31 Maio 2009

Alergia a analgésicos e antinflamatórios


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Você sempre usou aquele analgésico e nunca teve nada.
Um belo dia toma e... incha tudo! 


É sempre uma surpresa, pois a alergia não surge da primeira vez e sim quando já se tomou aquele remédio por várias vezes.


Quer entender o que se passou?
É um pouquinho complicado, mas vamos lá:



Analgésicos servem para aliviar a dor, mas a maioria também tem ação antitérmica e antinflamatória. A aspirina (ácido acetil salicílico ou AAS) foi o primeiro analgésico, inventado em 1800. A partir dela, foram sintetizadas outras substâncias como dipirona e os chamados antinflamatórios (diclofenaco, ibuprofeno, etc.). Portanto, todos derivam de uma mesma linha de família, sendo “parentes” e com ações semelhantes.

Para que se entenda porque os analgésicos provocam reações alérgicas, é preciso entender como agem: para combater a dor e a febre, estes medicamentos atuam inibindo uma enzima chamada COX 1 e impedindo a ação das substâncias provocadoras de dor, chamadas prostaglandinas.

O problema é que, ao bloquear estas substancias, alteram o equilíbrio do organismo e indiretamente promovem um aumento de outras, chamadas de leucotrienos. Normalmente, este desequilíbrio passa despercebido, a dor se resolve e nada acontece. Mas, algumas pessoas sensíveis podem apresentar uma reação indesejada, surgindo o que se chama de reação alérgica.

Na realidade, embora os sintomas sejam semelhantes aos da alergia, o mecanismo é farmacológico, ou seja, resulta da ação direta do remédio nas células do organismo, sem participação do anticorpo ou das células de alergia.


Concluindo:


 - Uma pessoa sensível a um tipo de analgésico, será também a todos os outros que tiverem a mesma ação, mesmo que tenham um nome ou fórmula diferente.
- Não é possível fazer testes com analgésicos e antinflamatórios já que não há participação do anticorpo de alergia nem de células imunológicas.

- A reação se repetirá se for novamente ingerido o remédio causador. 

- O organismo tende a aceitar um medicamento que atue diferente, como por exemplo, paracetamol (Tylenol). Mas, algumas pessoas podem ter reação também ao paracetamol.

Por isso, é essencial a orientação de um alergista.


E como conviver com esta alergia? 

O primeiro passo é conhecer quais são os remédios que poderão trazer problemas e evitá-los. Além disso, o seu alergista orientará medicações alternativas e seguras para evitar novas reações no futuro.

Principais analgésicos:
Aspirina ou Ácido acetilsalicílico (AAS): usado para baixar febre e combater a dor. É encontrado em um sem número de analgésicos (Aspirina, Melhoral, Cibalena), antigripais (Superhist, Sinutab) e em remédios para digestão (Engov, Sonrisal, Alka Seltzer). É usado também por cardiologistas para prevenção de doença coronariana.
 

Dipirona ou Pirazolona: é o analgésico mais vendido no Brasil, sendo os nomes comerciais mais conhecidos: Novalgina, Neosaldina, Magnopirol. É também muito utilizado em antigripais (Benegripe, Killgrip, Doril, Coristina,), em remédios para cólica (Baralgin, Buscopan composto) antinflamatórios e relaxantes musculares (Dorflex)
Principais antinflamatórios: Diclofenaco ( Cataflan, Biofenac, Algi-tanderil), Fenilbutazona ( Mioflex), Ibuprofeno (Advil, Dalsy) Piroxican (Feldene, Inflamene, Piroxene),Cetoprofeno (Profenid)
 

Confira os nomes de analgésicos, antitérmicos e antinflamatórios comercializados no Brasil em: 

 lista com nomes dos remédios
 

Principais reações adversas:

1. Reação leve ou sintomas iniciais: senasação de mal estar, coceira, erupção na pele. Podem surgir também náuseas e vômitos.
2. Reações na pele:
- Urticária
- Angioedema
- Edema na glote
- Fotossensibilização
- Eritema Multiforme minor
3. Reações respiratórias
- Asma
- Rinossinusite
- Pólipos nasais
4. Reações graves
- Sindrome de Stevens Johnson
- Sindrome de Lyell
- Choque anafilático

 
A lista acima deixa claro que as reações causadas pelos analgésicos, antitérmicos e antinflamatórios são muito variadas, desde coceiras e sintomas leves, passaando por inchaços e podendo chegar a situações que ameaçam a vida de uma pessoa.

