30 Janeiro 2009

Qualidade de vida: dormir bem é preciso



Tradicionalmente, avalia-se a presença e a intensidade de uma doença pesquisando seus sintomas e parâmetros funcionais objetivos. A melhora ou não destes sintomas costuma ser empregada para aferir a eficácia do tratamento. Embora não existam dúvidas que tais aspectos sejam importantes, nem sempre são suficientes para determinar os efeitos da doença sobre a saúde do indivíduo.

A percepção da doença é diferente, do ponto de vista do médico e do paciente. Médicos e profissionais de saúde têm se mostrado cada vez mais interessados na qualidade de vida e na satisfação do paciente, paralelamente às outras características relacionadas à doença e/ou ao tratamento.

A rinite alérgica não é uma doença grave, mas é capaz de alterar significativamente a qualidade de vida dos pacientes em qualquer idade, diminuindo o desempenho no trabalho ou no aprendizado escolar.
É fundamental ressaltar que os prejuízos da doença são vivenciados não apenas por adultos, mas também por crianças e adolescentes portadores de rinite alérgica. De maneira geral, os pacientes sentem-se incomodados pelos sintomas propriamente ditos, particularmente pela obstrução nasal, coriza e espirros. Sentem-se frustrados e irritados por não conseguirem dormir bem à noite e estarem exaustos durante o dia. Vivenciam ainda outros sintomas que causam desconforto tais como: roncos, sede, sonolência diurna, baixa concentração, dor de cabeça. Consideram muito desgastantes alguns problemas de ordem prática como, por exemplo, a necessidade de carregar lenços e assoar o nariz o “tempo todo”.

Nos pacientes com rinite alérgica o sono se altera em consequência dos sintomas da doença mas também pela ação de substâncias envolvidas na doença, surgindo os chamados distúrbios do sono, com impacto inquestionável na qualidade de vida.

É muito importante tratar a rinite, mas incluir também no tratamento as medidas de higiene no ambiente do quarto do alérgico e a avaliação do sono. O objetivo é prevenir suas repercussões na qualidade de vida do paciente.


Adaptado de editorial de autoria da Dra Inês Cristina Camelo Nunes, publicado na Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia – volume 31 – nº 6 – novembro/dezembro de 2008.

19 Janeiro 2009

Viagem sem alergia

mala

As férias escolares chegaram e convidam a viajar. 
É hora de aproveitar momentos de lazer e de convivência com a família e os amigos, fora da rotina dos compromissos, estudo e do trabalho.
Mas, e a alergia, como fica?
Bem, a alergia não tira férias, mas pode ser controlada.
Por isso, seguem algumas dicas para uma viagem tranqüila, feliz e livre de problemas.

1) Preparativos para a viagem
- Ao definir o roteiro, confira as condições de clima, tipo de hospedagem e hábitos do local. Por exemplo, se escolher uma casa de veraneio, certifique-se se está aberta, se foi realizada uma limpeza adequada e leve todas as roupas de cama e travesseiros. Dormir em um colchonete guardado em casas fechadas ou usar uma roupa de cama sem lavar pode trazer muito desconforto e desencadear crises de asma ou de rinite alérgica.
- Verifique se seu plano de saúde dá cobertura no local escolhido.

- Agende uma consulta com o médico para que ele avalie suas condições. Peça que escreva uma receita contendo orientações, suas medicações contínuas e pergunte sobre os cuidados e remédios para casos de crise. Pessoas que já tiveram reações de anafilaxia devem levar também adrenalina (epinefrina).

No caso da asma, não há necessidade de se levar aparelhos nebulizadores, que são grandes, além de necessitar energia elétrica, que em muitos locais têm diferença de voltagem. Os sprays contendo broncodilatadores, usados com espaçador, têm o mesmo efeito.

- Organize uma bolsa contendo os remédios, numa quantidade que dure por toda a viagem e leve em sua bagagem de mão para facilitar o acesso. Escreva uma escala de horários para facilitar o uso, já que estará fora da rotina e coloque junto a receita do seu médico.

- No caso de uma alergia alimentar, em especial se vai viajar para o exterior, informe-se sobre os costumes e ingredientes mais comuns da culinária local. Entre em contato com a companhia aérea para definir a dieta durante a viagem.

