26 Fevereiro 2009

Candidíase

Convidamos a Dra Leila Marinho, especialista em ginecologia e obstetrícia, para falar de um tema muito importante, a candidíase ou monilíase vaginal.

Cândida albicans ou monília é um fungo que vive no solo, nos vegetais e em animais, principalmente no aparelho digestivo de aves e do homem, sem causar danos. Determinadas condições propiciam a sua multiplicação, tornando-o agressivo.

O meio ideal para o crescimento deste parasita é o ácido, quente e úmido, tanto em superfícies quanto em líquidos, sendo, portanto, comum encontrá-lo no ser humano, vivendo em simbiose com nossa flora bacteriana de proteção, como um saprófita.

Homens, mulheres e crianças possuem o fungo em seu corpo. Quanto menores as defesas da pessoa, maior a possibilidade de uma infecção oportunista. Sendo assim, qualquer fator que diminua a imunidade pode levar a uma infecção fúngica (micose), denominada, neste caso, candidíase ou monilíase.

As regiões do corpo onde o fungo é encontrado e estão suscetíveis são:
-Pele, principalmente em dobras
-Mucosas genital e perianal (em ambos os sexos)
-No trato digestório: boca (popularmente chamado de sapinho), estômago e intestinos
-Bexiga e uretra
-Trato respiratório: fossas nasais, faringe laringe, traquéia, pulmão
Dentre estas áreas, a candidíase é mais frequente na genitália (ambos os sexos) e pele. Até um bebê pode adquiri-la.

No homem apresenta-se sob a forma de balanopostite (inflamação da glande e prepúcio). Balanite é inflamação da glande; postite é a inflamação do prepúcio.

A mulher é a maior vítima do fungo. Mais que a metade da população feminina apresenta mais de 2 episódios de candidíase ao ano. A prevalência em mulheres é 20 vezes maior que nos homens.

Existem várias espécies de cândida. Em todo o mundo prevalece como agente etiológico a cândida albicans (ou cândida sp), seguida por c. glabrata e c. parapsilosis, sendo que ainda existem a c. tropicallis, c. pseudotropicallis, c. stellatoidea, c. krusei e c. quilwermond.

Os países quentes dão condições perfeitas para a existência do fungo. No verão os casos triplicam. Nos países frios a incidência também é grande entre aqueles com precários hábitos higiênicos. Sendo assim, é um fungo que não elege faixa social. Certamente pessoas de baixa condição sócio-econômica são alvo desta contaminação, não exatamente por falta de higiene, mas por dificuldade de acesso a informações, à conscientização, ao atendimento médico, aquisição das medicações e à desnutrição.

Como é a candidíase?

Os sintomas e sinais apresentados em ambos os sexos são iguais, a despeito de faixa etária, porém alguns vão apresentar graus variáveis da micose. Neste artigo é ressaltada a candidíase vaginal e vulvar, mas nas outras áreas do corpo, a descrição vale para ambos os sexos.

E se tiver odor desagradável?
A mulher pode apresentar infecção por cândida associada a outras doenças. O fungo, neste caso, “aproveita” o ambiente já agredido para se instalar também.

Apenas como exemplo, comparando-se as características de alguns microorganismos, também comuns à mulher, sabe-se que secreções com odor fétido sugerem contaminação por cocos ou gardnerella vaginalis (vaginose bacteriana) ou, ainda, por trichomonas vaginalis (trichomoníase). Quando a infecção primária é por cândida, também podemos perceber odor, se houver fermentação, mas geralmente na candidíase vaginal o corrimento não tem cheiro intenso.

Fatores predisponentes para se adquirir candidíase:
- Hormônios:
Os estrogênios produzidos pelos ovários, na fase procriativa da mulher, ou os utilizados em anticoncepcionais e terapia hormonal para a menopausa, levam ao aumento do glicogênio no meio vaginal. Quanto maior o nível de estrogênio e do glicogênio, maior a tendência a candidíase.

Os bacilos de Doederlein (também chamados lactobacilos) fazem parte da flora vaginal e intestinal de proteção e transformam este glicogênio em ácido lático. Por isso a vagina tem PH baixo, ácido, o que protege esta cavidade contra bactérias do meio externo. O desequilíbrio desta flora predispõe à colpite micótica.

Na menopausa e na infância a frequência de candidíase é menor, mas como a micose tem vários fatores desencadeantes, não é incomum pessoas mais idosas e crianças a terem. A assadura do bebê, quando não causada pela urina contida na fralda em contato com a pele (dermatite amoniacal), tem como causa a candidíase.