Mas, mesmo assim, no Brasil estes remédios têm venda livre, sendo oferecidos em inocentes embalagens nos balcões das farmácias e são líderes de venda. Artistas
conhecidos em suas faces sorridentes anunciam na televisão as suas
propriedades de “sumir” com a dor e a febre, estimulando a automedicação.

E, por trás disso tudo, ninguém lembra que estes remédios também são recordistas em efeitos colaterais e como causas de sensibilidade.



Dicas finais:

- Evite a automedicação.

- Não repita o uso da medicação para "fazer um teste": é perigoso pois poderá vir de forma mais grave.

- Se você já teve uma reação, leia cuidadosamente a bula antes de tomar qualquer remédio. Na dúvida, fale antes com seu alergista.

- Procure um Pronto Socorro se logo após tomar um medicamento ocorrer inchaço de olhos, lábios ou se surgir coceira, erupções na pele, falta de ar, tosse, chiados no peito, garganta irritada e/ou sensação de asfixia.

- Se você tem reação a medicamentos, leve consigo um alerta na carteira ou uma plaqueta. Sempre que for a uma consulta, alertar o médico de sua alergia.

- O fato de ter sensibilidade a analgésicos e antinflamatórios não significa que o será também a outros remédios (por exemplo, antibióticos) ou mesmo aos anestésicos


Existem remédios alternativos e seguros, mas esta indicação só pode ser
feito após uma análise cuidadosa dos dados clínicos de cada pessoa. Até
mesmo o paracetamol pode dar reação em pessoas mais sensíveis.

O médico alergista é o profissional mais indicado para orientar seu tratamento e para indicar a medicação adequada para o seu caso.



24 Maio 2009

Alergia: quem responde é o especialista

Médico

O que é atopia?

A palavra atopia define a predisposição genética para adquirir doenças de caráter alérgico, como asma, rinite, urticária ou dermatite atópica. Estas pessoas são muito alérgicas e são chamadas de "atópicas".

Quais são as principais doenças alérgicas?

As principais doenças alérgicas são:

Respiratórias:
Asma ou Bronquite Asmática ou Bronquite Alérgica
Rinite Alérgica (sinusites, otites,amigdalites, laringites)
Alergia Ocular: conjuntivites
Tosse Crônica

Cutâneas:
Eczemas
Dermatite Atópica
Dermatite de contato
Urticária
Angioedema
Estrófulo

Gerais:
Alergia a medicamentos
Alergia a anestésicos
Reação a contrastes iodados
Alergia a alimentos
Anafilaxia ou Choque anafilático

Tenho 70 anos e vejo hoje mais pessoas alérgicas do que antigamente. Por que?

A prevalência das doenças alérgicas aumentou de forma significativa nas últimas décadas. É verdade que hoje se diagnostica a alergia de forma mais efetiva. Mas, além disso, causas variadas contribuíram para o aumento dos casos, como por exemplo:
- aumento da poluição nos centros urbanos;
- menor contato com a natureza;
- crianças hoje mamam leite materno por pouco tempo e iniciam em creches muito precocemente;
- As casas mudaram: menor espaço livre, muita mobília, estofados forrados com tecido, carpetes, cortinas, bichos de pelúcia, etc.;
- Menor atividade física;
- Maior número de fumantes;
- Alimentação industrializada;
- Crianças brincam pouco ao ar livre em virtude da falta de espaço e da violência.

Se eu tenho alergia, meus filhos serão obrigatoriamente alérgicos?
 

Não. Se um dos pais é alérgico, existe uma possibilidade aproximada de 35% de ter um filho alérgico. Entretanto, se ambos os pais são alérgicos, esta probabilidade sobe para 50%. Se nenhum dos dois é alérgico, mas existe história de doenças alérgicas na família, calcula-se por volta de 10%.
Dessa forma, um pai asmático pode não ter filhos com asma e depois a doença surgir em netos ou bisnetos. O contrário também pode ocorrer: um pai que nunca teve asma pode vir a ter um filho asmático, se tiver antecedente familiar, como avós ou bisavós asmáticos.

