12 dezembro 2007

A prova que faltava

Artigo da semana: publicado na Revista Veja 12-12-2007



Pela primeira vez, imagens mostram os danos
causados aos pulmões dos fumantes passivos


Os não-fumantes ganharam mais um argumento para pressionar os tabagistas a apagar o cigarro. Pela primeira vez, cientistas conseguiram imagens de pulmões que demonstram como a fumaça alheia causa danos aos fumantes passivos. Graças a um tipo especial de ressonância magnética, pesquisadores do departamento de radiologia do Children’s Hospital of Philadelphia descobriram que quase um terço dos não-fumantes que convivem com as baforadas dos outros por mais de dez anos desenvolve alterações pulmonares. "Identificamos nesses pacientes sinais moderados de enfisema", disse a VEJA o físico Chengbo Wang, coordenador do estudo, apresentado durante o encontro anual da Radiological Society of North America. O enfisema atinge 5 milhões de pessoas no Brasil e é a quinta causa de morte no país. Essa doença crônica é caracterizada pela perda de elasticidade do tecido pulmonar, pelo aumento de tamanho e ruptura dos alvéolos, as minúsculas estruturas em forma de balão localizadas nos pulmões. Os alvéolos são responsáveis pela troca gasosa de dióxido de carbono por oxigênio. Com menos alvéolos, a renovação do oxigênio no sangue fica prejudicada, uma das causas da falta de ar das vítimas de enfisema. Essa deterioração progressiva do tecido pulmonar tem como principal causa a inflamação provocada pelas substâncias tóxicas da fumaça do cigarro.

A grande dificuldade que os cientistas tinham para revelar os sinais do enfisema nos fumantes passivos é que, neles, as alterações pulmonares são bem mais sutis do que nos fumantes. Conseqüentemente, são mais difíceis de ser detectadas pelos exames convencionais. Para contornar esse obstáculo, a equipe de Wang desenvolveu um método em que os pacientes inalam gás hélio previamente modificado por meio de raios laser. Com isso, as imagens produzidas pela ressonância magnética ficam mais claras. Os especialistas puderam constatar que os átomos de gás hélio se moveram nos pulmões de boa parte dos fumantes passivos por distâncias maiores do que o esperado. Esse resultado indica a presença de buracos entre os alvéolos e de espaços expandidos em seu interior, um quadro característico do enfisema. "Com o novo método, pudemos avaliar a estrutura pulmonar em nível microscópico", explica.

Os sinais de enfisema foram encontrados em 33% dos pacientes expostos por mais de dez anos ao fumo passivo. De acordo com os cientistas, essa proporção é semelhante à de fumantes que desenvolvem enfisema pulmonar. Para os autores, as conclusões servem de alerta, principalmente, para o perigo a que estão expostas as crianças filhas de pais fumantes. Segundo estatísticas da American Lung Association, nos Estados Unidos 35% das crianças pertencem a famílias em que há ao menos um adulto fumante. Todas correm risco de desenvolver problemas respiratórios decorrentes do tabagismo. "Ficou claro que o fumo passivo faz mal aos pulmões. Por isso, é preciso endurecer as restrições ao tabagismo não apenas nos espaços públicos, mas também nos lares", adverte o coordenador da pesquisa. No Brasil, onde 25% dos adultos fumam, os riscos a que estão expostos os fumantes passivos é igualmente alto.

O tamanho do estrago

A equipe do Children’s Hospital of Philadelphia submeteu fumantes, fumantes passivos e pessoas com baixa exposição ao fumo a um novo tipo de ressonância magnética, mais sensível que o convencional.




A seguir, as imagens dos pulmões analisados:

Pulmão de pessoa com baixa exposição à fumaça de cigarro



Predomínio da cor vermelha, que representa a área saudável dos pulmões





Pulmão de fumante passivo
Em 33% das pessoas com dez anos ou mais de convivência com fumantes, há sinais iniciais de enfisema, representados nas zonas amarelas










Pulmão de fumante




As zonas amarelas, que indicam a formação de enfisema, foram detectadas nos pulmões de 57% dos fumantes




Impressionante, não é?


(Vanessa Vieira)

3 Dê sua opinião:

Quem tecla não chora disse...

Soube disto em Portugal há muitos anos,pois a madrasta de minha mãe morreu de enfisema pulmonar sem nunca ter fumado,mas convivia com o fumo do marido...a mãe de minha mãe tem enfisema e vai morrendo devagar...nunca fumou....mas fumou o marido.
Meu pai asmático,morreu de enfisema,embora tivesse câncer...mas como minha mãe fuma que nem chaminé...ele se acabou...
Eu sou asmática desde os 3 anos...claro... !E proibir a minha mãe de fumar,quem vai??Mas nem com a família toda morta ela deixa o vício.

Carlos Emerson Jr. disse...

Eu parei de fumar em 1978, já se vão 29 anos...
Um beijo.

http://blogdocejunior.wordpress.com

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

Vitória e Carlos: obrigado pela visita. Concoddamos com vocês: por isso é tão importante que se estimule o conhecimento dos malefícios do cigarro a fim de que possamos combater este mal. Um abraço.

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