- Se uma criança viaja sozinha, é interessante passar uma cópia da orientação por escrito ao responsável, para facilitar seu cumprimento.

- Ao viajar de carro, inclua na revisão do automóvel uma boa lavagem, revisão do ar condicionado e aspiração dos bancos.

- Se estiver em uso de imunoterapia, avalie as condições de refrigeração para conservação da vacina. Em viagens ao exterior, o transporte e as aplicações podem ser complicados. Converse com o alergista a possibilidade de interromper durante o período.

- Recomenda-se aos portadores de alergia a medicamentos que levem consigo um cartão com as devidas informações sobre seu caso.


2) Durante a viagem

- Viajando de carro, ônibus, avião ou navio, o passageiro está exposto a uma série de fatores no ambiente que poderão precipitar sintomas de asma e de rinite alérgica, incluindo revestimentos acarpetados,estofamentos, sistemas de ventilação, etc..

- A umidade baixa no interior de aviões pode causar ressecamento das vias respiratórias. Ônibus dotados de ar refrigerado, em especial nas viagens longas, também podem provocar este efeito. O uso de um spray nasal contendo solução salina pode ser útil para diminuir o desconforto.

- A variação de pressão durante as viagens aéreas, em especial na decolagem e aterrissagem pode levar a sensação de pressão ou dor na face ou ouvidos, em especial nas pessoas portadoras de rinossinusite alérgica. Para prevenir, recomenda-se uso prévio de solução salina nasal e fazer movimentos faciais como bocejar ou mascar chicletes. Crianças pequenas se beneficiam com o uso da chupeta. O médico poderá indicar o uso de um descongestionante nos casos específicos.

- Viajando de carro, não permita que fumem no veículo.

- Cruzeiros marítimos estão em alta. Tome cuidado com a exposição ao sol: o uso de protetor solar e do hidratante é valioso na proteção cutânea, em especial nos portadores de dermatite atópica. Evite permanecer longas horas na piscina e troque a roupa molhada para outras atividades. Caso tenha alergia alimentar, comunique previamente para que seja providenciado um menu especial a bordo.



3) Chegando ao destino

- O ambiente e o clima do local de destino também influenciam no sucesso de uma viagem. Para isso, leia o texto: "Férias com saúde", publicado em Dezembo de 2006.

- Em caso de acampamentos, os cuidados poderão ser mantidos sem estragar o prazer de viajar. Leia mais no artigo "Acampando sem alergia".

- É fácil esquecer compromissos durante as férias. Para lembrar o horário das medicações, use o alarme do telefone celular.

- A prática esportiva, em especial dos esportes radicais, deve respeitar a capacidade física de cada pessoa. Asmáticos devem ter sua medicação de resgate à mão, para eventuais crises. 

 

avião

E, o mais importante, aproveite o passeio e tenha uma ótima viagem!






10 Janeiro 2009

Testes Alérgicos



Ao atender um paciente com queixa de alergia, o médico alergista ouve a história da pessoa e dos seus sintomas de forma minuciosa e completa, ou seja, quando iniciou, detalhes sobre as crises (tipo, frequência e intensidade), hábitos, condições ambientais, presença de alergia em outros membros da família, características pessoais, etc.

É mesmo um trabalho de detetive, procurando com argúcia não apenas o tipo da doença, mas o alergeno sensibilizante e as possíveis causas d
a doença. O exame físico cuidadoso completa a base para a definição do diagnóstico.

Partindo dos dados obtidos, o médico poderá solicitar exames que auxiliem sua pesquisa e realizar testes alérgicos.

Testes, portanto, não servem para “descobrir” ou para prever uma alergia, mas sim para complementar a suspeita médica e identificar os agentes provocadores da alergia.

A realização do teste alérgico deve obedece
r normas científicas e utilizar material padronizado, sendo realizado por médico especialista e capacitado para tal. Um teste bem feito é certamente um método valioso e fundamental para o médico, seja para detectar a causa como para orientar o tratamento.

Tipos de testes alérgicos

1- Teste de puntura (ou “prick test”): indicado na suspeita de atopia, alergias respiratórias e alimentares. É um procedimento rápido, seguro e
indolor, realizado no antebraço do paciente. Após limpar o local com álcool, pingam-se algumas gotas dos alergenos e utilizando um puntor, faz-se uma leve picada (puntura ou “prick”) em cada gota. Aguarda-se por cerca de 20 minutos e observa-se a reação no local. O teste é positivo quando surge uma elevação avermelhada na pele, semelhante à uma picada de mosquito.