Alergia tem cura?
 

Para responder esta pergunta, é preciso entender que alergia não significa doença! Alergia é apenas uma maneira diferente do organismo reagir para certos estímulos e por si só não é doença: é apenas diferente! O exagero da alergia é que se transforma em doença, como por exemplo a asma ou a rinite. Uma pessoa é alérgica por toda a vida, mesmo que não manifeste nenhuma doença alérgica.

Muita gente diz que alergia é psicológica. É verdade?
 

Não. A alergia não é uma doença psicológica. Como já foi dito, é de origem genética (familiar). As alterações emocionais da vida de uma pessoa podem se refletir e piorar uma doença alérgica, mas nunca serão a causa única da alergia.

A alergia é contagiosa?


Não, a alergia não é contagiosa. Numa mesma família pode haver várias pessoas com doenças alérgicas mas não por contágio e sim pela influência hereditária.



Você tem mais alguma dúvida?

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Envie para nosso e-mail e fale diretamente com os médicos da
Clínica de Alergia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Teremos prazer em responder.

17 Maio 2009

Asma na criança - segunda parte

tossindoTratar asma não é só tomar remédios!
De uma forma simplificada, o tratamento da asma pode ser assim resumido:

TRATAMENTO DAS CRISES
(com remédios aliviadores)

TRATAMENTO DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA
(com remédios preventivos para uso a longo prazo)

TRATAMENTO DE PREVENÇÃO
a) Controle da poeira, dos ácaros e de outros fatores desencadeantes:
b) Controle do mecanismo alérgico, através da imunoterapia (vacinas)
c) Fisioterapia respiratória
d) Educação da família (manejo familiar orientado da asma)



TRATAMENTO DAS CRISES
REMÉDIOS ALIVIADORES

Medicamentos para alívio de crises ou broncodilatadores: são os medicamentos mais indicados para uso na crise de asma, pois tem efeito rápido, provocando relaxamento dos músculos dos brônquios, melhorando a passagem do ar. Atuam apenas no momento da crise, mas tem pouco efeito na inflamação crônica da asma.

A cortisona ou corticóide é o único medicamento capaz de reverter uma crise forte, atuando através do bloqueio do processo inflamatório. Além disso, também facilita a ação das medicações broncodilatadoras melhorando o estado da crise de asma. Nas crises a cortisona é geralmente utilizada por curtos períodos e por isso os efeitos colaterais são evitados. Na maioria das vezes, não ultrapassa sete dias.


TRATAMENTO DA INFLAMAÇÃO
REMÉDIOS CONTROLADORES

Medicamentos para controle da asma ou preventivos: Atuam diminuindo a inflamação e portanto atuando sobre o fator básico da asma.

Corticóides inalados: são os principais remédios usados para controlar a asma enào apenas para aliviar sintomas. Ao contrário dos corticóides ingeridos, podem ser usados por tempo prolongado, com pouquíssimos efeitos colaterais. Mas, não têm a mesma força: precisam ser utilizados de forma contínua por um período de tempo prolongado.
- Não têm efeito sobre as crises.
- Devem ser usados todos os dias, mesmo que a criança esteja bem.
- Podem ser usados em crianças, sem problemas. Está provado que a asma sem controle afeta mais o crescimento do que o possível efeito colateral dos corticóides inalados.

Antileucotrienos: também atuam na inflamação dos brônquios, bloqueando uma substância chamada leucotrieno. Podem ser usados a partir de 6 meses de idade, em forma de sachets ou de comprimidos mastigáveis

Terapias combinadas: utilizam medicamentos combinados, como por exemplo, broncodilatadores de ação prolongada com corticóides inalados ou com antileucotrienos.

Crianças podem usar bombinhas e remédios inalados?

Sim. Crianças também podem usar inaladores e bombinhas, pois são comprovadamente seguras, tendo atuação rápida e eficaz. A dose do remédio é bem menor, pois são medidos em microgramas, ao invés de miligramas, como nos remédios por via oral.

Xaropes e comprimidos são tomados por via oral, precisam circular pelo corpo até chegar aos pulmões. Os remédios inalados têm efeito melhor, mais rápido e menores efeitos colaterais, pois têm ação direta na via respiratória.

