Pular para o conteúdo principal

Asma no trabalho - quem responde é o especialista

1. O que é asma no trabalho?
A asma é uma doença que se manifesta por crises que dificultam a respiração. A maioria das pessoas tem asma independente do ambiente onde estejam. No entanto, existem casos em que os sintomas da asma estão relacionados com o ambiente de trabalho e com a inalação de substâncias (fumaças, gases, pó, etc). Um trabalhador saudável pode ter sintomas pela 1ª vez ou reiniciar uma asma que teve na infância. Em outros, pode piorar a asma que já possuía.
A asma relacionada a fatores presentes no ambiente de trabalho é também conhecida como “asma ocupacional” ou ainda como “asma profissional”.
Existem outras doenças que podem cursar com piora no trabalho como a rinite, a conjuntivite e a dermatite de contato, que serão abordadas em outro tópico.

2. A Asma profissional é rara?
Infelizmente, o número de casos cresceu nas últimas décadas e hoje se calcula que cerca de 5% a 10% dos casos de asma em adultos seja de origem ocupacional. Esta porcentagem varia de acordo com o setor, tipo de profissão, do trabalho desenvolvido e das substâncias utilizadas. Por exemplo, uma pessoa que trabalhe em padaria, poderá se senbilizar à farinha de cereais. Cabeleireiros tendem a apresentar reações com uso de tintas e produtos químicos. Profissionais de saúde podem reagir ao látex das luvas e equipamentos que contenham esta substância.Trabalhadores da indústria textil estão sujeitos a sintomas respiratórios resultantes da exposição constante a fibras e poeiras do algodão. Cavalariços podem desenvolver alergia a pêlos de cavalo.

3. Este tipo de asma é alérgica?
Nem sempre. A asma ocupacional pode resultar de:
- processo irritativo: substâncias que possuam ação irritante no aparelho respiratório, em especial das pessoas que já sejam portadoras de asma. Exemplos: amônia, ácido clorídrico.
- mecanismo alérgico: estes casos necessitam de um período de exposição a longo prazo e da sensibilização à substância até o aparecimento da asma. Um exemplo é a inalação de partículas do látex (usado na manufatura de luvas de borracha) por médicos e profissionais de saúde.
- mecanismo farmacológico: inalação de certos produtos que por si só podem provocar a liberação de substâncias presentes no organismo, como por exemplo os inseticidas usados na agricultura podem provocar sintomas em trabalhadores por liberação de uma substância chamada acetil colina e assim alterando a musculatura respiratória.

4. Como reconhecer a asma profissional?
Observe alguns pontos que poderão auxiliar no diagnóstico:
- Sua asma (ou rinite)piorou desde que mudou de emprego?
- Os sintomas pioram no trabalho?
- Melhoram nos fins de semana,feriados prolongados e nas férias?
- Os sintomas voltam quando retorna ao ambiente de trabalho?
Nem sempre é fácil detectar a asma ocupacional pois existem muitos fatores envolvidos. Por exemplo, o fator emocional pode agravar uma asma pré-existente numa pessoa que trabalhe sob pressão, competição profissional, sob stress ou ainda no caso de relações difíceis com os colegas. Ressalta-se ainda a possibilidade de sensibilização à poeira em ambientes com precárias condições de limpeza ou de armazenamento de arquivos, processos, etc. O importante é procurar um alergista, confirmar o diagnóstico e indicar a conduta adequada.

5. Como tratar a asma no trabalho?
O primeiro passo é detectar e buscar o controle da causa. Existem casos onde é necessário abandonar o trabalho e outros onde o profissional pode ser recolocado em nova função, amenizando o problema. Equipamentos de proteção e medidas ambientais permitirão ao trabalhador manter sua profissão em condições saudáveis.
O plano de tratamento da asma deve ser colocado em prática na dependência da gravidade dos sintomas e orientado pelo médico especialista em Alergia.


Você tem mais alguma dúvida?
Envie para nosso e-mail e fale diretamente com os médicos da
Clínica de Alergia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Teremos prazer em responder.