Os testes mais utilizados por método de puntura são os inalantes (ácaros da poeira, fungos, pelos de animais, penas, lã, gramíneas ou polens, entre outros) e alimentares (leite, ovo, crustáceos, frutas variadas, trigo, centeio, aveia, arroz, amendoim, cacau, entre outros).

2- Teste “prick to prick”: trata-se de uma variação do teste de puntura onde o alergista utiliza alimentos ao natural (frutas e verduras frescas, leite de vaca) para realizar o procedimento.

3- Teste intradérmico: neste caso, o teste é realizado com injeções sob a pele (intradérmicas) utilizando uma seringa de 1ml descartável com agulha fina (10 x 3 ou 10 x 4). Alguns testes são avaliados 15 a 20 minutos após e outros dependem de uma leitura tardia, isto é, com resultados após 48 horas. São testes sensíveis, embora tenham mais chances de provocar reações indesejáveis.

Os testes mais utilizados por método intradérmico são: insetos, bactérias, fungos e testes para avaliação memória e da defesa imunológica.

4-Teste de contato: usados para avaliar alergias da pele, quando se suspeita de uma dermatite o
u de uma urticária de contato. Limpa - se a pele (em geral nas costas) e cola-se o material do teste montado previamente em contensores, protegendo-se o local com fita adesiva micropore. Após 48 horas, o teste é retirado, sendo recomendada a exposição à radiação ultra violeta. O paciente retorna 24 horas após, para avaliação final e orientação dos resultados.

Utiliza-se uma bateria padronizada de substâncias ou
testam-se apenas aquelas que o paciente manipula habitualmente e que se suspeita.Por exemplo, pode-se testar o próprio esmalte de unhas que a pessoa utiliza.

5- Testes de Provocação: consistem em colocar
a substância suspeita diretamente no local onde ocorre a alergia. Utiliza-se a provocação nasal, brônquica, oftálmica ou ingerindo o alergeno. Por exemplo, pede-se ao paciente para ingerir um alimento suspeito ou faz-se uma nebulização com o próprio alergeno. Estes testes são perigosos, devendo ser realizados apenas por alergista treinado e em ambiente hospitalar.

6-Testes no s
angue: são realizados em laboratório, com a coleta do sangue e dosando a presença do anticorpo de alergia (IgE ou imunoglobulina E) específico para cada substância suspeita. É possível realizar esta dosagem para inalantes (ácaros da poeira, fungos, baratas, pelos de animais, etc) alguns alimentos (leite, ovo, frutas, cereais, cacau, etc), veneno de insetos, látex (borracha) e alguns tipos de medicamentos.

Em algumas pessoas, o teste cutâneo precisa ser substituído pela avaliação no sangue, como por exemplo: pessoas que não podem interromper o uso de antialérgicos ou que tenham lesões severas na pele, bem como aquelas que já tiveram
reações graves anteriormente.

O alergista analisará cada caso e definirá a melhor forma de testagem em cada paciente.


Fatores que podem interferir nos testes alérgicos

Muitos fatores podem influenciar no resultado dos testes alérgicos, a começar pela qualidade e tipo do extrato utilizado, que deve ser padronizado
de acordo com as normas nacionais e internacionais. Crianças pequenas e idosos têm mais facilidade em resultados negativos. Além disso, os testes de leitura imediata (puntura e intradérmicos) realizados para inalantes, alimentos e insetos, sofrem a influência de medicamentos, como por exemplo, os antialérgicos, que devem ser suspensos 5 a 7 dias antes. Os testes de contato podem resultar em falso negativo se o paciente estiver em uso de cortisona.

Da mesma forma, as condições da pele e a técnica de realização dos testes poderão influenciar no resultado final. Por exemplo, pessoas portadoras de dermografismo por terem uma pele mais sensível, reagirão de forma exagerada, resultando em falsa-positividade ao teste.

Conclusões

- Testes são procedimentos importantes para auxiliar o médico a identificar os fatores que provocam a alergia.

- Não existe
um teste que sirva para detectar tudo que pode causar alergia numa pessoa.