Estudos mostram que corticóides inalados não alteram o crescimento final da criança. A asma sem controle prejudica mais do que os remédios!


TRATAMENTO DE PREVENÇÃO

a) Controle do ambiente contra poeira e ácaros

Limpeza da casa: deve ser cuidadosa e feita na ausência do alérgico. Usar sempre pano úmido. Evitar vassouras ou espanadores Não usar produtos de limpeza com odor ativo: preferir sabões, pastas ou álcool. Combater o aparecimento de baratas em sua casa.

Quarto de dormir: encapar colchões e travesseiros com plástico tipo napa ou com capas impermeáveis compradas em lojas especializadas. Colocar as camas afastadas da parede e trocar a roupa de cama uma ou das vezes na semana. Combater mofo, umidade e focos de infiltração.

Combate à poeira: Retirar tapetes, carpetes e cortinas, almofadas, estantes com livros, bichos de pelúcia e cobertores de lã. Preferir mantas de tecido ou edredons. Roupas de inverno ou que sejam usadas raramente devem ser lavadas antes do uso.
Animais: evite ter cães ou gatos, mas se já os tiver, mantenha-os fora de casa e não permita que entrem nos quartos ou que subam em camas e sofás. Banhá-los semanalmente.

Fumo: Não fume e nem deixe que fumem junto ao alérgico. Mesmo fumando na janela ou em outro cômodo, a fumaça poderá prejudicar seu filho.

Cheiros; Não use sprays, incensos ou "sachets" em sua casa.

Cuidados pessoais: Crianças devem ser estimuladas a brincar: andar de bicicleta, jogar bola, pega-pega... vida ao ar livre!

b) Imunoterapia ou tratamento com vacinas
Consiste na administração da
substância pela qual o asmático desenvolveu sensibilidade, durante um longo período de tempo. Com isso observa-se uma mudança no padrão da resposta imunológica, fazendo com que a pessoa apresente um bloqueio no desenvolvimento da reação inflamatória dos brônquios. A alergia é a principal causa de asma na infância e as crianças se beneficiam com seus resultados, auxiliando sobremaneira no controle da asma.

c) Fisioterapia respiratória
Busca restaurar o equilíbrio alterado das vias aéreas pela doença e corrigir deformidades torácicas, sendo de grande valia no tratamento da asma infantil. Além disso, prepara a criança para a prática de esportes, que são benéficos não apenas pela atuação no sistema respiratório em si, como também no estímulo á integração social e melhora da auto-estima dos asmáticos.

d) Educação do asmático e de sua família
É aparte mais importante do tratamento. Pais e cuidadores informados são certamente pais seguros e calmos,transmitindo segurança à criança. Mitos e preconceitos são grandes problemas no tratamento.

O que fazer numa crise?

Procure acalmar a criança. Leve-a para local tranqüilo e inicie a medicação já orientada pelo alergista. Mostre segurança, apoio e tente distraí-la com leituras ou brincadeiras.
No caso de uma nebulização, observe se a criança está com a boca aberta e fazendo corretamente o procedimento. Procure avaliar a causa da crise e, se for possível, afastá-la. Acompanhe a evolução dos sintomas e avise ao médico. Se não houver melhora, leve um pronto-socorro para atendimento de emergência.
Mas...
- Não coloque excesso de roupas na criança.
- Não a obrigue ingerir muito líquido ou comer grandes quantidades se estiver inapetente.
- Não faça inalações com remédios caseiros, não use Vick vaporub.
- Não dê remédios sem prescrição, nem mesmo antialérgicos ou antigripais.


Dicas finais:

- Aprenda, leia, tire dúvidas com o alergista sobre a asma.

- Peça que o médico oriente sobre o grau da asma do seu filho.

-Cumprir o plano de tratamento e as medidas de prevenção.

- É preciso que a família saiba como proceder nos casos de crise, seja ela leve ou grave. Por isso, peça ao médico uma orientação sobre a medicação que poderá fazer numa crise até poder encontrá-lo.

- Leve seu filho regularmente ao médico.

- Deixe que a criança maior (e o adolescente) participe do seu tratamento. Ouça suas opiniões e permita que ela converse diretamente com o médico nas consultas.