- Uso de antibióticos
Os antibióticos são medicamentos que matam bactérias. Cândida albicans é fungo e não morre com antibiótico. Mas os antibióticos usados para combater alguma infecção bacteriana podem destruir as bactérias que protegem nosso corpo. Assim sendo, os fungos que nos habitam, uma vez que não são combatidos pelos microorganimos de proteção, passam a se multiplicar.
Após terapia antibiótica são frequentes casos de candidíase em intestino (geralmente causando diarréias) e em genitais, principalmente na vagina.

- Diabetes
Em diabéticos, quando a taxa de glicose está alta na corrente sanguínea, há o aumento da acidez no organismo. A candidíase de repetição no diabético sugere que o mesmo não esteja compensado de sua patologia, quando estão acontecendo frequentes episódios de hiperglicemia.

- Uso de corticóides
A ação dos corticoesteróides é necessária em várias doenças, tais como nas doenças autoimunes (como o lupus), doenças reumáticas, asma etc. Mas a corticoterapia tem efeito imunossupressor, ou seja, age inibindo a liberação de enzimas de certas células que habitualmente combateriam os fungos. Com isso, criam-se condições para o seu supercrescimento.

Um outro efeito colateral dos corticóides, com uso de longa duração, é o aumento da glicose no sangue (glicemia), que é fator predisponente a candidíase.

- Gravidez
Os estrogênios e os corticoesteróides naturais de nosso organismo estão aumentados durante a gravidez, da mesma forma que o glicogênio, fatores anteriormente assinalados como facilitadores ao aparecimento da doença.

A inflamação da vulva e da vagina por fungos é a queixa ginecológica mais comum na gestante. Os recursos terapêuticos para se combater o fungo durante gravidez ficam restritos, por haver contraindicação de certas medicações. Com isso, a ocorrência de candidíase se torna mais frequente.

- Anticoncepcionais
Os anticoncepcionais hormonais predispõem a mulher a candidíase da mesma forma que os fatores da gravidez. Quando a mulher apresenta recorrência desta infecção, é indicado o uso das doses mais baixas, ou mesmo a substituição por outros métodos contraceptivos.

- Transmissão sexual
Já foi dito que qualquer ser humano pode apresentar a infecção, mas a mulher está mais propensa a adquiri-la. Durante o ato sexual o parceiro (ou a parceira), contaminado(a) pelo fungo, pode ser transmissor(a) da doença. Da mesma forma que nos genitais, a contaminação pode vir
por via anal ou oral.

O preservativo só protege parcialmente o homem ou a mulher, uma vez que a área infectada pode estar fora de onde a borracha cobre: entre as pernas, entre as nádegas, no púbis, bolsa escrotal, vulva.

Mesmo que os sinais de candidíase sejam na mulher, é conveniente fazer o tratamento conjugal por profilaxia. Homens assintomáticos podem ser portadores do fungo e os transmitir à mulher ou, ao contrário, a mulher pode apresentar candidíase sem apresentar queixas e contaminar o parceiro.

- Imunodeficiência
A morbidade e mortalidade da candidíase estão diretamente relacionadas ao estado imunológico do(a) paciente. Torna-se difícil o tratamento quando a pessoa tem alguma doença crônica ou consuntiva concomitante, como é o caso da SIDA (AIDS), do câncer, na quimioterapia, quadros de carência nutricional, nos pacientes acamados por período prolongado ou internados em CTI.

A infecção sistêmica, acarretada pela disseminação do fungo através da corrente sanguínea, é o quadro mais grave. Há situações onde se faz necessário lançar mão de medicamentos antimicóticos, rotineiramente administrados, principalmente quando o doente já foi acometido pelo fungo.

- Hábitos nocivos
Duchas vaginais: A vagina tem sua flora bacteriana de proteção e não deve ser modificada com duchas vaginais, que muitas vezes são utilizadas com a intenção de higienizar esta cavidade. Toda vez que os lactobacilos são carreados ou destruídos, imediatamente o local é povoado por fungos e bactérias estranhas.

Desodorantes íntimos: sprays aromatizantes, perfumes e desodorantes íntimos podem retirar o manto gorduroso de proteção da pele e mucosas, além de mudar, para mais ou menos, o PH local. Deve-se usar apenas sabonetes neutros.

Vestimentas inadequadas: Para se manter a região perineal o mais protegida possível dos fungos, é importante que se use roupas que facilitem a transpiração, principalmente no clima quente.

Higiene pessoal: Tomar banho ainda é uma recomendação, que, a princípio, parece óbvia, mas muitas pessoas não gostam de tomar banho ou não sabem tomar banho.

Ao acordarmos, após uma noite de sono, estamos sujos, mesmo que não pareça. Estamos também sujos após um dia de trabalho. Deve-se, pelo menos, lavar a região genital e ânus, principalmente após a evacuação, uma vez que é do intestino que vem rica fonte de fungos.

