19 agosto 2007

Alergia a barata


Baratas existem na Terra há cerca de 350 milhões de anos e acompanham o ser humano desde tempos imemoriais. Existem diversas espécies de baratas, como formas e tamanhos diferentes convivendo com seres humanos. A maioria vive em ambientes externos, somente entrando nas casas à procura de comida. Algumas espécies se adaptaram aos ambientes domiciliares e vivem em ralos, frestas, armários, pias, parte interna de mesas e cadeiras, etc. geralmente em locais escuros e úmidos durante o dia, surgindo mais comumente à noite. O problema torna-se ainda maior na população carente, nos prédios com muitos habitantes e nas áreas urbanas desprovidas de recursos sanitários.

Baratas podem ser carreadoras de doenças e, além disso, provocar alergia. A sensibilidade aos antígenos da barata - em especial a Blatela germânica e a Periplaneta americana tem sido estudada como importante alergeno em residências, principalmente entre populações urbanas carentes. Provoca alergia em função da presença de enzimas digestivas presentes em suas fezes. Embora suas partículas fecais sejam maiores e mais pesadas do que as dos ácaros, podem ficar em suspensão e serem inaladas através das narinas e boca ou penetrar através dos olhos. Alergia à barata pode ser em algumas pessoas, uma causa importante de asma, rinite, alergia ocular e mais raramente, de alergias na pele.

O estudo destes insetos tem se intensificado nos últimos anos, sendo descritos alguns fatores seriam os provocadores da alergia, como por exemplo, proteases presentes em seu tubo digestivo, que exerceriam papel importante no aparecimento das doenças alérgicas. Um dado interessante é que foi descrita também a presença de uma proteína, chamada de tropomiosina, que também pode ser encontrada em ácaros e no camarão. Por isso, pode ocorrer uma reatividade cruzada entre ácaros, baratas e camarão.

Dizem que se o mundo acabar, sobrarão apenas baratas!



Esta afirmação tem um grau de verdade, pois sabe-se que as baratas desenvolvem resistência aos inseticidas e que tem uma capacidade de sobrevivência muito grande. Estudos recentes mostram que mesmo após o extermínio eficiente de baratas, seus alérgenos podem permanecer no ambiente por até seis a oito meses.

Um dos fatores mais importantes para a sobrevivência das baratas é a presença de água no ambiente pois seu organismo não vive sem ela: Uma barata é capaz de sobreviver por 42 dias apenas ingerindo água e apenas 12 dias sem água, mesmo que receba alimento suficiente. Por isso é importante manter bem secos os locais como pias da cozinha, banheiro, consertar pequenos vazamentos, etc.

Guerra às baratas!

· Mantenha sua casa limpa.
· Combata focos de umidade, em especial na cozinha e no banheiro.
· Não guarde comida fora de recipientes: evite o acúmulo de restos de alimentos.
· Não coma nos quartos. Evite lanchar ou se alimentar nos períodos em que estiver em sua cama.
· Ralos devem ser mantidos tampados.
· Lacre fendas e frestas em assoalhos, tetos e armários.
· Retire o lixo com freqüência.
· Faça uma dedetização periódica - sempre na ausência do alérgico
· Caso exista alguma contraindicação para uso de produtos químicos em “spray”, pode-se utilizar: mata - baratas, ácido bórico ou armadilhas.
· Se o prédio onde mora tiver foco de baratas, comunique ao síndico.
Além disso...
· Mantenha o tratamento de sua alergia de maneira contínua e não apenas nas crises. Aprenda sobre a alergia e procure descobrir se existem outros fatores que poderão contribuir para sua doença.
· Converse com seu médico alergista: é possível fazer testes para avaliar sensibilidade às baratas.
O trabalho em conjunto do médico, do alérgico e de sua família, em especial no caso de crianças, é fundamental para que se faça um plano eficaz de controle da sua alergia.



Para finalizar, vejam só que texto interessante:




"La cucaracha" globalizada


Quem me visse agora, nesta madrugada de domingo, com o almanaque do Barão de Itararé em uma das mãos e uma chinela havaiana na outra, certamente não compreenderia... Mas eu olho para a parede. Lá está ela, mexendo aquelas repugnantes e intrometidas antenas. Ameaço-a com a chinela, ela dá um salto para o chão, eu dou outro para cima da cama. Taí, o medo é o nosso único sentimento recíproco...

