24 fevereiro 2008

Alergias e reações na pele causadas por plantas

Photobucket

A natureza nos presenteia diariamente com plantas e flores proporcionando uma festa não apenas para os olhos mas para todos os sentidos. A sua utilidade prática é indiscutível e múltipla, seja purificando o ar, seja servindo como alimento ou como base para construção de habitações, na manufatura de mobiliário, utensílios, cosméticos, medicamentos, entre tantas outras aplicações. Se apenas tivessem o papel de embelezar, já seriam fundamentais, aliviando a dureza do cotidiano e transmitindo paz numa convivência harmoniosa de longa data com o ser humano.

Mas, em algumas situações, a pele pode desenvolver reações quando entra em contato com plantas e daí pode coçar, se tornar vermelha, apresentar uma erupção cutânea e até inflamar. Estas reações surgem pelo contato com a pele, algumas puramente por irritação direta e outras, por mecanismo alérgico.

Até mesmo árvores podem produzir um eczema de contato alérgico, sendo o exemplo mais conhecido a Aroeira, uma árvore de madeira de alta resistência e durabilidade, mas que pode provocar a chamada “doença da aroeira” com manifestações cutâneas em pessoas sensíveis. Este fato originou uma superstição entre camponeses, descrita por Ernesto Mendes num interessante texto publicado em 1960: para ficar livre da sua ação maléfica as pessoas teriam que saúda-la, mas ao contrário: se é de manhã dirão "Boa tarde, senhora aroeira", e se é de tarde "Bom dia, senhora aroeira". Leia mais clicando aqui.


Principais reações provocadas por plantas

As reações provocadas por plantas podem ser:
- puramente irritativas,
- de origem alérgica,
- sob a ação da luz solar (conhecidas como fotodermatites),
- resultantes de substâncias correlatas às plantas.

Reações irritativas: surgem, como o nome indica porque ocorreu uma irritação da pele, como por exemplo em plantas que possuam espinhos ou farpas. Alguns tipos de cipós encontrados no Nordeste brasileiro podem provocar também sensação de queimação. Estas reações também podem surgir resultando da ação química de substâncias, como é o caso da planta conhecida popularmente como “comigo ninguém pode”.

Reações alérgicas: podem ocorrer por ação de inúmeras plantas e por mecanismos variados. As madeiras, em especial as serragens, são citadas como causa de eczema de contato em profissionais como marceneiros e carpinteiros. Citam-se: jacarandá, peroba, cedro, caviúna, eucalipto, pinho e outras. Flores e plantas decorativas também podem produzir dermatites.
O aparecimento de eczema nas mãos em donas de casa e cozinheiros pode resultar da ação de alimentos, sendo visto com relativa freqüência em conseqüência das chamadas liliáceas (cebola, alho e cebolinha).


Reações que ocorrem por ação da luz solar: nem sempre são de origem alérgica. Em alguns casos verifica-se uma verdadeira queimadura, como por exemplo na aplicação de bronzeadores caseiros produzidos à base de folha de figo, originando casos graves que podem provocar queimaduras de primeiro e segundo grau, algumas vezes necessitando internação hospitalar.

Existe um grande número de pessoas que aparecem com lesões vermelhas, escurecidas resultantes da sensibilização com o sumo de frutas cítricas (o mais freqüente é o limão) após expor à luz do sol. É a chamada Fitofotodermatite, ou seja uma reação inflamatória da pele, quando ocorre contato com substâncias sensibilizantes derivadas de plantas e posterior exposição à luz solar. Em geral tem evolução benigna. Em alguns casos, as lesões podem se acompanhar de bolhas e evoluir para uma queimadura de primeiro ou de segundo grau. Crianças ou adultos que tomem picolés ou sorvetes de limão enquanto se expõe ao sol também podem apresentar o mesmo problema.

Reações de substâncias correlatas: podem ser provocadas por inseticidas, fungicidas, fertilizantes e outros produtos utilizados no cultivo de plantas. São mais freqüentes em lavradores, fazendeiros, jardineiros e outros trabalhadores que têm contato freqüente com esses produtos. Esse tipo de dermatite pode ser causada também por substâncias produzidas por fungos e/ou ácaros que se desenvolvem nas plantas e, às vezes, pelo contato com lagartas, como as taturanas, que através de cerdas contidas no corpo do inseto perfuram a pele humana desencadeando as reações na pele.