O uso do papel higiniênico após a evacuação deve ser passado na direção dos genitais para o ânus, mas o mais importante é lavar-se a seguir.

Também é indicado tomar banho de corpo inteiro, além da escovação dos dentes e língua, previamente ao contato sexual e após o mesmo.

As calcinhas, cuecas, shorts e calças compridas devem ser trocados diariamente ou, até, mais de uma vez ao dia, ainda mais se a pessoa estiver com micose. Nossas roupas não precisam ser lavadas com água fervente, apenas sabão em pó ou detergentes, e secas de preferência ao sol. Roupas mal lavadas e que são secas em lugares úmidos, como o banheiro, mantêm o fungo no tecido.

Não se deve compartilhar roupas íntimas e toalhas com ninguém. Isso também vale para escovas de dente.

Banheiras e bidês, se não perfeitamente limpos, são povoados por microrganismos os mais variados, inclusive a cândida. A água das piscinas, quando bem tratada com cloro, que tem forte poder germicida, não oferece risco, porém não se pode dizer o mesmo fora dela.

Uma ressalva é que o cloro altera o PH da pele e mucosas, facilitando a autocontaminação pelo fungo, acrescido do uso de roupas de banho com tecido sintético, que mantêm umidade e calor no corpo. São alertas importantes para quem pratica natação ou é usuário de piscinas em clubes. A água do mar não carreia o fungo, mas é na areia que mora o perigo. Felizmente em nossa sociedade não são habituais os banhos comunitários em ofurôs ou banheiras.

Por falar em banheira, ninguém consegue se limpar tomando banho em uma, prática comum em países frios. É um raciocínio lógico, pois todos os nossos germes retirados do corpo estarão sobrenadando à nossa volta. Deve-se tomar banho de chuveiro antes.

Alimentação: Quanto mais saudável e rica for sua alimentação, melhor vai ser a imunidade do ser humano. Isso não significa que precisamos comer muito, mas comer com qualidade: carnes magras, verduras, frutas, legumes etc.

Quanto mais rica em açúcar e carboidratos for a dieta, maior o risco de crescimento de fungos no intestino, que, como já foi abordado, é habitat da cândida e por onde se pode adquiri-la para outras áreas do corpo.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico clínico da candídíase, na maioria das vezes, é fácil, pois os sinais e sintomas são muito característicos, mas ela pode ser confundida com outras doenças, principalmente em quadros graves ou exacerbados.

Toda vez que a mulher apresentar os sintomas, deve ser examinada. A cada semestre, deve ser realizada a colpocitologia, que é o exame de Papanicolau ou preventivo.

A pesquisa do fungo através de culturas especificas fica direcionada aos casos clínicos de difícil esclarecimento, para o diagnóstico diferencial com outras patologias.

Nos casos comuns temos variadas opções terapêuticas, que incluem cremes, pomadas, loções e medicação por via oral. O tempo de tratamento, a apresentação a ser usada e o esquema terapêutico devem estar de acordo com a conduta médica.

O paciente não deve se automedicar, ainda mais se está apresentando reincidências da micose. É necessário investigar os fatores causadores do problema.

As vacinas atuais não são específicas para a candidíase, mas, sim, imunomoduladores, que ajudam a combater a doença, aumentando a defesa celular contra o fungo.

Visite o site da Dra Leila

22 Fevereiro 2009

Carnaval - aproveitando a folia


Carnaval para alguns é sinônimo de diversão, alegria, folia e muita animação! Há os que preferem descansar. Para outros, significa oportunidade de viajar. Para todos a equipe do Blog da Alergia preparou dicas para o carnaval:


- Brincar o carnaval pede roupas leves. As fantasias para adultos e crianças devem primar pelo conforto: prefira roupas de algodão: a pele suada em contato com tecidos sintéticos ou lycra pode coçar e desenvolver erupções bastante desconfortáveis.

- Crianças devem ficar bem à vontade: evite muitos adereços que possam incomodá-la.

- Em caso de usar uma fantasia do ano passado, ou como é comum nas crianças, aproveitar a fantasia do irmão mais velho, lembre-se de lavar previamente e de colocar adereços para arejar. Penas e plumas podem provocar irritação nasal

- Os olhos merecem atenção especial, pois sofrem com o suor, aglomerações, produtos químicos. Use maquiagem leve. Confira se o produto é confiável e se está na validade. Existem marcas especializadas para crianças, aprovadas pela Anvisa e pelo Inmetro. Lavar as mãos durante a folia é recomendado. O ideal é que cada pessoa tenha seu próprio material de maquiagem, evitando compartilhar produtos

- Crianças pequenas não devem pintar os olhos, pois tendem a se coçar e assim facilitar a penetração de resíduos provocando irritação local e alergia.

