27 dezembro 2006

Porque usar cortisona na asma


Na asma, a semiobstrução das vias aéreas é o resultado da contração da musculatura lisa brônquica (broncoespasmo) da inflamação da mucosa (edema) e da hipersecreção das glândulas mucosas (tampões mucosos). Estes três eventos patológicos determinam a redução do calibre brônquico desencadeando os sintomas de dificuldade respiratória (dispnéia) e chiados (sibilância).

A cortisona é a medicação antinflamatória por excelência, revertendo a inflamação da mucosa, reduzindo a secreção glandular e recuperando a capacidade da atuação da medicação broncodilatadora, proporcionando portanto o alívio da crise asmática.

Até a década de 1950, antes do emprego da cortisona, a asma era uma doença muito grave e potencialmente fatal, quando manifestada por crises fortes e demoradas. Atualmente, graças ao emprego criterioso da cortisona, as crises são perfeitamente controladas e os índices de mortalidade são discretos.

A cortisona atua no tratamento de resgate das crises em doses de miligramas e quando seu emprego é feito sem moderação ou mesmo de forma abusiva, podem ocorrer efeitos adversos. Esta é a principal razão pela qual esta medicação tão eficiente e salvadora de vidas é discriminada e até rejeitada por muitos pacientes, criando uma legião de “corticófobos”, ou seja, uma multidão de asmáticos que têm mais medo da cortisona do que da crise asmática.

Todos os efeitos benéficos terapêuticos da cortisona são bastante conhecidos. Os efeitos colaterais adversos, por sua vez, também são amplamente sabidos e discutidos pelos médicos, sendo a maioria destas reações perfeitamente controláveis.

Mas a asma não é feita só de crises, mas sim de um processo inflamatório crônico responsável pela hiperreatividade (labilidade) brônquica e consequentemente por um estado potencial de episódios asmáticos. Surge então, de novo, a participação benéfica e insubstituível da cortisona inalada sob a forma líquida ou de pó seco, fundamental para o controle da inflamação brônquica, prevenindo o aparecimento de novas crises.

É importante salientar que a cortisona inalada é dosificada em microgramas, ou seja, em dose mil vezes menor do que a cortisona sistêmica. Por isso, embora com efeito terapêutico muito eficiente, apresenta efeitos adversos mínimos e desprezíveis.

E finalizando, como o nariz, inflamado pela alergia participa patologicamente da asma (vias aéreas unidas) o emprego concomitante da cortisona em forma de spray nasal, controlando a inflamação da mucosa nasal, complementa o papel benéfico e insubstituível da cortisona na asma.

6 Dê sua opinião:

Anônimo disse...

Olá! Tenho asma, desde menina, e na adolescencia, tomei durante um bom tempo cortisona em comprimidos.De uns tempos para cá, tenho testado vários tipos de corticóide, mas não posso usá-lo de maneira livre, isto é sem preocupação, que não tenha alguma reação.Então passo bem sem usar corticóide em quaisquer forma, seja jet, em comprimido ou inalada.Achei uma forma alternativa, tive escolha.
É SÓ.
Obrigada.

Equipe da Clínica de Alergia PGRJ disse...

O seu comentário serve para chamar a atenção para o fato de que a asma é uma doença que assume formas diferentes em cada pessoa. Aliás, numa mesma pessoa, a asma varia de acordo com o momento em que se vive. Por isso, não existe um tratamento padrão que sirva para todos, crianças, adolescentes, adultos, idosos, etc. O ideal é que cada um seja analisado individualmente, seus fatores agravantes reconhecidos e controlados, pois tratar asma não é só tomar remédios. E, claro, continue sempre seu acompanhamento médico. Um abraço e volte sempre.

Lis disse...

Tive bronquite quando menina e já na adolescência as crises desapareceram, já adulta tinha algumas crises asmáticas quando em contato com saliva ou pelo animal, pricipalmente felinos.
Em janeiro de 2013 fiz uma cirurgia por video e tive atelectasia, me tratei com levofloxacino e corticóide por 10 dias, tive uma melhora, mas em abril de 2013, após contato com mofo e forte crise alérgica, passei a ter constante crises de asma, e tenho receio de que seja permanente.
O contato com o mofo e a crise alérgica pode ter desencadeado uma bronquite?
Posso ter aspirado algum tipo de fungo que causou essa asma?
Existe tratamento com antibiótico especifico prara esse tipo de problema?
A atelectasia pode ter causado essa fragilidade respiratória?
Um alergologista nao seria então mais indicado do que um pneumologista no meu caso?

Obrigada.

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

A asma (ou bronquite) tem causa genética mas pode sofrer a influência de fatores ambientais e de saúde em cada pessoa. A alergia pode ser uma causa significativa de crises de asma. Mas, para afirmar outros agravantes, é essencial examinar pessoalmente Aconselho que procure um alergista. Gratos pela visita

Unknown disse...

Eu tenho rinite alérgica é impossível viver com isso 😢

Clínica de Alergia - Policlínica Geral do Rio de Janeiro disse...

A rinite parece ser uma doença simples e sem importância. Errado. A rinite pode provocar muitos problemas e merece ser tratada. Com o tratamento adequado e com o controle da alergia, é possível controlar a doença e melhorar sua qualidade de vida. Convido que escreva para nosso e-mail (blogdalergia@gmail.com) e enviaremos para você uma cópia em PDF do livro: “Alergia, doença do século XXI”. Gratos pela sua visita ao Blog da Alergia.

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