O tratamento da asma é dinâmico, ou seja, deve ser reavaliado regularmente para checar a necessidade de reduzir, ou até aumentar, essa ou aquela medicação de acordo com a evolução da doença. Mas, se a criança permanece com sintomas apesar da medicação prescrita, é preciso entrar em contato com o médico para reavaliar a medicação.


A criança portadora de asma pode e deve levar uma vida inteiramente normal.





09 Maio 2009

Asma ou bronquite na criança - primeira parte

tossindoCom absoluta certeza, nenhum pai ou mãe desejou que seu filho tivesse asma! Alguns pais passaram pela experiência de ser asmáticos em criança. Outros mantiveram a doença até a idade adulta. No entanto, alguns nem ao menos conviveram ou conheceram algum parente que tivesse asma e, de repente, receberam um inesperado diagnóstico em suas vidas: "Seu filho tem asma”.

É uma doença que provoca insegurança, medo, verdadeiro pânico em algumas situações e, em outras, chega a ser desvalorizada, e até chamada de “bronquite alérgica”, numa tentativa de minimizar o fato.

E tem mais, o tratamento é demorado e complexo, envolvendo mitos, preconceitos, além de englobar uma modificação radical de hábitos.

Por isso, é importante transmitir informações que ajudem os pais a vencer esta etapa e a transmitir às crianças asmáticas uma sensação de confiança e apoio, fundamentais para a superação de sua doença e para uma vida adulta saudável.

E, claro, pais não são apenas os pais biológicos, mas todas as pessoas que se preocupam com as crianças, ou seja: tios, avós, babás, cuidadores, professores,

O que é asma?
A asma é uma doença de duração longa, que se acompanha de uma reação imunológica (alérgica) que provoca inflamação e inchação das vias respiratórias pulmonares, que se tornam estreitadas, dificultando a respiração. A asma é também chamada de bronquite alérgica, bronquite asmática, ou simplesmente bronquite.
Sintomas principais:
Chiado, Tosse, Falta de ar, Desconforto respiratório, Respiração rápida, Catarro ou "gosma", Cansaço.
Toda asma é igual?
Não. Cada criança tem uma maneira própria de manifestá-la. Existem casos onde o único sintoma é uma tosse, insistente e que surge ao correr, rir, chorar, falar muito ou ao fazer esforços físicos. 

A asma pode ser uma doença esporádica, com sintomas leves – por exemplo, uma tosse ou chiado que “vai e vem” (asma esporádica)

Em outros casos, os sintomas já surgem com maior frequência - mais de duas vezes por semana e menos de uma vez ao dia. A criança brinca normalmente, alimenta-se e dorme bem, com boa freqüência à escola. (asma leve)

Os sintomas podem ocorrer com maior frequência, com crises mais de duas vezes por semana e podendo durar dias. A criança acorda à noite, interrompe brincadeiras, falta às aulas em virtude das crises e necessita usar repetidamente os remédios para alívio. (asma moderada)

Os casos mais graves se acompanham de crises diárias, com falta de ar evidente, e prejuízo da qualidade de vida da criança. O sono está bastante prejudicado, não brinca, alimenta-se mal, prejudicando seu desempenho escolar, usando medicação diária e necessitando acompanhamento médico e hospitalar. (asma grave).

Como a asma pode afetar a vida da criança?

A asma pode afetar a criança de diferentes maneiras, desde sintomas discretos, como uma tosse ou leve falta de ar, como também sob forma de crises fortes que necessitem de atendimento em hospital. Mas de uma maneira geral, podemos citar:
- Sono prejudicado
- Falta às aulas, prejuízo no rendimento escolar
- Prejuízo em atividades esportivas
- Interferência na relação com irmãos e amigos

O que pode provocar as crises de asma?

Os principais fatores que podem desencadear crises de asma na infância são:
- Alergia
- Infecções respiratórias (viroses, gripes e resfriados)
- Rinites, sinusites
- Refluxo do estômago
- Exercícios físicos
- Fatores irritantes
- Emoções

Alergia

É uma causa importante na infância e adolescência. É uma característica herdada (genética) que faz com que a pessoa apresente uma árvore respiratória mais sensível a estímulos, como por exemplo, ácaros, mofos, pelos de animais. Além da asma, a criança alérgica pode ter também rinite, dermatite atópica e conjuntivite alérgica.