Comentários

  1. Anônimo5/2/08 15:22

    Tenho asma desde a infância. Fui tratada com vacinas ainda no inicio das crises. tive anos de ausência de crises até que chegou a adolescência e pouco a pouco as crises voltaram,pioraram na fase adulta quando eu trabalhava fora, por causa do ambiente fechado, fumantes no recinto, ar condicionado. Nessa época eu usava bombinhas spray e remedio para desentupir nariz, sem nunca esquecer de os lavar na bolsa e ficanvam junto a minha cama durante a noite. Usei em algumas ocasiões cortizona injetável, quando as crises eram brandas fazia uso de xaropes, nebulizações e sempre a bombinha. Cheguei a fazer vários tratamentos de acompanhamento, uma coisa eu percebi que as vacinas me deixavam mais sensíveis favorecendo as crises. Os anos passaram e aprendi a conviver com a asma. quando percebia que eu perdia o controle dela recorria ao médico. Agora não trabalho mais fora, sou dona de casa e o ultimo tratamento de controle levou uns 4 anos, fui vacinada contra a pneumonia em 2006 e atualmente meus remédios que eu não podia deixar de tê-los em casa chegam a perder a validade sem que eu os use e não tenho tido crises. Sei que ela está comigo, que a idade com certeza vai trazê-la de volta em alguma época, porém ao ler estas páginas sobre arlegia, asma e uso de corticóide, eu percebi que sempre estive no caminho certo. Muito bom o trabalho de voces. Parabéns. Sara.

    ResponderExcluir
  2. Sara: obrigado pelo seu incentivo, em nome do grupo médico do Blog da Alergia. Mantenha cuidados preventivos e tenha sua asma sob controle e assim evitará uma piora no futuro. Citando o Professor Brum Negreiros, "quanto mais asma, mais asma". Previna e viva saudavelmente.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

"Os comentários publicados sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. Os autores deste blog reservam-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgarem ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional ou sem a devida identificação de seu autor também poderão ser excluídos".

Postagens mais visitadas deste blog

Pitiríase rósea

É uma doença conhecida desde 1860, quando foi descrita por Camille M. Gibert, sendo conhecida também como Pitiríase rósea de Gibert. Não se conhece exatamente a causa, mas parece que a hipótese mais viável é que seja ocasionada por vírus, como por exemplo, o vírus do herpes. Mas, é possível que dependa de uma tendência genética do indivíduo, o que seria um facilitador do aparecimento da doença. Questiona-se também outros mecanismos, envolvendo alguns tipos de medicamentos, autoimune, associação com outras doenças, etc. Fatores psicológicos ou estresse podem facilitar o aparecimento da doença, assim como alterações da imunidade e gravidez. Não é contagiosa. É mais comum em adultos, acometendo mulheres e homens, sendo rara em crianças pequenas e em idosos, ocorrendo preferencialmente na primavera e no outono. O maior problema é que sua evolução pode ser prolongada e durar de semanas a meses, assustando o doente. Em alguns casos pode recidivar, mas não é comum que aconteça Quadro c...

Entendendo como os medicamentos controlam e previnem a asma

Atualmente, existem dois principais tipos de medicamentos considerados efetivos para o tratamento da asma: as chamadas medicações de “controle” de uso prolongado e aquelas para o “alívio” rápido dos sintomas . O tipo de medicação necessária e as suas respectivas doses dependerão de uma avaliação inicial da gravidade de sua doença. O tratamento moderno da asma baseia-se numa estratégia gradual, tipo passo a passo: quando sua asma estiver pior, você poderá aumentar a dose do medicamento ou modificar o tratamento. Quando houver melhora, na maioria das vezes você poderá reduzir a dose ou retornar à medicação anteriormente utilizada. Porém, é importante que você sempre consulte seu médico antes de modificar o medicamento prescrito. Os medicamentos de controle de uso prolongado são preventivos e devem ser tomados diariamente. Eles auxiliam você a alcançar e manter o controle de seus sintomas de asma. Como exemplos temos: · Antileucotrienos (Singulair) · Corticoesteróides inalatórios (Pulmico...

Alergia à camisinha – quem responde é o especialista

Camisinha pode causar alergia? Sim. Algumas pessoas podem desenvolver alergia ao uso de camisinha, sendo a causa mais comum o látex, ou seja, a borracha de que é feito o preservativo. Além disso, podem causar alergia: pigmentos (usados para dar cor), aromatizantes (que dão sabor), espermicidas e lubrificantes. Como posso saber se tenho alergia à camisinha? As reações mais comuns são: coceira, vermelhidão, inchaço e até pequenas feridas na região da vagina ou do pênis. As reações podem aparecer durante ou logo após o uso da camisinha. O que fazer se não posso usar camisinha? O primeiro passo é tentar usar uma camisinha simples, seca, sem pigmentos, lubrificantes, etc. Outra opção é trocar a marca da camisinha pois a sensibilidade pode resultar de outras substâncias usadas na sua manufatura. Se o incômodo persistir, pode-se usar camisinhas sem látex, feitas com poliuretano ou com pele de animais. Infelizmente são bem mais caras e nem sempre fáceis de encontrar. .A camisinha...