a asma. E esta associação não é inerte: as duas doenças interagem.
A presença dos sintomas nasais, em especial da obstrução do nariz, leva ao agravamento da asma, piora das crises, maior gasto com remédios, maior sofrimento às pessoas.


Lembro que: asma, bronquite asmática, bronquite alérgica ou simplesmente bronquite, são nomes usados para uma mesma doença.


A rinite alérgica pode “virar” uma asma?
De certo modo, sim. Nem todo mundo que tem rinite terá obrigatoriamente asma. Mas, as pessoas portadoras de rinite (crianças ou adultos) têm alto risco de evoluir com surgimento de asma.
O inicio da asma pode passar despercebido, surgindo como uma tosse insistente, quando ri, brinca, ao fazer esforços ou durante a noite.


Numa pessoa que tenha as duas doenças, tratar a rinite melhora a asma?
Sim. É provado que quanto pior estiver a rinite, pior será o comportamento pulmonar. E, o contrário: tratar a rinite leva a uma grande melhora da asma.


Concluindo: embora o nariz e os brônquios tenham funções diferentes, compõem a mesma via respiratória, ou seja, um caminho único e revestido por um mesmo tipo de mucosa. Por isso, é necessário tratar da rinite para se conseguir sucesso no controle da asma.


As vias respiratórias são unidas: do nariz até os pulmões!
Não adianta tratar só a asma sem tratar a rinite e vice versa.

05 Setembro 2010

Construindo uma casa saudável



1) Materiais de construção e acabamento


• Evitar substâncias muito encontradas nos materiais de construção: petroquímicos, acabamentos tóxicos, adesivos e fenóis. Se for uma reforma e necessitar utilizá-las, é melhor afastar o alérgico do ambiente até que o cheiro desapareça.
• Evitar uso de celulose, fibra de vidro, isolamento de lã de rocha. Estas substâncias se usadas em enchimentos, isolamentos ou mobiliário, devem estar muito bem protegidas e isoladas do ambiente.
• Para prevenir reações de materiais de acabamentos e dos mobiliários – evitar materiais alérgicos comuns como lã, produtos que exalam gases de formol, produtos de acabamento que estão sob o carpete, solventes de tintas, superfícies texturizadas.
• Toxinas geralmente crescem em locais de depósito – é importante garantir boa ventilação destes locais (por exemplo, vãos sob escadas, garagens, quartinhos de depósitos)
• Piso duro e sem juntas, evita o crescimento de bactérias; Piso cerâmico, junta seca com rejunte em resina, evita que o rejunte descole depois de algum tempo, abrindo frestas entre as peças de cerâmica. Deve ser verificado o tipo certo de rejunte em relação ao produto que será colocado no piso.
• Pisos de vinil alta-densidade e monolítico são aceitáveis. Se puder, evitar o uso de colas tóxicas, prendendo-os com material próprio.
• Evite tapetes e carpetes, pois além de acumular poeira, são grandes reservatórios de ácaros. Prefira pisos frios cerâmicos, mármore, forração plástica, resinas, borrachas ou em madeira, desde que recoberta de resina para fechar os poros (Sinteko ou poliuretano)
• Paredes podem ser revestidas com papéis laváveis ou pintadas com tintas acrílicas laváveis e anti-mofo, tinta hipoalérgica e não-tóxica
• Tetos devem ser lisos, para que não acumulem poeira. Evitar as sancas, os adornos, e os enfeites grudados no teto, que podem acumular poeira e ficam fora da vista.
• Bulbos não protegidos e calor radiante – também carbonizam a poeira – um irritante comum;
• Mofo, bolor, poeira de ácaros – são agentes alérgicos muito comumente eliminados quando a umidade relativa é abaixo de 50%;
• Janelas devem permitir a circulação livre do ar. Sempre deixar entrar o sol da manhã que higieniza o ambiente com seus raios ultra violeta. Nunca tapar uma janela com móveis. As janelas são projetadas em função da área do compartimento. Se forem tapadas esta área ficará reduzida e a capacidade de arejar o ambiente diminuída.