Infecções Respiratórias
Bebês e crianças pequenas podem chiar de forma intensa quando acometidos por infecções virais. Um exemplo é a bronquiolite. Além disso, gripes e resfriados podem servir como gatilhos para crises de asma nas crianças. Infecções crônicas bacterianas, como por exemplo, as sinusites, também podem impedir que as crises melhorem.

Rinite alérgica
Costuma surgir antes da primeira crise de asma, podendo ser confundida com “gripes repetidas” e não ser corretamente tratada. Nas crianças pequenas, a rinite prolongada pode levar à respiração bucal, ou seja, ela passa a respirar com a boca aberta, o que gera também: diminuição do apetite, sono agitado, roncos noturnos, baba no travesseiro.

A rinite também pode provocar nas crianças uma série de outros problemas como: sinusites, otites, amigdalites repetidas, aumento das adenóides, alterações dentárias e até prejudicar a postura e originando alterações no tórax, como por exemplo, o peito elevado ou então escavado. Por isso, os sintomas nasais devem ser tratados com o mesmo cuidado dedicado à asma.

A sinusite é a inflamação dos seios da face e pode surgir como complicação de uma rinite alérgica. É comum que a sinusite seja lembrada nos casos de dor de cabeça, sensação de peso na face, congestão e secreção nasal catarral. No entanto, nas crianças estes sintomas podem estar ausentes e surgir apenas uma tosse que piora acentuadamente durante a noite. É importante tratar a sinusite porque pode provocar crises de asma na criança alérgica.

Refluxo
Nem sempre está presente sob a forma de vômitos ou de golfadas, mas sim de maneira silenciosa, piorando a asma. Um cuidado simples e que ajuda muito é evitar que seu filho mame deitado. Mas não é suficiente, é preciso aguardar pelo menos um ou duas horas antes de deitar.

Exercício físico
Existe um tipo particular de asma, desencadeada pelo exercício físico. Nem sempre é fácil de detectar. Algumas crianças poderão ter sintomas ao realizar alguns tipos de atividades físicas. Nem sempre a criança queixa-se claramente, mas pode dizer que não gosta de esportes, retrair-se, não participar ou preferir atividades que não cansem (como por exemplo, ficar sempre como goleiro nos jogos de futebol).
Por outro lado, quando a asma não está controlada, os sintomas repetidos podem prejudicar a prática esportiva.

Fatores irritantes
Fumo, ar frio, mudança de tempo, cheiros fortes.
O fumo, assim como também o ar frio, a mudança de temperatura, os cheiros fortes, a poluição, funcionam como fatores que podem provocar irritação e desconforto das vias respiratórias em qualquer pessoa, mas que nas crianças asmáticas, pode provocar crises.

Fatores emocionais
Não existe asma que seja exclusivamente “nervosa”. Mas, é certo que fatores emocionais interferem como provocadores de crises de asma e devem ser abordados em conjunto com a família. Por outro lado, a própria asma pode provocar o surgimento de sentimentos conflitantes que podem prejudicar o desenvolvimento infantil. Casos especiais necessitarão acompanhamento de um especialista.

Escolas e creches
A asma pode afetar a criança não apenas em casa, mas muitas vezes no ambiente escolar, provocando reflexos na sua relação com os colegas e professores. A equipe escolar, por sua vez, nem sempre está preparada para lidar com essas situações, o que pode resultar em problemas na relação com o aluno.

Por isso, a integração entre a escola, a família e o aluno asmático é importante para que este último não seja visto como "diferente". Situações específicas deverão ser discutidas com a família. Se possível, no ato da matrícula, deverá ser preenchida uma ficha com os dados sobre a alergia da criança

Alimentos
A alergia alimentar não é uma causa comum de asma. Por isso, não há necessidade de uma dieta especial, a não ser em casos especiais definidos pelo alergista.


Por que é importante conhecer os fatores que provocam e agravam as crises?
Porque asma não se trata é só tomar remédios. A melhor forma de prevenção é o combate às causas de uma doença e o controle dos fatores que podem agravar o problema.