É citada a observação de prurido relacionado com o manuseio de cereais armazenados ou estocados, particularmente milho e feijão, provavelmente pela presença de fungos e ácaros.

Dermatite alérgica com látex: estas reações foram descritas em nosso texto publicado em novembro de 2006. Clique no link e leia.


Como proceder para tratar uma alergia causada por plantas
O primeiro passo é procurar um médico especialista em Alergia que analisará sua história, examinará a lesão e indicará o tratamento.
O paciente pode ajudar o profissional na coleta dos dados, informando detalhes que poderão se relacionar com o aparecimento da lesão cutânea, como por exemplo: sua atividade profissional, se fez uso de medicamentos ou cosméticos (alguns possuem princípios ativos comuns às plantas), além de relatar sobre contatos com plantas, viagens ao campo, etc.
Havendo suspeita de alergia, é possível realizar testes de contato para que se possa reconhecer o agente causador do problema. Este teste pode ser realizado com uma bateria padrão, ou seja, contendo as principais substâncias causadoras de alergias; ou ainda realizar testes específicos contendo extratos de plantas ou preparados especiais, aplicados pelo médico especialista em Alergia.
Tratamento

O tratamento dependerá do tipo de lesão apresentada, podendo incluir o uso de compressas úmidas na fase aguda e o emprego de medicamentos para controle das lesões apresentadas pelo paciente. Ressalta-se que a base é o reconhecimento e afastamento da causa do problema.


Dicas para prevenir as reações na pele causadas por plantas


- Mantenha hábitos de hidratação da pele, em especial das mãos.
- Use luvas sempre que cuidar do jardim, ou mesmo quando manipular plantas, adubos, fertilizantes e produtos similares.
- Sempre que se expuser ao sol, utilize um protetor solar . Nunca use bronzeadores ou loções caseiras ou mesmo produtos de origem desconhecida.
- Limpe bem a pele após manusear frutas ou vegetais, em especial se estiver ao ar livre ou em local exposto à luz do sol. O uso de filtro solar não impede ou previne uma fitofotodermatite.
- Evite tomar sorvetes ou picolés de limão na praia ou em locais de exposição ao sol.
- Ao espremer limão ou frutas cítricas, evite manipula-los sem proteger as mãos e lave-as cuidadosamente com água e sabão ao terminar sua tarefa.
- Aos trabalhadores, recomenda-se que utilizem vestuário adequado de proteção, condizente com a sua profissão.
O que fazer se surgir uma dermatite

- Faça o possível para não coçar, esfregar ou atritar a lesão.
- Lave em água corrente utilizando sabonete neutro o local da lesão.
- Faça compressa úmida com soro fisiológico no local da lesão.
- Não utilize produtos caseiros ou cremes de antialérgicos (ex: Fenergan creme), que poderão agravar o problema.
- Procure o médico alergista.



17 fevereiro 2008

"Olho vermelho"

Photobucket Olhos são estruturas sensíveis e podem ficar avermelhados com facilidade: se choramos, se ficamos cansados, num resfriado ou se estão irritados por algum motivo, como por exemplo, shampoo, fumaça, poluição, ar refrigerado, etc. Se algo entrar nos olhos, por menor que seja o corpo estranho, logo surge a vermelhidão. Mas o que parece normal, pode ser sinal de um problema: se seus olhos estão constantemente irritados, avermelhados...pare e procure a causa!

A causa mais comum de olhos vermelhos é a inflamação da conjuntiva, que é o revestimento delgado e resistente que cobre o branco do olho e a parte posterior da pálpebra, servindo para proteção contra microorganismos, substâncias químicas, entre outras. Serve também para lubrificar a região e para permitir a movimentação dos globos oculares. Quando a conjuntiva fica avermelhada, é em geral porque ocorreu dilatação dos vasos nessa região.

Chama-se portanto de conjuntivite, a inflamação da conjuntiva. Entretanto, é importante entender que existem fatores variados que podem ocasionar este problema. Por exemplo, o uso de óculos com graduação antiga e algumas doenças, como o glaucoma, podem provocar o surgimento de olhos vermelhos. A conjuntivite mais comum é de origem viral, que pode passar de uma pessoa para outra.