- Um teste isolado, sem a avaliação clínica feita pe
lo médico, não tem valor.

- Não existe teste para corantes, aditivos alimentares ou que sirva para todos os medicamentos.


O teste realizado de forma adequada e bem indicado é de grande valia, pois define a natureza alérgica dos sintomas, ao mesmo tempo em que avalia o grau de sensibilização. Assim, é possível estabelecer a causa dos sintomas, orientar o tratamento e preparar uma vacina mais adequada (imunoterapia específica).

03 Janeiro 2009

Alergia a gergelim


Ontem o Jornal O Globo publicou no segundo caderno, uma interessante crônica de Arthur Dapieve, que com um estilo leve, narra desventuras de sua esposa, portadora de alergia ao gergelim.

O problema já começou na lua de mel, em país estranho, quando subitamente apresentou coceira intensa, taquicardia e tonteira, sem contar com a sonolência causada pelo antialérgico. E continua, relatando outras situações desagradáveis e inesperadas, causadas pela ingestão inadvertida da semente.

Recomendo a leitura, muito agradável e aproveito para tocar em alguns pontos importantes da alergia alimentar.

Alergia é uma reação inesperada e anormal para substâncias inofensivas para a maioria das pessoas. Lucrécio, no primeiro século AC escreveu em seu livro De Rerum Natusa: “O que é alimento para alguns, pode ser para outros, veneno violento”.

Uma alergia não surge da primeira vez em que se tem contato com a substância. Uma pessoa pode comer um alimento ou tomar um medicamento por anos e um dia, sem mais nem menos, tornar-se alérgico. Durante esse tempo, a pessoa foi se sensibilizando, criando anticorpos específicos até que surgiu a alergia.

O gergelim é uma semente oleaginosa oriunda do Oriente Médio, usada em pães, bolos, biscoitos, refogados de vegetais, etc. É usado também sob a forma de óleo, manteiga e leite de gergelim. A palavra origina do latim sesamun. É também conhecida como sésamo em espanhol e em inglês, como sesame.

O uso do gergelim em alimentos, antes restrito a pratos típicos, vem aumentando progressivamente em todo o mundo. Comidas japonesasm árabes, chineses... Quem não se recorda da propaganda de uma conhecida rede de fast food, que entre outros ingredientes anunciava um molho especial e um pão com gergelim...

A alergia ao gergelim foi descrita pela primeira vez
na década de 50 e desde então, se verifica um aumento progressivo do número de casos. Pesquisa recente realizada na Inglaterra apontou a presença desta alergia em uma a cada 2000 pessoas. Em 2005, o Colégio Americano de alergia, Asma e Imunologia (ACAAI) publicou em sua revista científica um artigo alertando sobre o tema. Em Israel, já é apontado como terceira causa de alergia alimentar.

A manifestação da alergia alimentar pode variar desde sintomas leves até formas graves, necessitando atendimento em serviços de emergência. Os sintomas incluem: prurido, urticária, angioedema, asma, e até anafilaxia. Foram descritos casos de asma em trabalhadores de padarias. Relata-se ainda a possibilidade de surgir dermatite de contato com cosméticos ou produtos farmacêuticos contendo o alergeno.

Evitar os alimentos comprovadamente contendo gergelim é fácil. O problema é a ingestão acidental do gergelim. Rótulos inadequados ou incomp
letos e até mesmo expressões vagas como “óleo vegetal” podem esconder a presença do alergeno. Alimentos inocentes como carnes preparadas à milanesa, onde o pão é torrado para preparo do prato, podem se tornar ameaçadores..

Pessoas sensíveis ao gergelim poderão desenvolver também alergia ao amendoim, pela semelhança química entre os dois alimentos. Da me
sma forma, poderá ter alergia a: centeio, papoula, alguns tipos de nozes e avelãs, Kiwi, pistache, entre outros. Embora não seja obrigatório, recomenda-se evitar estes alimentos.

Se você é alérgico, procure a orientação do especialista e acostume-se a ler cuidadosamente os rótulos dos alimentos. Mesmo quando o rótulo traz apenas uma advertência de que pode conter traços de gergelim, deve ser evitado, pois a alergia pode surgir mesmo com a ingestão de mínimas quantidades do alimento.
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