TRATAMENTO DA ASMA:

1. TRATAMENTO DAS CRISES: através das medicações de alívio

2.TRATAMENTO DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA: com remédios preventivos a longo prazo

3. TRATAMENTO DE PREVENÇÃO

 
a) Controle da poeira, dos ácaros e de outros fatores desencadeantes:
b) Educação da família (manejo familiar orientado da asma)
c) Controle do mecanismo alérgico, através da imunoterapia (vacinas)


O tratamento da asma infantil será tema da segunda parte deste texto.

01 Maio 2009

Semana carioca de prevenção da alergia



Abertura: domingo dia 03 de maio

Montagem de tenda na Praia de Copacabana
Local: Posto 6
Horário: 09:30 às 13:00 horas. 




A Semana Carioca de Prevenção da Alergia será comemorada entre 03 e 09 de Maio de 2009, com objetivo de educar a população sobre a alergia, formas de prevenção e tratamento, chamando a atenção para a importância do especialista no tratamento correto das doenças alérgicas.

Durante o evento, médicos alergistas orientarão a população, distribuirão material educativo, brindes e realizarão medida do Pico de Fluxo Expiratório.

Além disso, o público presente receberá um folder listando os locais disponíveis para atendimento de doenças alérgicas na cidade do Rio de Janeiro.

Atividades durante a Semana Carioca de Prevenção à Alergia:


Segunda feira dia 04 de Maio:

Hospital Central do Exército: realização de atividades educativas de 8 ás 12 horas, no setor 13 dos ambulatórios.

Associação Brasileira de Asmáticos: voluntários da ABRA trabalharão em parceria com o Ambulatório de Alergia do Hospital Central do Exército.

Hospital da Lagoa: "Tirando dúvidas sobre alergia" - Encontro de pais no auditório, às 11 horas.


Terça feira - dia 05 de Maio

Hospital Pedro Ernesto: atividade para pacientes do HUPE aberta também para a comunidade nos moldes de uma palestra multidisciplinar com a participação da Equipe do ambulatório e do Grupo Respirar. Início às 9 horas.

Hospital Universitário Fundão: atividade interativa com os pacientes abordando a importância das principais doenças alérgicas. Métodos que auxiliam o diagnóstico como espirometria, testes cutâneos e o tratamento como medicamentos, controle do ambiente, fisioterapia. Haverá também orientação sobre dispositivos inalatórios e distribuição de material educativo doado pelos laboratórios. Participarão do evento todos os profissionais do Serviço. Ambulatório de Imunologia (2º andar) de 08:00 às 12:00 hs.

Hospital Univesitário Gafrée Güinle: realizará inquérito epidemiológico com a população dos demais serviços do HUGG e também aberto ao público geral. O nome da atividade será: Você está sempre resfriado? Você já teve sinusite? Isto pode ser ALERGIA. Haverá também distribuição de folheto educativo sobre alergia respiratória Local: entrada principal do hospital de 10 ás 12hs.
 

Quarta feira – dia 06 de Maio

Policlínica Geral do Rio de Janeiro: realizará o Bingo da Alergia na quarta feira, dia 06 de maio às 15 horas.

Hospital da Lagoa: “Tirando dúvidas sobre a alergia” - no auditório, às 11 horas.

Hospital São Zacharias: realização de atividades com as crianças do hospital e moradoras das vizinhanças e palestra para pais.


Quinta feira – dia 07 de Maio

Hospital dos Servidores: exibição de filme educativo sobre Asma e Alergia, integrando atividade com público, englobando também a realização de testes alérgicos e distribuição de folhetos educativos. De 9 às 12horas.

PUC: atividade multidisciplinar educativa em sala de espera para pacientes do ambulatório de Alergia na Santa Casa da Misericórdia. Atividade aberta ao público e pacientes de outras clínicas do hospital – de 12 às 15 horas.

Instituto Fernandes Figueira: aula educativa para pais e crianças do hospital, na quinta feira, 7 de maio de 11 às 12 horas.


Sexta feira – dia 08 de Maio
Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG): realização de atividade educativa multidisciplinar em sala de espera durante toda a semana no horário da manhã, orientando pais e familiares, enfocando o controle ambiental e medidas de prevenção em alergia.


Sorrindo 1

07 de Maio: 

Dia Nacional de Prevenção da Alergia e Dia Mundial de Apoio ao Combate à Asma
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