Leia mais sobre conjuntivite viral no portal da Sociedade Brasileira de Oftalmologia: http://www.sboportal.org.br/sbo/scripts/ap/destaques/2.asp

Tipos de conjuntivite:
- Infecciosas (ocasionadas por microrganismos: vírus, bactérias ou fungos)
- Não infecciosas (por causas alérgicas, mecânicas ou químicas)
"Olho vermelho" é um sinal de conjuntivite, mas nem todo olho vermelho é igual. Por isso, o melhor caminho é buscar um oftalmologista para fazer o diagnóstico e indicar o tratamento.

Os sintomas mais comuns que acompanham as conjuntivites são: ardência ou coceira ocular, sensação de “areia” nos olhos, lacrimejamento, inchação das pálpebras, podendo ocorrer também embaçamento da visão e fotofobia (sensibilidade à luz). A presença de dor deve ser observada, pois pode ser um sinal de que outros setores dos olhos, além da conjuntiva, podem estar também acometidos.

Recentemente foi realizado no Brasil um estudo para avaliar a prevalência de doenças alérgicas e verificou-se que cerca de 20% da população brasileira têm alergia e seis em cada 10 alérgicos manifestam o problema nos olhos.

A alergia ocular pode variar desde sintomas leves e esporádicos, até quadros graves e que poderão ameaçar a visão. O que confunde o paciente é que os sintomas alérgicos são muito parecidos a outros tipos de conjuntivite, em especial às causadas por vírus, retardando a procura de atendimento especializado.

A conjuntivite alérgica pode ocorrer isolada ou acompanhando a Rinite Alérgica. A principal causa de conjuntivite alérgica é a alergia aos ácaros da poeira de casa. Em alguns locais no Sul do Brasil e nos países onde existe polinização, citam-se ainda os polens de plantas e flores. Também pode ser provocada por fatores externos, como uso inadequado de lentes de contato, produtos de maquiagem, produtos de beleza usados no rosto e ainda: poluição, fumaças (citando em especial o cigarro), medicamentos, produtos químicos, irritantes, etc.

Em geral, os casos de alergia coçam mais e ardem menos, ao contrário das conjuntivites virais, onde a ardência tende a ser mais comum.

Leia mais sobre a conjuntivite alérgica no texto publicado neste Blog em 05/11/2006: http://blogdalergia.blogspot.com/2006/11/conjuntivite-alrgica.html

Cuidados com os olhos:
- Evite coçar os olhos.
- Lave suas mãos e o rosto regularmente.
- Evite compartilhar produtos de maquiagem.
- Se você utiliza lentes de contato, não descuide dos cuidados de higiene.
- Ao praticar natação, procure usar óculos de proteção.
- Mantenha sua casa arejada e limpa. Cuide do ambiente do seu quarto: a limpeza deve ser diária e com pano unido. Evite vassouras e espanadores. Encape travesseiros e colchões. Troque a roupa de cama com freqüência.
E, principalmente: Não use colírios por conta própria.

Colírios não são todos iguais e não são inócuos: são medicamentos contendo substâncias específicas e que variam de acordo com a necessidade de cada caso. Existem casos onde os próprios colírios mascaram ou pioram o olho vermelho, como por exemplo, no uso dos chamados “clareadores oculares”. Estes medicamentos são vasoconstritores, ou seja, contraem o vaso sanguíneo para resolver o problema. No entanto, após o efeito passar, a vasodilatação volta, retornando a vermelhidão.

Nenhum colírio deve ser usado sem acompanhamento médico.

09 fevereiro 2008

TOSSE



Tosse seca, tosse cheia, tosse de cachorro, tosse quando acorda, tosse à noite, tosse braba que não deixa ninguém dormir!
 Tosse incomoda... E quando menos se espera, lá vem a tosse: em casa, no trabalho, de forma inoportuna, em momentos importantes. Em 2007, durante a realização dos Jogos Pan Americanos no Rio de Janeiro, um atleta perdeu a oportunidade de participar das competições de tiro nas Olimpíadas de Pequim devido a um acesso durante a prova.
A tosse inspirou ditos populares:
“Nem que a vaca tussa” ou “Vai ver o que é bom pra tosse”
e deu origem a um provérbio:
“O amor é como a tosse, você tenta esconder mas não consegue”.E as simpatias? Essa era conhecida por todos que viveram em Mato Grosso nos idos de 1950: “Se uma criança tosse, traga uma vizinha nascida em Janeiro e em estado interessante para acudir o doente depois da meia-noite. Ela deve repetir várias vezes: "Tosse violenta, tosse sem fim, vai-te arrebenta, lá nos confins". 
Tosse nem sempre é doença.
Tossir é normal. É um ato de defesa do organismo contra fatores agressores do aparelho respiratório, como por exemplo, quando estamos próximos a um carro “fumacento”. Mas, pode também ser um sintoma de inúmeras doenças, variando desde gripes e resfriados até casos graves pulmonares. Xaropes e expectorantes têm efeito paliativo, proporcionando apenas alívio passageiro. O mais importante é investigar e tratar a causa.
Como ocorre a tosse:

A tosse é um reflexo complexo composto de uma inspiração profunda seguida pelo fechamento da glote e de uma expiração súbita e forçada, acompanhada da contração dos músculos do tórax, do diafragma. Ao mesmo tempo, os músculos abdominais sofrem uma violenta movimentação em direção ao aparelho respiratório, “empurrando” o diafragma , expulsando o ar. Segue-se a abertura da glote, culminando com a saída ruidosa e súbita do ar pela boca. 
Existem ainda os chamados “centros de tosse”, que são verdadeiros sensores localizados na árvore brônquica e ainda em locais variados do organismo, como: seios da face, laringe, esôfago, estômago, coração, etc. Estas estruturas são sensíveis ao reflexo e estão conectadas ao cérebro, que é o verdadeiro coordenador da tosse. Assim, emitem um aviso, o cérebro responde e envia a ordem para desencadear o sintoma. Ou seja, a tosse é um reflexo que depende parcialmente de nossa vontade e em alguns momentos não há como evitá-la. O fato destes sensores existirem em locais variados do corpo humano explica o porquê de algumas doenças distantes do aparelho respiratório provocarem tosse, como por exemplo num refluxo gastro-esofágico ou numa inflamação do pericárdio.
Para que serve a tosse?
A tosse é um verdadeiro jato de limpeza: elimina o excesso de secreções e corpos estranhos, como por exemplo, partículas de pó. Defende contra um sem número de agressões: micróbios, infecções, poluição, fumaça, etc.
A tosse pode ser transitória, ou seja, quando desaparece em pouco tempo, ou pode ser crônica, quando permanece por mais de 3 semanas. No primeiro caso, não há problema, mas quando persiste, é importante procurar um médico para avaliar a causa de sua permanência. Na realidade, qualquer tosse deve ser valorizada, pois é a tosse recente que originará a tosse crônica, caso não seja resolvida.
 O que pode provocar tosse?
Situações que provocam tosse: inflamação, secreção anormal, ressecamento ou resfriamento do ar inspirado, corpos estranhos ao local, irritantes químicos e gases. Momentos de estresse emocional são capazes de desencadear o sintoma.
Doenças que podem se acompanhar de tosse: resfriados, gripes, alergias respiratórias, infecções virais, asma, rinite, sinusite, DPOC (doenças pulmonares obstrutivas crônicas), refluxo gastro-esofágico
Citam-se ainda os remédios que podem provocar tosse : alguns antihipertensivos (inibidores da ECA e betabloqueadores), colírios para glaucoma, analgésicos e antinflamatórios em pessoas sensíveis à aspirina.
É importante lembrar que na prática, a medicina não é como a matemática - uma pessoa pode apresentar mais de uma causa simultaneamente. A análise do médico é preciosa para combater o problema da melhor forma possível.
As doenças que acometem o nariz e os seios da face podem fazer tossir em decorrência do muco que tende a escorrer por trás das narinas em direção à faringe, denominado de gotejamento pós-nasal. Esta secreção provoca os centros da tosse localizados nesta região e provocam um estímulo reflexo em direção ao cérebro, surgindo a tosse. Em geral, ocorre piora à noite pois a permanência na posição deitada durante o sono aumenta o gotejamento e a irritação dos sensores localizados na hipofaringe.
Pessoas portadoras de asma tossem com facilidade. Um dado curioso é que em cerca de 20% de casos, a tosse pode ser o único sintoma da asma, surgindo em forma de crises, ao correr, rir ou praticar atividades que exijam esforço físico.
A tosse do fumante surge em função da inalação da fumaça contendo várias substâncias químicas nocivas que podem irritar o aparelho respiratório. Muitos pensam que neste caso, tossir é normal, mas não é verdadeiro: é sim, um sinal de agravamento dos males do cigarro.
Causas digestivas podem provocar tosse, como por exemplo nas pessoas portadoras de refluxo gastro-esofágico. Neste caso, há uma regurgitação do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, gerando uma inflamação local e daí ativando os centros reflexos, originando a tosse que em geral é seca com piora noturna e podendo se acompanhar de rouquidão. Nem sempre há sintomas gástricos, como azia, dor ou queimação, acompanhando o quadro.