Do quarto de meus irmãos, ouço no rádio ligado na Atlântica FM a música dizendo 'Toda vez que eu chego em casa, a barata da vizinha está na minha cama..." Tapo os ouvidos, depois tento me concentrar na leitura. O almanaque tem um comentário sobre os últimos dias de vida do Barão: ele tornou-se um ecologista roxo. Deixava — pasmem! — as baratas transitarem livremente pelo apartamento onde morava. Após sua morte, a família retirou dois saquinhos de supermercado cheios delas. Paro a leitura e ameaço-a com a chinela novamente e desta vez ela nem se move.

Maldito bicho! Enquanto observo esperançosa de que ela vá embora, lembro-me de Clarice Lispector, em seu profundo estilo de "fluxo de consciência", onde escreve algo sobre alguém que mata acidentalmente uma barata e isso serve como referência para uma auto-análise. Só que, ao fim, a personagem come a barata esmagada. Se pelo menos fosse por uma razão lucrativa, como no caso daqueles famosos concursos ao norte da China, onde o participante tem que mastigar e engolir quantas baratas puderem, ganhando assim prêmios valiosíssimos. Nessa hora concordo com meu irmão Donizete que diz sempre: "Somos os únicos animais racionais e mesmo assim não pensamos". Certa vez, usei um inseticida chamado Kaotrin. Pra quê?

Sabem, quando é época de eleição, em que os candidatos estão em toda parte? Quando o PT discursa contra o PSDB de F.H.C. e o PPS de C.G. contra o Prona? Pois é, dentre essas siglas todas, eu cá prefiro o SBP ou o BAYGON, pois durante meses encontrei vestígios delas nas gavetas, na geladeira, pia, e até dentro de meus sapatos! Pior que político procurando reeleição, elas não davam folga. A natureza é sábia, bem sei. Mas há na barata uma inutilidade no ciclo do ecossistema que me espanta. Afinal de contas, prá que serve este bicho senão para encher as gavetas daqueles pontinhos pretos e deixar a roupa fedendo?

Eu bem que poderia não ser tão covarde, me levantar daqui e esmagá-la com minha havaiana ("legítima, que não deforma e não tem cheiro"). Todo esse pensamento fica numa remota hipótese, já que imagino uma suposta vingança, uma rebelião das várias espécies de barata que há. Como por exemplo, a barata colombiana que é a maior do mundo, com espantosos nove centímetros de comprimento. Ou a barata d'água, que é gosmenta, ou as de praia, toda branca e pastosa...

Já passa das três horas da manhã. Penso que se eu perder a hora para o trabalho, ninguém estará interessado em saber que a culpa é da "cucaracha".

Se eu a matar, estarei prestando um grande favor à humanidade, pois o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos fez, há cinco anos, um estudo que culpa a barata pela alta incidência de asma. O próprio jornal Daily News, de Nova Iorque, informa que, de 1.528 crianças asmáticas, 37% tinha alergia a baratas. E também no norte de nosso país existe grande número de pessoas com hepatite, contaminada pela água suja e parada. Aliás, essa história de falta de água no Nordeste já está saturada e o governo vai se dar mal se não tomar providências, pois o povo nordestino não tem "sangue de barata" e qualquer dia desses vamos ver a coisa ficar não muito barata...

O Dr. David Rosenstreich, chefe desse estudo lá da terra do tio Sam, incentivou o extermínio delas por meio de armadilhas. Eu podia matar essa barata agora, se não fosse esse medo esquisito que a maioria das mulheres sentem por esse bichinho. Medo, aliás, fonte de pesquisas para muitos cientistas e até assunto para a revista "Super Interessante", em que, segundo ela, o medo das baratas em nós seria uma espécie de neurose, algo como nosso psíquico estar escondendo algo muito sério.

Hum... Talvez seja o nosso subconsciente tentando nos dizer algo? Dr. Raimundo de Lima, psicólogo e professor da Universidade de Maringá, falou-nos a respeito de algumas doenças sociais, tais como o pânico, algumas espécies de fobia, claustrofobia, agorafobia, e mencionou que a fobia de barata é uma fobia charmosa!? Os homens parecem gostar deste tipo de fobia feminina e quando encontram alguma mulher sem medo de barata, desconfiam até da tendência sexual desta mulher. Ou seja, trocando em miúdos, a melhor maneira de conquistar um homem é, assim que ver uma barata, gritar e gritar e gritar (se o caso se transformar em esquizofrenia, histeria ou neurose, consultas com o Dr. Ray em sua clínica em Maringá).

