Pular para o conteúdo principal

Congelar ursinhos de pelúcia mata os ácaros ?

Congelar os bichos de pelúcia no freezer doméstico, a uma temperatura de -18 °C por 24 horas, pode eliminar os ácaros que se acumulam nesses brinquedos e agravam crises alérgicas. A prática, apesar de pouco usual, é de fato eficaz, conforme explicou o médico alergista José Carlos Perini em entrevista ao podcast Bem-Estar.

“A ideia veio de uma imunologista inglesa que fez um estudo mostrando que, quando você coloca o bicho de pelúcia dentro do freezer por 24 horas a menos 18 graus, essas formas vivas de ácaros desaparecem”, explica o especialista. "Mas não adianta geladeira não, tem que ser freezer, menos 18 graus."

O ideal, no entanto, é evitar bichos de pelúcia no quarto (especialmente no caso de crianças alérgicas), mas a recomendação vale para quem convive com rinite, asma ou dermatite atópica.

Bichos de pelúcia: ácaros e poeira

Embora populares, principalmente entre crianças, os bichos de pelúcia não são indicados para quem sofre com doenças respiratórias. “O bicho de pelúcia é péssimo. Ele é de uma cultura europeia e americana, países frios, em que as casas são lacradas. Em um país tropical como o nosso, é um atentado à higiene do ambiente, porque eles retêm poeira, retêm em ácaro, você não tem como lavar”, afirma Perini.

Se for impossível renunciar ao brinquedo, o médico sugere colocá-lo em um saco plástico e deixá-lo no freezer por 24 horas. Uma alternativa é optar por pelúcias laváveis, que podem ser higienizadas periodicamente. “Mas o melhor mesmo é não ter pelúcia no quarto”, reforça.

Como limpar o quarto sem levantar poeira

Varrer ou usar espanador são práticas contraindicadas. 

A sequência ideal, segundo o alergista, é:

·       Pano úmido primeiro, para fixar a poeira;

·       Aspirador de pó com filtro HEPA em seguida, para completar a limpeza;

·       Evitar produtos com cheiro forte: “Limpeza não tem cheiro. O que limpa é água e pano limpo”, diz Dr. Perini.

“Na hora de limpar é que a coisa complica para o alérgico. Se você varre ou passa o aspirador direto, acaba jogando a poeira para o ar.”

Colchões, travesseiros e cobertores: atenção aos detalhes

Colchões não podem ser lavados, por isso precisam ser protegidos com capas impermeáveis, que impedem a passagem de suor, pele descamada e poeira. O mesmo vale para travesseiros. Ambos devem ser substituídos com o tempo: travesseiros duram em média 1 a 5 anos, colchões até 10.
“O travesseiro de quem sua muito pode durar só um ano. O segredo é usar capa e lavar com frequência.”
Já cobertores e edredons, por serem mais pesados, podem ser lavados a cada 15 dias ou até dois meses, dependendo do material e do ambiente.

Cortinas, tapetes e móveis também exigem cuidados


Quem precisa escurecer o quarto pode optar por cortinas curtas de material sintético, que são mais fáceis de lavar. “Evite os modelos longos e pesados. Hoje há empresas que oferecem inclusive serviço de lavagem programada”, comenta o especialista.
Tapetes podem ser mantidos, mas só se forem lavados com frequência. Objetos decorativos ou maquiagem sobre móveis também dificultam a limpeza: “Quanto mais coisa acumulada, mais poeira e ácaros”, resume Perini.

Cabideiros, guarda-roupas e objetos sob a cama: onde o perigo se esconde

Roupas usadas penduradas por muitos dias no cabideiro ou empilhadas no guarda-roupa são focos de poeira e fungos. A recomendação é deixar peças em “quarentena” por pouco tempo antes de guardá-las corretamente.
Evite guardar objetos em cima do guarda-roupa ou debaixo da cama. Caso necessário, use caixas organizadoras fechadas. “Cama bicama, por exemplo, esconde uma cama embaixo que ninguém limpa. Aquilo vira um depósito de poeira.”