- Não use sprays de espuma (neve artificial ou serpentina artificial). Estes produtos são perigosos e contem uma série de substâncias químicas capazes de causar irritação ou sensibilidade na pele e olhos. Estudos recentes demonstraram que quando o contato é prolongado ou quando usados sob o sol, podem ter seus malefícios potencializados. Recomenda-se lavar a pele e olhos o mais rápido possível após o contato.

- Bebeu demais? Cuidado com os remédios para ressaca, pois alguns contem ácido acetil salicílico. Pessoas alérgicas a analgésicos devem levar sua medicação alternativa para na hora da dor de cabeça, não cair na tentação de tomar qualquer “comprimidinho”, por mais inofensivo que pareça.

- Aos que apreciam acampar, lembramos que barracas, sacos de dormir e demais apetrechos devem ser arejados e lavados com antecedência.

- Banhos em rios e cachoeiras são muito agradáveis, mas não se esqueça de usar repelente, em especial no caso de ser alérgico à picada de insetos. Evite usar roupas muito coloridas, perfumes ou desodorantes com cheiro ativo, pois a cor e o odor atraem os insetos.

- Imóveis alugados para temporada podem ter focos de mofo e pó. Areje bem e limpe antes da chegada do alérgico, com pano umedecido e sabão, evitando espanadores e vassouras.
carnaval
Cuide-se, alimente-se bem, beba bastante água e aproveite o carnaval!


20 Fevereiro 2009

Notícia


Pesquisadores dizem ter 'curado' alergia a amendoim
Fontes: O Globo, BBC Brasil

Pesquisadores do hospital Addenbrooke, de Cambridge, na Grã-Bretanha, afirmam ter conseguido curar um pequeno grupo de crianças que sofria de alergia a amendoins.

A equipe de pesquisadores expôs quatro crianças a amendoins durante seis meses, aumentando de forma gradual a tolerância do grupo ao alimento.No final deste período, as crianças conseguiam consumir o equivalente a cinco amendoins por dia. Esta foi a primeira vez que uma alergia alimentar foi dessensibilizada, mas ainda é preciso observar os efeitos em um prazo mais longo.
Alergias a amendoins em sua forma mais comum causam problemas respiratórios. Mas, em casos mais sérios, a alergia pode levar a um choque anafilático, que pode ameaçar a vida do alérgico.

"Todas as vezes que pessoas com alergia a amendoim querem algo, eles temem que isso possa matá-los", disse Andy Clark, o pesquisador que liderou o estudo."Nossa motivação foi encontrar um tratamento que mudaria isso e dar a eles a confiança para comer o que gostam. É uma questão de qualidade de vida", acrescentou.
"Não é uma cura permanente, mas, enquanto continuarem a tomar uma dose diária, eles poderão manter a tolerância", completou Clark.
A pesquisa foi publicada na revista especializada Allergy

O conceito de dessensibilização de alergias já foi aplicado antes com sucesso em casos de alergias a picadas de abelhas e vespas e alergias a pólen, mas esta foi a primeira vez que pesquisadores conseguem resultados positivos em um caso de alergia alimentar.

A equipe do hospital de Cambridge agora pretende expandir o estudo e incluir outras 18 crianças. Eles afirmam também que não há razão para que a técnica não funcione também em adultos.

O tratamento para a alergia foi iniciado com a equipe fornecendo às crianças uma pequena dose de 5 miligramas de farinha de amendoim, antes que elas pudessem ter seus corpos treinados para aguentar doses de 800 miligramas, o equivalente a cinco amendoins.

"É muito difícil descrever a diferença", disse Kate Frost, mãe de Michael, 9 anos, que foi um dos quatro participantes. "Não apenas na vida de Michael, mas para todos nós."

"Uma alergia a amendoim afeta a família inteira", acrescentou. "Você não pode ir a um restaurante. Se seu filho vai a uma festa de aniversário, ele leva o próprio lanche."

John Collar, diretor clínico da entidade beneficente britânica Allergy UK, afirmou que a pesquisa "é um importante passo à frente".

"(A pesquisa) pode fazer muita diferença, mas ainda é muito cedo para afirmar se vai funcionar para todos", disse Collar. "Precisamos analisar quando mais pessoas forem envolvidas em um período mais longo."

15 Fevereiro 2009

Sol e limão - esta dupla é perigosa



Carlos dirigia o carro na estrada. Viagem longa,decide parar para almoçar, aproveitando que tinha amigos num restaurante bem próximo. Chegando lá, ajudou a fazer uma gostosa limonada suíça, para acompanhar o peixe pescado na hora.