Só que grandes homens já se borraram de medo delas também. O famoso arqueólogo que descobriu o túmulo do faraó Tutancâmon quase põe tudo a perder, porque a antecâmara estava infestada de barata — milhares delas! Louis Pasteur, no século passado, teve alguns procedimentos antiéticos, tendo em suas primeiras doses da vacina contra raiva, cocô de barata. Jean Baptiste Lamarck acreditava que tirando um olho de animais recém nascidos e cruzando-os, seria criada uma raça de um olho só; mas advertiu para que não acrescentassem sangue de barata, porque então se criaria uma raça esquisita: os ditadores. O próprio Aristóteles, quando sustentou que um corpo pesado cai mais rápido que outro mais leve, o fez por acaso, ao estar brincando de esmagar baratas.

A linguagem popular às vezes faz uso da palavra barata, como quando se quer dizer que se está desprezado. Caso dos sem-terra, por ocasião de depoimento sobre a proposta governamental para terem "paciência que já, já, a reforma agrária acontecerá", quando dizem: "Estamos entregues às baratas...". Ou quando se quer exprimir incapacidade, como no caso do Ministro da Reforma Agrária, sobre a expressão dos sem terras: "Eu não sei... estou meio baratinado...".

Sabem que a única vez que encontrei heroísmo numa barata foi no romance "O Outro Lado da Meia-Noite" de Sidney Sheldon, em que os franceses aclamam um judeu como herói, dando-lhe o apelido de "La Cafard". E a Walt Disney produziu um filme onde o protagonista possui em sua casa centenas destas coisinhas, que são suas amigas e tudo fazem por ele (duvido que ele termine com a mocinha!).

Decido-me decido e ZÁS! Na mosca, quero dizer, na barata — que alívio. Vou até lá e esmago-lhe a cabeçorra, pois li que a danada, mesmo depois de "abotoar o casaco", "ir pro além", "virar esterco de flores", "ficar com a sola do pé amarela", "bater com as botas", "ir pra cidade dos pés juntos", ela ainda pode botar. Sortuda! Nada de lamentações, nem conta na funerária, nem impostos, nem I.P.V.A... Bah! Que importa? Deixo-a lá e finalmente vou dormir. Mas o quê? Já amanheceu o dia!

Na hora do café, pergunto aos meus irmãos porque foram dormir tão tarde, já que ouvi barulhos na sala. O Donizete me responde que assistiam a um filme de guerra com bombas nucleares. Não compreendo o gosto mórbido por esse assunto. Eu mesma tento não me lembrar que os Estados Unidos e a China possuem essas calamidades. E que nem o meu Brasil tropical, segundo a jornalista Tânia Malheiros, em seu livro bomba "Histórias Secretas do Brasil Nuclear", escapou dessa loucura, já que o ex-presidente João Baptista Figueiredo enviou dióxido de urânio ao Iraque em 81 e 82 (24 toneladas acondicionadas em 201 tambores). Decepção pra quem arduamente ainda crê que o Brasil tem apenas o Carnaval e o futebol como estratégias de consumo. Até que seria bom mesmo, digo em voz alta: — Buum! E pronto. Tudo finish! Adeus mundo capitalista, burocrático, racista, desumano.

Adeus, mundo cruel!

Meu irmão me explica que não é bem assim; que se uma bomba atômica explodir, as únicas sobreviventes, por possuírem resistência superior à do homem, melhor sistema imunológico, e tendo, com a evolução de sua espécie, inteligência estupenda seriam... (esperei ouvir: as mulheres, mas ele concluiu) as baratas.

(Nota da autora: SOCORRO!!!!)

Elizete Lourenço - © 2000 Departamento de Letras, FAFICOP - Cornélio Procópio, Paraná, BRASIL

1 Dê sua opinião:

Quem tecla não chora disse...

Sendo asmática fiz os testes e claro...sou alérgica às baratas.Mas o pior não é a asma ,em relação aos bichinhos...é o PÂNICO!
Fico gelada com taquicardia e grito...não tenho controle...no entanto já enfrentei cobras(matei uma),sapos,morcegos,etc,que as pessoas geralmente receiam...:))

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