Crianças: as principais causas de tosse também são a asma, rinite, sinusite e refluxo GE. Uma situação que pode ocorrer na infância é a aspiração de objetos provocando tosse. Além disso, verifica-se o surgimento do sintoma por ação irritativa, como por exemplo naquelas que convivem com fumantes ou em momentos de tensão emocional. A inalação da fumaça do cigarro piora a asma e a rinite, além de provocar tosse mesmo em crianças saudáveis.  Em crianças pequenas, recomenda-se que a mamadeira não seja oferecida durante o sono e na posição deitada pois constitui uma causa comum de piora noturna. A última refeição deve ser feita com a criança acordada, devendo deitar pelo menos uma hora após alimentar-se.

Tosse pós-viral: uma criança pode continuar tossindo semanas após uma infecção viral de vias respiratórias – um exemplo é a bronquiolite – em especial naquelas portadoras de alergia.

Em qualquer idade, uma atenção especial deve ser dada às condições do dormitório, travesseiros e colchões já que os ácaros são causas de alergia respiratória e tosse. A presença de animais domésticos (gatos e cães) pode contribuir, em especial quando permanecem nos quartos ou dormem nas camas junto aos seus donos.

Como combater a tosse?
Procure um médico: é necessário tratar a causa para combater a tosse.
Dicas que podem ajudar:
- beber muita água, de preferência fora das refeições.
- os fonoaudiólogos lembram que o pigarro e a tosse são hábitos que podem prejudicar a voz. O atrito brusco nas cordas vocais cada vez que tossimos pode provocar à longo prazo os chamados calos vocais. Beba água sempre que tiver vontade de pigarrear e combata a causa do problema. Leia: daniruiz@centrinho.usp.br
- iniciar uma medicação aliviadora orientada previamente por seu médico. Nos casos de asma, o uso de um broncodilatador, sob forma de aerossol ou nebulização pode aliviar a tosse e evitar uma crise. Na rinite, a lavagem nasal com solução salina e uso de antialérgico contribuem para a melhora.
- verificar se existe algum fator no ambiente da casa (pintura, odores ativos, focos de umidade, etc.) e comunicar ao médico.
- gripes e resfriados têm uma evolução própria, melhorando em geral no decorrer de 4 a 5 dias. A ingestão de líquidos, uma dieta equilibrada, repouso e uso de antitérmicos em geral são suficientes para a cura do processo.
- evite uso de vaporizadores e umidificadores no quarto pois aumentam a possibilidade de mofos, fungos e ácaros no ambiente.
 
Um conselho: não use remédios para gripe e tosse sem orientação do médico. Recentemente foi publicado no Globo on line um alerta do Comitê consultivo do FDA (Food and Drug Administration), órgão do governo americano que regulamenta o mercado de medicamentos nos EUA sobre os riscos destas medicações em especial nas crianças pequenas. Os princípios ativos presentes nos xaropes de tosse e nos descongestionantes podem provocar efeitos colaterais desconfortáveis, como: alteração do ritmo cardíaco (taquicardia), no sistema nervoso central, (sonolência, irritabilidade) e intoxicações. Pessoas idosas também têm maior sensibilidade. Por isso, só devem ser utilizados com a receita do médico. Leia mais em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia

02 fevereiro 2008

É carnaval...





A equipe do Blog da Alergia comunica que
estará em recesso durante o carnaval.
Neste período, não responderemos
comentários, e-mails e Chat.

Até quarta feira e bom feriado para todos!

Gotas nasais: inofensivas?

Remédios usados sob forma de gotas para descongestionar as narinas são vendidos livremente nas farmácias. Não é raro conhecer alguém que tem sempre à mão um “remédinho para desentupir o nariz” na bolsa, no carro, na cabeceira e diz que não pode ficar sem ele!

É verdade que todo mundo já teve, pelo menos uma vez na via, a sensação de estar completamente obstruído. E como é desconfortável: não se pode falar, comer, dormir, enfim, nada! A tentação é grande e as gotas nasais parecem soluções salvadoras... O grande problema é que aquela solução provisória pode se tornar um vício. E aí, tudo muda...