Passadas algumas horas, o susto: sua mão esquerda tinha uma grande mancha vermelha, sua pele estava irritada. O aspecto assustava, parecia uma queimadura. Verificou também que tinha manchas menores na barriga e no rosto, em volta dos lábios. Ficou muito assustado, procurou um médico que fez o diagnóstico. O nome era complicado: “fitofotodermatite” (fito=vegetal, foto=luz e derma=pele e ite=inflamação). Ou seja, uma reação cutânea causada por plantas e vegetais na presença de luz solar. É chamada também de fitofotomelanose. Um grande número de pessoas pode apresentar lesões vermelhas, escurecidas, semelhantes a uma queimadura, resultantes da sensibilização com o sumo de frutas cítricas (o mais freqüente é o limão) após expor à luz do sol.

Em geral tem evolução benigna. Em alguns casos, as lesões podem se acompanhar de bolhas e evoluir para uma queimadura. O aspecto é variado: ora pontilhado, correspondendo aos locais onde o limão respingou; ora sob a forma de manchas; ou até um aspecto “escorrido”, como por exemplo, em crianças, após tomar picolés ou sorvetes de limão na praia. Mas não é só o limão que pode provocar este problema. Outras frutas e vegetais: Bergamota, figo verde (incluindo as folhas), laranja, lima, lima da pérsia, manga, nabo, tangerina. O uso de folhas de arruda em receitas caseiras para combater piolhos é perigoso, podendo causar lesões cutâneas severas.

Como prevenir?

- Evite fazer (ou beber) limonadas, sucos de frutas, picolés, caipirinhas ao se expor ao sol.
- Lave bem as mãos sempre que manipular frutas cítricas sob o sol.
- Lave o rosto, em volta da boca.

- Perfumes podem provocar uma reação semelhante: não use perfumes antes de se expor ao sol.
- Use bloqueador solar no local afetado.

- Não use bronzeadores caseiros, em especial aqueles que são feitos à base das folhas do figo. São perigosos e podem ocasionar queimaduras graves.


Leia mais sobre o tema em:
Marcas na pele

08 Fevereiro 2009

Volta às aulas



As férias acabaram e chegou a hora de voltar às aulas. Uma boa idéia é aproveitar este momento para fazer uma visita ao alergista e reiniciar o ano letivo com boa saúde.
As doenças alérgicas são muito comuns nas crianças e adolescentes em idade escolar. Dados de pesquisa realizada no Brasil apontam que em uma classe de 30 alunos, cerca de 5 podem ter asma e 9 a 10 alunos podem ser portadores de rinite alérgica.

É comprovado também que a alergia é uma das maiores responsáveis por falta às aulas. Sem contar que em muitas crianças e adolescentes, há uma nítida interferência da doença no aprendizado. E, não são apenas as doenças mais graves que prejudicam. Um exemplo é a rinite alérgica, causando obstrução nasal persistente, aumento de adenóides ou otite, acarretando diminuição da audição, muitas vezes de forma discreta e nem sempre percebida, mas suficiente para atrapalhar o aluno nas aulas e ditados.

Por isso, vamos chamar a atenção para as doenças alérgicas e influências na escola:




ASMA

È muitas vezes chamada de “bronquite asmática”, “bronquite alérgica” ou simplesmente “bronquite” e se caracteriza pela presença de inflamação nos brônquios e por crises de falta de ar, chiados, tosse e catarro no peito. Inicia-se em geral na infância, mas pode acometer qualquer idade.

As crises de asma são muito variadas, podendo se manifestar por pequenos sintomas, como exemplo, uma tosse que aparece quando a pessoa ri, corre, faz esforços ou à noite. Em outros casos, a asma se acompanha de sensação de aperto no peito, dificuldade para respirar, cansaço, tosse e catarro. Crises graves podem necessitar hospitalização e ameaças a vida.

Os sintomas de asma podem ser intermitentes, ou seja, surgirem de vez em quando, alternando com longo tempo sem se manifestar; ou sintomas persistentes e repetidos, atrapalhando suas atividades diárias. As crises de asma podem surgir em resposta a fatores do ambiente – na casa ou na escola – e necessitam tratamento imediato para evitar atendimentos em pronto socorro e internação hospitalar. A medicação inalada é importante para o controle da asma, mas sofre preconceito por grande parte das pessoas.

Por tudo isso, é muito importante que a equipe escolar conheça a asma e atue em sintonia com as orientações médicas.


RINITE

Rinite alérgica é uma doença que se manifesta por inflamação da mucosa nasal e com sintomas repetidos de: espirros em salva, coriza abundante, obstrução nasal (nariz entupido) e coceira em nariz, olhos, ouvidos e garganta.