Ar-condicionado pode ser melhor que ventilador, desde que esteja limpo 

Apesar da crença comum, o ar-condicionado, quando limpo e usado corretamente, é mais seguro para alérgicos do que o ventilador. A temperatura ideal, segundo a Anvisa, é de 23 °C. “O filtro do ar deve ser lavado toda semana, e o aparelho deve passar por manutenção uma vez por ano”, explica o médico.
O ventilador, por outro lado, “é um liquidificador de vento. Joga poeira para todo lado”. Se for usá-lo, oriente o fluxo para a parede, não diretamente para a cama, e limpe as pás toda semana.

Vacinação, alimentação e vida ao ar livre também fazem parte do cuidado

Perini lembra que alergias respiratórias costumam piorar no outono e inverno, período de ar mais seco e maior circulação de vírus. Por isso, vacinar-se contra a gripe é fundamental para quem já tem quadros alérgicos.
“Treine seu filho para ter contato com o mundo: correr, pisar no chão, tomar sol. Friagem não causa doença. Alergia é uma doença da cidade impermeável”, diz o médico.


Ouça a entrevista - Bem Estar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pitiríase rósea

É uma doença conhecida desde 1860, quando foi descrita por Camille M. Gibert, sendo conhecida também como Pitiríase rósea de Gibert. Não se conhece exatamente a causa, mas parece que a hipótese mais viável é que seja ocasionada por vírus, como por exemplo, o vírus do herpes. Mas, é possível que dependa de uma tendência genética do indivíduo, o que seria um facilitador do aparecimento da doença. Questiona-se também outros mecanismos, envolvendo alguns tipos de medicamentos, autoimune, associação com outras doenças, etc. Fatores psicológicos ou estresse podem facilitar o aparecimento da doença, assim como alterações da imunidade e gravidez. Não é contagiosa. É mais comum em adultos, acometendo mulheres e homens, sendo rara em crianças pequenas e em idosos, ocorrendo preferencialmente na primavera e no outono. O maior problema é que sua evolução pode ser prolongada e durar de semanas a meses, assustando o doente. Em alguns casos pode recidivar, mas não é comum que aconteça Quadro c...

Alergia à camisinha – quem responde é o especialista

Camisinha pode causar alergia? Sim. Algumas pessoas podem desenvolver alergia ao uso de camisinha, sendo a causa mais comum o látex, ou seja, a borracha de que é feito o preservativo. Além disso, podem causar alergia: pigmentos (usados para dar cor), aromatizantes (que dão sabor), espermicidas e lubrificantes. Como posso saber se tenho alergia à camisinha? As reações mais comuns são: coceira, vermelhidão, inchaço e até pequenas feridas na região da vagina ou do pênis. As reações podem aparecer durante ou logo após o uso da camisinha. O que fazer se não posso usar camisinha? O primeiro passo é tentar usar uma camisinha simples, seca, sem pigmentos, lubrificantes, etc. Outra opção é trocar a marca da camisinha pois a sensibilidade pode resultar de outras substâncias usadas na sua manufatura. Se o incômodo persistir, pode-se usar camisinhas sem látex, feitas com poliuretano ou com pele de animais. Infelizmente são bem mais caras e nem sempre fáceis de encontrar. .A camisinha...

Dermografismo

A bolsa pesada marca o seu braço? A roupa apertada, a alça do soutien, o elástico da roupa faz você coçar e empolar? Atenção: pode ser dermografismo! Dermografismo é uma doença da pele que afeta cerca de 5% da população e que se caracteriza pelo aparecimento de coceira intensa em locais de pressão. Após o ato de coçar surgem “lanhos” vermelhos nas pele. É uma forma de urticária, sendo também chamado de urticária factícia ou urticária falsa.A urticária clássica se caracteriza pelo surgimento de placas avermelhadas que se acompanham de coceira na pele, podendo ter causas variadas, como medicamentos, alimentos, certas doenças, entre outras causas – veja post sobre o tema neste mesmo Blog. No caso do dermografismo, após pressão sobre um determinado local no corpo, a coceira surge em primeiro lugar e só depois de se coçar é que surgem as placas. Por isso, é comum que se inicie em locais onde a roupa aperta, elásticos, alça do soutien. O dermografismo faz parte de um grupo de urticárias deno...