2) Móveis e elementos de decoração


• A casa do alérgico deve ser clara, arejada e com poucos móveis.
• Móveis feitos com materiais laváveis, que possam ser facilmente limpos: madeiras claras envernizadas com seladora à base de água ou verniz em poliuretano mostram mais facilmente a sujeira do que as madeiras escuras.
• Laminados fenólicos (Fórmica ou outro fabricante similar), pinturas automotivas ou pinturas em esmalte sintético criam uma superfície lavável na madeira.
• Mesas em papel prensado e cúpulas de lâmpada em plástico freqüentemente exalam gases;
• Tampos em laminados são geralmente colados por produtos quimicamente ofensivos
• Móveis para televisão, videocassete e outros aparelhos eletrônicos deverão ser ventilados para uma área externa para eliminar poeira carbonizada e odores.
• Sofás e poltronas: sofás forrados com plástico, couro (natural ou sintético-ecológico) ou vinil são ideais. Existem tecidos emborrachados que também se aplicam para as forrações. Os modelos modernos de linhas retas e superfície lisa são melhores do que os muito torneados, que possuem detalhes que acumulam pó e dificultam a limpeza. Não usar nunca os capitonés, pois acumulam poeira.
• Estantes: escolha modelos com portas de vidro ou com compartimentos fechados para a guarda de livros e objetos pouco usados que acumulam poeira e fungos.
• No quarto, evitar as camas do tipo "baú", que tem gavetas embaixo, com prateleiras ou do tipo beliche. Se possível, o quarto não deve ter estantes abertas ou prateleiras nas paredes, para diminuir o acúmulo de pó.
• Usar sempre as camas no sentido de topo com a parede, nunca encostadas.
• Se possível, o alérgico não deve dormir em colchonetes no chão e nem se deve guardá-los embaixo das camas durante o dia
• Não use almofadões. Se não houver outra escolha, faça forros com zíper que sejam facilmente removidos e lavados periodicamente. As almofadas assim como os estofados podem ser feitas de couros sintéticos ou tecidos emborrachados
• Cortinas podem ser substituídas por persianas laváveis em PVC ou alumínio (pintadas ou não). No entanto, se forem necessárias, dar preferência aos modelos curtos e com tecidos leves que possam ser lavados na máquina. Hoje a decoração privilegia as cortinas mais retas, com poucas dobras e pouco volume de tecido. Essas cortinas não necessitam conhecimento profissional para serem retiradas e lavadas. Não usar bandôs, chales ou quaisquer recursos decorativos que utilizam tecidos dobrados
• Cuidado com lustres muito enfeitados que acumulam poeira em suas reentrâncias.


3) Ar refrigerado e ventiladores


Sendo o Brasil um país de temperaturas tropicais, muitas vezes será indispensável o uso de ventiladores e condicionadores de ar. Não há problemas no uso destes aparelhos, desde que se obedeçam a pequenos cuidados:
• O ar pode ser limpo com um sistema de filtro sem carvão e sistema de ar condicionado com ventilação que permita pelo menos 1 troca de ar a cada hora.


4) Para uma casa saudável, deve-se considerar ainda em relação à decoração:


• Evitar bichos de pelúcia ou excesso de brinquedos no quarto. No caso da criança possuir um brinquedo de pelúcia favorito, lave-o regularmente e coloque-o no freezer por algumas horas. Brinquedos devem ser guardados em locais fechados e lavados periodicamente. Existem no mercado brinquedos macios para os bebês, feitos com material antialérgico e facilmente lavável.
• Trocar cobertores de lã por edredons, forrados de tecido em algodão. Evitar acúmulo de almofadas ou objetos decorativos em cima das camas.
• Evitar papéis, revistas, cadernos, etc. soltos pelo quarto ou objetos embaixo de camas.
• Evitar plantas e aquários dentro do quarto. Se o quarto é devassado, pode-se usar persianas ou então cortinas curtas e com tecidos leves, permitindo a lavagem a cada quinze dias. Em locais frios, ao invés de carpetes, preferir o uso de pequenos tapetes que possam ser lavados facilmente.
• Evitar passar ou secar roupas no quarto de dormir.
• Evitar incensos, sprays perfumados ou "saches" no quarto de dormir.
• Uma medida muito eficaz contra os ácaros é encapar colchões e travesseiros com capas especiais, antialérgicas com proteção impermeável, contra ácaros, ou forra-los com napa ou vinil. Por cima delas usar a fronha, e o lençol. Sempre que possível, coloque colchões para tomar sol ou passe o aspirador. Traveseiro velho deve ser trocado, pois depois de algum tempo, eles se tornam ninhos de ácaros. Dê preferência aos modelos feitos com espuma inteiriça, evitando-se aqueles com painas ou penas (mesmo os chamados “antialérgicos”)
• Lavar lençóis, fronhas e cobertas uma vez por semana, se possível com água quente superior a 50ºC, para atuar sobre os ácaros. Ao final, devem ser passados ainda desdobrados a ferro quente.
• Evitar cobertores de lã e trocar por edredons. Em locais muito frios, o cobertor de lã pode ser usado "ensacado", isto é, costurando-se dois lençóis juntos para encapá-los, fechando com um zíper.
• As capas antiácaros devem ser lavadas periodicamente, obedecendo as especificações do fabricante.
• Roupas de inverno ou aquelas raramente usadas: lavar antes do uso e depois do inverno, guardando-as embrulhadas em saco plástico.


Autoria do texto: 
Arquiteta Cybele Barros
Site: Casa Segura

01 Setembro 2010

Natação e asma

A natação é um esporte que ajuda na melhora dos sintomas da asma, em especial nas crianças e adolescentes, afirma um estudo recentemente publicado. A natação se mostrou uma intervenção não farmacológica eficaz, associada ao  tratamento da asma.


Os investigadores avaliaram os efeitos da prática da natação nas medidas de função pulmonar realzadas em crianças de 7 a 12 anos de idade. Todos os participantes se encontravam em tratamento regular para asma. Foram divididos em 2 grupos de 15 crianças, onde um grupo era direcionado para o esporte e o outro não. Após um período de 6 semanas, eram reavaliadas as medidas respiratórias e condições clínicas da asma.


O programa mostrou que as crianças que nadaram de forma regular, mostraram uma melhora significativa da asma, bem como das medidas de função pulmonar e pico de fluxo expiratório. Estas crianças também mostraram menor ocorrência de hospitalização,
menos crises e faltaram menos à escola. A natação também ajudou na socialização das crianças, melhorando sua confiança e diminuindo sua incapacidade.


A natação, quando comparada a outros esportes, tem menor probabilidade em provocar crises de asma. Além disso, promove um desenvolvimento físico e psicológico mais saudável, com melhora do volume pulmonar e melhora do estado físico. As crianças foram reavaliadas após 1 ano e continuavam a mostrar benefícios da prática esportiva.

É importante ressaltar que a natação não cura a asma nem substitui o tratamento, apenas o complementa. Piscinas tratadas com cloro podem provocar irritação das vias respiratórias, limitando o esporte em algumas pessoas mais sensíveis. 


Portadores de deformidades torácicas ou de respiração bucal devem receber atenção especial antes de iniciar a prática da natação.


Crianças, adolescentes e adultos asmáticos devem ser estimulados a praticar atividades físicas, com livre arbítrio para escolher a modalidade esportiva que mais lhe agradar.


Jeng-Shing WANG, Wen-Ping HUNG. The effects of a swimming intervention for children with asthma. Respirology Volume 14, Issue 6, pages 838–842, August 2009. 


Fonte: Consultasma

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