Os sintomas da rinite se assemelham a um resfriado comum e por isso podem passar despercebidos pelo paciente, pela família ou mesmo pelo médico. Com o passar do tempo, pode piorar e surgir comprometimento em olhos (conjuntivite), ouvidos (otites), seios da face (sinusite), pulmões (bronquite ou asma), etc. Ou seja, a repetição das crises pode acarretar outras doenças, desconforto, noites mal dormidas, faltas à escola e prejuízo no aprendizado. Crianças com rinite podem ser confundidas com crianças hiperativas, pois tendem a ser irritadiças, desatentas com os colegas e professores.

O controle de fatores ambientais, em casa ou na escola, é essencial para o sucesso do tratamento da rinite alérgica.


DERMATITE ATÓPICA

A dermatite atópica se caracteriza por uma pele seca, irritadiça, com muito prurido (coceira) e pela presença de lesões eczematizadas, em especial em dobras dos braços, pernas e pescoço. Pode variar desde formas leves e quase imperceptíveis até acometimento severo da pele. Pessoas portadoras de dermatite atópica podem sofrer com o preconceito, seja pelo aspecto das lesões, seja pelo medo de ser contagioso.

É importante ressaltar que a presença do eczema na pele pode influenciar o relacionamento social, prejudicando seu desenvolvimento, bem como o rendimento escolar e o companheirismo com os colegas.

A orientação adequada do professor e da equipe escolar é muito importante, a fim de combater preconceitos e tranqüilizar o aluno. Além disso, a compreensão de que algumas medidas poderão ajudar o aluno atópico.

- O calor e a sudorese são fatores que pioram a DA e por isso, os uniformes devem ser de tecido leve (algodão). Evitar uniformes confeccionados com tecidos grossos (ex: jeans) ou sintéticos (ex: helanca, lycra). O aluno deve ter a opção de uso de bermudas e de modelos mais leves, de preferência em algodão.

- Algumas crianças necessitam tomar banhos com sabonetes especiais e usar hidratantes, em especial após aulas de educação física, atividades esportivas e piscina.


ALERGIAS ALIMENTARES

Alergias alimentares resultam de uma reação anormal do sistema imunológico a um determinado tipo de alimento e podem surgir como urticária, manchas na pele, diarréia, vômitos, entre outros. Sintomas graves vêm no máximo duas horas depois da ingestão de alimentos. Falta de ar, inchaço e desmaio costumam indicar choque anafilático.

Uma vez detectada a alergia alimentar, resta evitar o alimento suspeito. Mas, não basta: é preciso evitar também os derivados daquele alimento. Por exemplo, uma pessoa alérgica a leite deve evitar também: biscoitos, yogurtes, manteiga, chocolates ao leite, etc. Por isso, é importante ler os rótulos e, se não tiver rótulos, avaliar a composição dos alimentos antes de ingeri-los.

A orientação do professor e da escola é fundamental para que se evite a crise, que pode ser grave.


Como a escola pode ajudar:

- A limpeza das dependências da escola deve ser feita fora do horário das aulas, na ausência dos alunos
- Obras, pinturas e dedetizações devem ser programadas para o período de férias
- As salas de aula devem ser bem ventiladas
- O fumo não deve ser permitido nas salas de aula
- Nas turmas de crianças pré-escolares e nas aulas de artes prefira utilizar tintas e substâncias com pouco odor
- Evite o uso de cortinas nas salas de aula e, se necessárias, lavá-las periodicamente
- Ventiladores devem ser limpos diariamente com pano úmido e a limpeza dos aparelhos de ar condicionado deve incluir a lavagem do filtro de ar (espuma)
- O pó do giz pode provocar irritação das vias respiratórias e piorar a asma e rinite. O ideal é usar quadro branco, mas se não houver outro jeito, a limpeza do pó de giz deve ser feita com pano úmido.
- Para pré-escolares, que tiram sonecas na escola, usar colchões e travesseiros encapados.

Aulas de Educação Física e prática de esportes podem ser realizadas pelos alunos portadores de asma, desde que tenham sua doença sob controle. O uso de medicação adequada pode ser prescrito pelo alergista para evitar as crises de asma.

É importante estabelecer um diálogo com a família e o médico para que se possa colocar em prática os cuidados necessários. No ato da matrícula, deverá ser feita uma ficha com os dados da criança, incluindo cópia a receita e do plano de ação. A equipe escolar deverá ser orientada pelos pais sobre os primeiros sintomas de crise e ter disponíveis números de telefones para eventuais necessidades. Caso seja necessário, é preciso que se permita o uso de remédios no horário escolar, desde que sejam seguidas as orientações médicas pertinentes

O aluno asmático não deve ser considerado “diferente” ou ser tratado com mimos especiais: bem controlado, estará apto a se integrar às atividades executadas na escola ou fora dela. As situações especiais deverão ser discutidas com a família.