O uso destes medicamentos pode causar diversos problemas à saúde, como por exemplo taquicardia (aceleração dos batimentos do coração) e elevação da pressão arterial. Além disso, podem provocar intoxicação, dependência e a chamada rinite medicamentosa.

"Quanto mais se usa, menos alivia e mais se necessita da gota"

Os estudos científicos mostram que o uso por mais de 7 dias das gotas descongestionantes nasais já podem provocar o vício. Além disso, o uso exagerado pode causar até mesmo intoxicação, em especial nas crianças pequenas que inadvertidamente podem ingerir o conteúdo do remédio. Para entender o porquê, é preciso conhecer estes medicamentos.

O que são descongestionantes nasais em gotas?

Estes medicamentos pertencem a um grupo classificado como “vasoconstritores”. Como o nome sugere, têm a capacidade de contrair os vasos sanguíneos da mucosa nasal, “desinchando” o local, melhorando a passagem do ar e assim aliviando a obstrução nasal.
Mas, os efeitos não se limitam ao nariz: as gotas, ao pingar nas narinas, tendem a escorrer na região posterior, podendo alcançar os vasos sanguíneos do pescoço e daí os vasos do coração. Além disso, uma parte do medicamento é deglutida sendo rapidamente absorvida na mucosa do aparelho digestivo. Por isso, com o passar do tempo, a ação de contração dos vasos passa a provocar efeitos no resto do organismo, como por exemplo: alteração de sono, tontura, tremor, dor de cabeça, taquicardia e hipertensão.

Pessoas portadoras de rinite alérgica tendem a apresentar sintomas nasais persistentes e incômodos, em especial durante a noite, em adultos ou em crianças. Como o tratamento da rinite é complexo e demorado, muitas pessoas buscam o alívio fácil das gotas nasais.
O que é rinite medicamentosa?

Chama-se de rinite medicamentosa quando os sintomas nasais surgem em decorrência do uso de medicamentos. É comprovado que o uso excessivo das gotas nasais piora o quadro: após o alívio inicial ocasionado pela vasoconstrição, segue-se uma vasodilatação, estabelecendo um ciclo vicioso onde o próprio remédio mantém, piora a obstrução e assim a pessoa não consegue mais deixar de usá-lo. Ou seja,o remédio passa a causar a rinite, ao invés de aliviar.
O sintoma predominante da rinite medicamentosa é a obstrução nasal, podendo surgir outras alterações, como a diminuição do olfato e do paladar.

O tamanho do problema

Descongestionantes nasais são medicamentos prescritos por médicos de qualquer especialidade. Por outro lado, a venda dos remédios é livre, sem necessidade de receita médica nas farmácias e drogarias. É comum que as pessoas repitam prescrições antigas ou que comprem o remédio por conselho de amigos ou de balconistas.
Uma pesquisa foi realizada em 40 farmácias da cidade de São Paulo, onde um caso fictício de rinite alérgica numa criança de quatro anos era relatado aos atendentes de farmácias. Apenas 35% dos balconistas consultados orientaram para levar a criança ao médico, enquanto 65% recomendaram algum tipo de remédio, sendo as gotas nasais em 30.77% dos casos.
Os mesmos autores complementaram a pesquisa com dados do Centro de Assistência Toxicológica da USP e informações sobre a ocorrência de intoxicações por medicamentos, sendo encontrados resultados alarmantes relacionados aos descongestionantes nasais. O que mais chamou a atenção foi que muitos casos ocorreram em crianças pequenas, sendo a maioria causada por ingestão acidental do medicamento.
A conclusão óbvia é que a larga utilização dos medicamentos tópicos para as vias aéreas superiores - muitas vezes sem orientação médica - expõe a população aos riscos de reações adversas e toxicidade dessas drogas.
É fundamental que todos sejam informados que medicamentos descongestionantes nasais não são inócuos à saúde e que só devem ser usados obedecendo à orientação e no período prescrito pelo médico. É preciso combater a venda livre nas farmácias e drogarias, o que indiretamente estimula o uso indiscriminado, já que passa a falsa idéia que estes remédios não tem possibilidade de provocar efeitos colaterais graves.

Aos portadores de alergia respiratória, recomenda-se tratar adequadamente com médico especialista, buscando a prevenção e o controle da doença e não apenas alívio passageiro.

Referências Bibilográficas:
É mais feliz quem respira pelo nariz – Editora Manole, 006
Conheça sua Alergia – Editora Revinter,2001
Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia – 1998
Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia - 1998
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