07 Fevereiro 2009

Notícia ...


 
Exames de sangue confundem alergias alimentares com alarmes falsos


Para Ingelisa Keeling, mãe de três filhos com alergias múltiplas, a hora de comer era uma luta. Nozes, ovo, trigo, carne bovina, ervilhas e arroz eram todos proibidos – banidos pelo alergologista das crianças.

Porém, recentemente, Keeling soube que a dieta de sua família não precisava ser tão restritiva. Embora seus filhos realmente tenham alergias reais – a amendoim, leite e ovos, entre outros alimentos –, extensivos exames em um grande centro de alergias mostraram que eles não eram verdadeiramente alérgicos a muitas das comidas que evitavam. Seu filho de dois anos, que vivia a base de uma dieta formada basicamente de batatas, frutas e uma fórmula hipoalergênica, voltou a comer trigo, bananas, carne bovina, ervilhas, arroz e milho.

"Sua dieta era tão restritiva que a nutrição havia se tornado uma preocupação real", disse Keeling, que viajou até especialistas do National Jewish Health em Denver, no último verão, buscando respostas sobre a dieta de seus filhos e problemas de eczema. Entre outras descobertas, ela aprendeu que nenhum de seus filhos mais novos era realmente alérgico a trigo.
"Essa foi a grande mudança", disse ela. "O trigo está em tudo, então a vida fica bem mais fácil."

Mania de alergia

Os médicos dizem que alergias alimentares mal-diagnosticadas parecem estar em alta, e incontáveis famílias estão desnecessariamente evitando certas comidas e gastando centenas de dólares em caros suplementos não-alergênicos. Em casos extremos, alergias mal-diagnosticadas colocaram crianças em risco de subnutrição.
E evitar alimentos por alergias equivocadas pode piorar o problema geral – ao tornar as crianças mais sensíveis a certos alimentos, quando elas finalmente voltarem a comê-los.

Estima-se que mais de 11 milhões de americanos, incluindo três milhões de crianças, tenham alergias alimentares, mais comumente a leite, ovos, amendoim e soja. A incidência entre crianças aumentou 18% na última década, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Apesar de o aumento parecer real, isso também ocorre com o aumento de diagnósticos equivocados.

O culpado parece ser o uso indiscriminado de exames simples de sangue para anticorpos que poderiam sinalizar uma reação a alimentos. Os exames surgiram como uma alternativa rápida e conveniente aos desconfortáveis testes de pele e aos demorados exames de "desafio da comida", que medem a reação de uma criança ao ingerir certos alimentos sob a supervisão de um médico.

Ineficaz

Enquanto os exames de sangue podem ajudar os médicos a identificar alimentos potencialmente arriscados, eles nem sempre são confiáveis. Um artigo de 2007 da publicação "The Annals of Asthma, Allergy & Immunology" relatou uma pesquisa do Centro Infantil do Johns Hopkins, descobrindo que exames de sangue para alergia podiam ser sub ou superestimados pela reação imunológica do nosso corpo. Um relato de 2003 da publicação "Pediatrics" diz que o resultado positivo em um exame de sangue para alergia só correspondia a uma alergia real em menos da metade dos casos.

"O único exame verdadeiro para saber se você é alérgico ou não a uma comida é comê-la e esperar por uma reação", disse David Fleischer, professor assistente de pediatria do National Jewish Health.

Em um recente caso nesse centro médico, os médicos trataram de um menino que havia recebido um tubo de alimentação porque exames de sangue indicaram que ele era alérgico a praticamente todos os alimentos. O "desafio da comida" permitiu que os médicos introduzissem rapidamente 20 alimentos à sua dieta, e eles esperam adicionar ainda mais.

O truque da semelhança

Os exames de sangue podem não ser confiáveis por não conseguirem distinguir entre proteínas similares em diferentes comidas. Uma criança que é alérgica a amendoim, por exemplo, pode ter resultado positivo para alergia a soja, feijões verdes, ervilhas e feijão comum. Crianças com alergia a leite podem ter resultado positivo para alergia a carne bovina.

A pergunta mais importante ao se diagnosticar alergias alimentares é se a criança já tolerou a comida no passado, diz Fleischer. Enquanto algumas alergias severas são óbvias, os pais que recebem resultados positivos de exames de sangue deveriam buscar conselhos de um alergologista experiente – que realize o exame do desafio da comida supervisionado.

Mesmo quando uma alergia alimentar é confirmada, os pais devem reexaminar seus filhos, pois muitas alergias desaparecem – particularmente em caso de leite, ovos, soja e trigo.
Grupos de médicos também estão começando a reconhecer que algumas de suas próprias diretivas podem ter contribuído aos testes exagerados e aos diagnósticos equivocados. Um comitê da Academia Americana de Asma, Alergia e Imunologia está considerando direcionamentos revisados, recomendando a introdução precoce de alimentos como ovos, amendoim e moluscos, que no passado foram indicados para depois dos 2 ou 3 anos de idade. Um estudo de 2008 com 10 mil crianças britânicas, relatado na publicação "The Journal of Allergy and Clinical Immunology", descobriu que a exposição precoce a amendoim reduzia o risco de se desenvolver a alergia.

Assim como uma alergia indica a supersensibilidade a certos alimentos, pode ser que médicos e pais tenham se tornado supersensíveis às próprias alergias alimentares. Em um ensaio na publicação inglesa "The British Medical Journal" de dezembro, Nicholas A. Christakis, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, argumenta que uma "reação exagerada" à alergia está levando a exames desnecessários e falsos positivos.

"Se a criança está bem, eu aconselharia os pais a não realizar exames contra alergias, pois os resultados apresentam mais possibilidades de se tratar de falsos positivos do que positivos verdadeiros", disse Christakis em entrevista. "Se você realmente achar que a criança precisa de um exame de alergias, seja extremamente cuidadoso e procure profissionais de boa reputação."

Fonte: Portal G1

02 Fevereiro 2009

Fumo de terceira mão




Que o cigarro faz mal para quem fuma não é novidade.

Que o fumo atinge as pessoas que convivem no mesmo teto com o fumante (ou pessoas que trabalham na mesma sala com o fumante), provocando o chamado tabagismo passivo, também é um fato comprovado.

Ser fumante passivo é inalar a fumaça do cigarro, cachimbo, charuto ou cigarrilha, apenas pelo simples ato de respirar. É poluir-se com a fumaça produzida pelo outro e jogada num ambiente partilhado por todos. Usa-se também o termo "fumante de segunda mão", com o mesmo significado.

Mas, a Academia Americana de Pediatria publicou recentemente um estudo chamando a atenção para um novo fato: o "fumo de terceira mão", termo usado para definir a fumaça extinta que permanece no ambiente deixando um nível significativo de toxinas no ar, nas superfícies ou na poeira, podendo prejudicar outras pessoas que convivem no mesmo ambiente.

Ou seja, a contaminação pela fumaça continua mesmo depois de o cigarro ter apagado, derrubando por terra o argumento dos fumantes que dizem que "fumam na janela" ou na rua ou mesmo que alegam fumar em outro aposento.

"Quando você fuma - em qualquer lugar - partículas tóxicas da fumaça de tabaco permanecem em seu cabelo e em suas roupas", disse o autor principal do estudo, Jonathan Winickoff. "Quando você tem contato com o seu bebê, mesmo que não esteja fumando no momento, ele se contamina com essas toxinas. E se você amamenta, as toxinas vão se transferir para seu bebê em seu leite".

O fumo passivo é uma grande causa de doença respiratória além de agravar comprovadamente a alergia respiratória (asma e rinite) em crianças e adultos. Contudo, crianças são mais susceptíveis, pois ficam mais tempo em casa, mexem e colocam mais a boca nas superfícies, e já foi demonstrado que a inalação de poeira por crianças é duas vezes maior que no adulto.

A fumaça do cigarro contém cerca de 250 gases tóxicos, entre eles: hidrogênio cianide (usado em armas químicas), monóxido de cabono (também no escapamento do carro), butano (fluido para isqueiro), amônia (também usado em produtos de limpeza), tolueno (também no thinner), arsênico (também nos pesticidas), chumbo (também nas tintas de parede), cromo (usado na fabricação do aço), cádmio (também nas baterias e carro), polônio-210 (radioativo). Onze dos 250 gases tóxicos do cigarro são classificados como compostos carcinogênicos do grupo 1, ou seja, os mais carcinogênicos.

A fumaça que sobe do cigarro que queima "inofensivamente" no cinzeiro contém nicotina, monóxido de carbono e substâncias cancerígenas, representando 95% da poluição produzida pelo fumante. http://www.cigarro.med.br/cap25.htm

Hoje a legislação proíbe o fumo em coletivos, aviões, ambientes comerciais, shopping centers, cinemas, teatros, etc... Por que não dentro de nossos próprios lares?


Leia o artigo na íntegra:Beliefs about the health effects oh "thirdhand smoke" and home smoking bans – Jonathan P. Winickoff e colaboradores.
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